Técnica: Vidro incolor. Pintura a grisalha/esmalte negro (?), amarelo de prata e esmalte.
Dimensões (cm): Alt. 43 x Larg. 32
Descrição: Painel de vitral composto com vidro incolor e vidro corado na massa com pintura a grisalha ou esmalte negro, amarelo de prata e esmalte com representação heráldica relativa ao cantão suíço de Uri. * * *
Em primeiro plano, entre colunas de secção quadrangular com capitéis e base azul e verde e sobre fundo vermelho adamascado, figura um guerreiro de barba voltado a ¾ à sua direita. Enverga traje militar (arnês) decorado com diversos pormenores a metal dourado sobre veste amarela e preta e ostenta um elmo com pluma branca. * * *
Na mão esquerda segura uma espada embainhada, ao mesmo tempo que suporta na mão direita uma bandeira. Nesta estão patentes as armas do cantão de Uri (um touro negro lampassado com anel sobre campo de ouro) e, em cantão, um Cristo crucificado ladeado por duas figuras humanas (possivelmente Maria e João Evangelista). As armas voltam a repetir-se, mas em escudo, no canto inferior esquerdo do painel, onde surgem encimadas pelas armas do sacro império romano germânico (águia bicéfala de negro sobre ouro) timbradas por coroa imperial de ouro. * * *
O selo oficial deste cantão Suíço remete para a origem da região. O touro representa o primitivo e selvagem, uma referência aos primeiros homens do território, ao passo que o anel, atribuído pelo papa aos povos cristãos que lhes sucederam, simboliza honra mas também domesticação. A selvajaria era assim derrotada pela adoção do cristianismo, numa clara alusão à vitória da fé. * * *
No topo do painel, dividida por duas reservas, figura uma cena de exterior com a representação da punição de Guilherme Tell. Na reserva da direita, observam-se três homens, entre os quais se identifica Guilherme Tell, de costas para o observador vestido de amarelo e preto e segurando uma besta pronta a disparar. Nas suas costas, observa-se a ponta de uma segunda seta. A seu lado encontram-se um guerreiro armado e o governador austríaco Hermann Gessler. Na reserva da esquerda, figura, encostada a uma árvore, uma criança de mãos atadas à cintura com uma maçã pousada na cabeça e à qual Guilherme Tell faz pontaria. * * *
Conta a lenda que, durante as guerras para a libertação da Confederação Helvética face ao império Habsburgo, o lendário herói do século XIV, alegadamente residente no Cantão de Uri na Suíça, se recusou a prestar homenagem, com o cumprimento de uma vénia, a um chapéu com as cores austríacas que o governador Hermann Gessler havia ordenado colocar num poste na praça da capital Altdorf. Conhecido pelos seus dotes no manejo da besta, Guilherme Tell foi obrigado a disparar uma seta a uma maçã pousada sobre a cabeça de seu filho. Se o conseguisse fazer, pai e filho sobreviveriam. De acordo com a lenda, Guilherme Tell trazia consigo uma segunda seta que, caso lhe falhasse a pontaria, serviria para retirar a vida ao governador.
Incorporação: Transferido após 1910 do Palácio da Necessidas para o Palácio Nacional da Ajuda, onde permaneceu até 1949, quando foi transferido para o Palácio Nacional da Pena.
Centro de Fabrico: Suíça
Bibliografia
XAVIER, Hugo - "Propriedade Minha": ourivesaria, marfins e esmaltes da coleção de D. Fernando II, Coleções Em Foco, n.º 4, PSML, 2022.
Exposições
Vidros e Vitrais: um gosto de D. Fernando II - As coleções de vidros e vitrais do Palácio Nacional da Pena