Descrição: Cruz processional em prata de haste e braços de secção quadrada, e nó em forma de urna. Assenta sobre pé de secção circular rematado por anel. No interior do tubo, presença de flores e pássaros incisos. Na parte superior, pequeno nó cinzelado e decorado por folhas de acanto de fundo pontilhado, e por óvulos polidos. Este nó está soldado a uma alma de prata, com rosca na parte superior, na qual encaixa o nó em forma de urna, moldado, repuxado e burilado.Decoração constituída por cartelas de volutas rematadas em baixo por pluma. Alternam estas cartelas, com espaços preenchidos por folha da acanto, escamas de peixe e querubins soldados em relevo. Uma das cartelas, apresenta as iniciais IFD gravadas. Ombro decorado por concheados, volutas e folhagem de acanto fundo pontilhado. Gargalo decorado por pequena cartela, enrolamentos e acanto pontilhado. "Tampa " decorada por cartelas ovuladas e por folhas de acanto no registo superior. Cruz moldurada, base com folhagem de acanto, de onde saem enrolamentos, concheados, volutas e querubim. O remate das outras extremidades é decorada de igual modo, à excepção da folhagem de acanto. Na intersecção das hastes, resplendor de raios desiguais.
Origem/Historial: Integra um conjunto formado por dois ciriais e cruz processional com decoração condizente. Todas as peças apresentam no bojo a mesma marca de posse gravada - IFD - provavelmente uma abreviatura de "Infantado", relativa à Casa do Infantado, organização patrimonial que teve como centro nevrálgico o Palácio de Queluz.
Corresponde talvez à cruz processional mencionada na relação da "prata que acompanha o Santíssimo que entrou [na capela] em o ano de 1781". Esta relação inclui, entre outras peças, um par de ciriais e está contida numa atualização do inventário de 1767 (ANTT). Na sequência da partida da família real para o Brasil, em 1807, surge igualmente inventariada na capela a "Cruz de prata huma", tal como os "Ciriais de prata dois" (ANTT).
Identifica-se com clareza no inventário de 1908, com o n.º 594: "1 cruz processional de prata, sem crucifixo, grande e majestosa, com globo, a qual se segue a cana ou canudo que confina na base de pau. Peso 3090 grammas", na companhia dos referidos ciriais com os números 592 e 593: "2 cereais de prata, grandes, correspondentes à Cruz com cantos que revestem toda a haste. Peso 5870 grammas" (ANTT).
Na sequência da implantação da República (1910), a cruz processional foi transferida com as restantes pratas da capela para a casa-forte do Palácio das Necessidades. O arrolamento então efetuado incluiu-a no agrupamento de "Joias e mais objetos preciosos denominados da Corôa", com o n.º 17173: "Uma cruz processional de prata lavrada, pesando incluindo o tubo de cobre que atravessa a base em que assenta a cruz, três mil e trezentas gramas". Segundo o mesmo documento, foi devolvida "Ao Administrador do Palácio Nacional de Queluz em 3-4-918 (vide auto de fls 471)" (Arquivo do PNA, Arrolamento do Palácio das Necessidades, vol. VII). HX
Incorporação: Transferência - Palácio das Necessidades, 1918