Descrição: Imagem articulada, representando Jesus Cristo crucificado e destinada a ser usada no contexto das celebrações da Semana Santa, nomeadamente na Procissão de Passos e no Auto do Descimento da Cruz. As articulações dos membros permitiam que a imagem pudesse ser apresentada de joelhos carregando a cruz, facilitando a encenação realista da crucificação e descimento de Cristo. A escultura articulada, que se desmonta em várias peças, provavelmente do período medieval, poderá ter sido adaptada a esta função num período posterior, quando se passaram a generalizar os actos públicos referentes à Paixão de Cristo.
Esta escultura apresenta articulações nos membros superiores (ombros e cotovelos), sendo apenas possível girar a mão. Nos membros inferiores, existem articulações na anca e joelho da perna esquerda, e no joelho da perna direita. É possível girar os pés e os seus dedos.
São visíveis restos de policromia.
Origem/Historial: A 14 de fevereiro de 2023 foi classificado como bem de interesse nacional (BIN), com a designação de «tesouro nacional» e publicado no diário da República nº 32, II Série, Anúncio n.º 24/2023.
Incorporação: Adquirido por dotação orçamental, o corpo articulado pelo valor de 4.900$00 e a cabeça pelo valor 4.000$00
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
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MARTINEZ MARTINEZ, Maria José - El Santo Cristo de Burgos y los Cristos Dolorosos Articulados. Boletim del Seminário de Estudios de Arte y Arqueologia, Valladolid: Universidade de Valladolid, 2003-2004, vol.69-70, pp.207-246
EUSÉBIO, Maria de Fátima (coord.) - Arte, Poder e Religião nos Tempos Medievais. A Identidade de Portugal em Construção, Câmara Municipal de Viseu, 2009, pp.198-201
NABAIS, Cristina; RODRIGUES, Dalila (coord.) - As Colecções de Escultura em Madeira do Museu Grão Vasco e do Museu Nacional de Arte Antiga. Um contributo para a ciência e para a arte, Ed. da Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, p.p. 87