Biografia: "Apesar de pertencer a uma família de escultores de Carrara - cidade onde nasceu, em 1670, e veio a falecer, no ano de 1747 -, Giovanni di Isidoro Baratta pode integrar-se na produção escultórica florentina, sobretudo pelas marcas deixadas na sua obra pelo seu primeiro mestre, o escultor florentino Giovanni Battista Foggini (1652-1725). Aliás, Rudolf Wittkower considera Giovanni di Isidoro Baratta o melhor entre os discípulos mais jovens de Foggini, notando que 'nel suo barocco pittorico si può scoprire un riserbo tipicamente fiorentino'.
Oriundo de uma família de escultores, como se disse - na qual se reconhecem nomeadamente seu pai Isidoro, seu tio Francesco (colaborador de Bernini), seus irmãos Pietro (1668-1729) e Francesco (m.1731/33?) -, Giovanni di Isidoro iniciou com naturalidade a sua formação artística no contexto familiar mas rapidamente terá passado de Carrara a Florença, onde teve como primeiro mestre Foggini.
Ainda em Florença, Giovanni di Isidoro Baratta terá sido discípulo de um outro toscano notável, Massimiliano Soldani Benzi (1656-1740), e, já em Roma - onde se encontra em 1691, ano em que vence o segundo prémio no concurso da Academia de São Lucas -, de Camillo Rusconi.
Em 1697 estava de volta de Florença e aí trabalhou nos anos imediatos, embora muito provavelmente, tenha efectuado deslocações a cidades como Lucca, Génova e Veneza, certamente no seguimento de propostas de trabalho.
No ano de 1706 encontrava-se em Florença, bem como em 1709, quando no seu atelier recebe Frederico IV, rei da Dinamarca, o qual procede à aquisição de algumas obras de Giovanni di Isidoropara o palácio real de Rosenborg. O ano de 1725 parece ser o do seu estabelecimento em Carrara, onde abre uma oficina. A sua fixação na cidade terá sido definitiva e, em 1731, recebe o título de conde por concessão do duque de Massa di Carrara.
Giovanni di Isidoro Baratta foi ainda colaborador do arquiteto Filippo Juvara (1676-1736), com quem trabalhou na capela de Santo Huberto, do palácio da Venaria Real (Turim), e também no palácio da Granja de Santo Ildefonso, em Espanha. Esta colaboração com Juvara terá certamente contribuído para a sua nomeação, por Madame Reale, como escultor real da corte de Turim, tendo mais tarde usufruído de idêntico título e correspondente estatuto, no reino da Sardenha e Sicília, por nomeação de Vittorio Amedeo II.
As obras realizadas por Giovanni di Isidoro Baratta para Mafra – as estátuas de São José, São Bartolomeu e São João Batista – datam todas de 1732, logo já da fase carrarina, isto é, do período em que o escultor regressara à cidade de origem e abrira oficina, O contacto com José Maria da Fonseca Évora terá acontecido precisamente em Carrara, onde o agente da Coroa portuguesa se deslocara para procurar mármore de qualidade e a bom preço, e, muito provavelmente, mais mão-de-obra disponível, para além daquela que angariara já em Roma.
As três estátuas assinadas por Giovanni di Isidoro Baratta denotam um completo domínio técnico da matéria, bem traduzido na capacidade de conceder diferentes qualidades e texturas à superfície escultórica, com vista à representação dos vários materiais.
Igualmente reconhecível é a cuidada composição em contraposto e a tentativa de comunicação com o observador pela eloquência da gestualidade, particularmente nas figurações de São Bartolomeu e São José, que nos parecem mais bem conseguidas que aquela de São João Batista. O seu São Bartolomeu não ignora o realizado por Pierre Legros, exatamente vinte anos antes, para a nave da basílica lateranense, mas não se trata de uma inspiração direta.
A atribuição a Giovanni di Isidoro Baratta, efetuada nos anos 40, por Emilio Lavagnino, da estátua de São Bruno – que, todavia, Ayres de Carvalho atribuía Giuseppe Lioroni -, não se nos afigura minimamente consistente, quer pela construção fisionómica quer pela organização e modelação dos panejamentos.".
(in Vale, Teresa Leonor, "A Escultura Italiana de Mafra", Livros Horizonte, 2002, pág.66 a 68)