Giovanni Battista di Rossi
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Actividade: Escultor (activo em Roma entre 1726 e 1738)
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Biografia: “Nada conhecemos das origens geográficas nem da formação artística de Giovanni Battista de Rossi, sabendo apenas que desenvolve a sua atividade em Roma, cidade onde se fixou pelo menos entre os anos de 1726 e 1738. Mesmo a sua atividade enquanto escultor se encontra muito pouco documentada, identificando-se apenas algumas obras suas em igrejas romanas, entre as (datas mencionadas).
A frequência do nome permite tão-só equacionar uma possibilidade de eventual parentesco com o mais conhecido arquiteto Giovanni Antonio de Rossi (1616-1695), bem como com os também escultores Domenico e Giovanni Francesco de Rossi (pai e filho), ativos no contexto do seicento romano e responsáveis designadamente pela execução de alguns relevos para a basílica de São João de Latrão, no contexto da campanha borrominiana de meados do século XVII (…).
Por outro lado, um dos documentos publicados no artigo de Filippo Caraffa sobre a capela Corsini (…), Giovanni Battista de Rossi surge especificamente designado como “scultore di statue di stucco”, à semelhança de Francesco Martini e bem diferentemente dos outros escultores envolvidos na obra lateranense dos Corsini. Tal classificação não parece ter ficado a dever-se ao fato de Giovanni Battista de Rossi ter efetuado para a dita capela apenas trabalhos de estuque, pois o mesmo se verifica com Bernardino Ludovisi (que faz dois relevos para a mesma capela) e todavia este último não recebe a designação de “scultore di statue di stucco”. Cremos que a utilização de tal expressão seja justificável pela especificidade da obra escultórica de Giovanni Battista de Rossi, o qual seria dominantemente um escultor de estuque com pontuais incursões na pedra, o que se constata. Aliás, pela listagem das suas obras conhecidas, onde encontramos frequentemente a realização de escultura ornamental em estuque (basílicas de Santa Maria in Trastevere, São Pedro do Vaticano e igreja de Santa Prassede, sempre em Roma).
Para Mafra, esculpiu duas figuras femininas, Santa Bárbara e Santa Maria Salomé, ambas assinadas. Trata-se de duas obras muito contidas e convencionais em termos compositivos, nas quais se não verifica qualquer destacamento da massa escultórica relativamente a um eixo central, só ligeiramente diagonal. Compositivamente a Santa Bárbara, deriva das estátuas de duas santas mártires que marcaram o seicento romano, a Santa Bebiana que Bernini esculpiu (entre 1624 e 1626) para a homónima igreja romana e a Santa Susana, realizada por François Duquesnoy (entre 1629 e 1633) para a igreja de Santa Maria di Loreto de Roma. Concretamente a articulação ombros-pescoço-cabeça (e também a organização e tratamento dos cabelos) desta Santa Bárbara de Mafra remete ainda para uma outra escultura do barroco de Seiscentos, a Santa Emerenciana, do relevo realizado, na década de 80 do século XVII, por Ercole Ferrata (1610/14-1686), para a igreja romana de Santa Agnese in Agone.”
(in Vale, Teresa Leonor, "A Escultura Italiana de Mafra", Livros Horizonte, 2002, pág.64 e 65)