Técnica: Vidro incolor. Pintura a grisalha, amarelo de prata e esmalte.
Dimensões (cm): Alt. 27 x Larg. 31,3
Descrição: Painel de vidro incolor com pintura a grisalha, amarelo de prata e esmalte com a representação da Última Ceia. * * *
A descrição bíblica da Última Ceia de Jesus Cristo refere que esta ocorreu no primeiro dia da festa dos pães sem fermento, dia em que os judeus comemoravam a Páscoa Mosaica. Ao início dessa noite, quando os treze homens se reuniram, Jesus anunciou a sua própria morte e esclareceu que seria um dos apóstolos presentes a conduzi-lo para esse fim. É o momento dessa revelação que figura no painel em apreço. * * *
Sentados a uma mesa circular, onze apóstolos conversam agitados entre si, a maior parte destes eleva uma mão que pousa sobre o peito reforçando o semblante apreensivo. Ao centro destes homens, de fronte para o observador e chamando a si toda a importância da composição, figura Jesus Cristo nimbado, de vestes castanhas, barba e cabelo longo. Junto a este, reclinado sobre a mesa numa postura distinta dos restantes apóstolos, está representado São João Evangelista.
Em cima da mesa estão dispostos vários pratos com pão ázimo (Mc. 14, 12), panos e facas, bem como um grande prato azul com cordeiro, sobre o qual Jesus pousa a mão direita. Símbolo de sacrifício, o cordeiro era por excelência o animal que os hebreus ofereciam a Deus para remissão dos pecados. Para os cristãos, quando Jesus ofereceu o seu próprio sacrifício para tirar o pecado do mundo, Ele transformou-se no Cordeiro de Deus (Jo. 1, 29-34). Assim, neste painel, o toque do Cristo vivo no animal morto assume-se como uma referência direta à Crucificação e ao que esta representa no plano do Cristianismo. * * *
A ação decorre numa sala de paredes em tijolo com um aspeto assaz modesto, mas na qual figuram duas imponentes colunas salomónicas ladeando Cristo. As colunas, cuja decoração acompanha a torção do fuste, têm a primeira metade canelada e a parte superior ornamentada com vides e folhas de videira. Entre as colunas, abre-se uma janela de portadas em madeira e bandeiras decoradas com pequenos vidros losangulares. Note-se que a partição estrutural da janela, travamento das bandeiras e da zona central de fecho das portadas, forma um T que, ao surgir na composição sobre a cabeça de Cristo, transporta o observador para o momento da Crucificação (Mt.26, 24). Por cima da janela, preso às colunas, pende um conjunto drapeado de tecidos cor de ouro que lembra o pálio que geralmente cobre o Santíssimo durante as procissões. * * *
Pelas laterais da sala entram, em segundo plano, dois homens. A figura à esquerda transporta na mão direita um prato vazio, indicando ausência de alimento (o corpo de Cristo), pois o sacrifício ainda não foi consumado. Em oposição, o homem que entra pela direita da composição ergue bem alto um cálice, possivelmente numa referência ao Santo Graal, por onde Cristo e os seus discípulos beberam o vinho transformado em sangue.
Incorporação: Transferido após 1910 do Palácio da Necessidas para o Palácio Nacional da Ajuda, onde permaneceu até 1949, quando foi transferido para o Palácio Nacional da Pena.
Centro de Fabrico: Países Baixos
Exposições
Vidros e Vitrais: um gosto de D. Fernando II - As coleções de vidros e vitrais do Palácio Nacional da Pena