Mãe de Deus “da Sarça-ardente”

  • Museu: Museu Nacional Grão Vasco
  • Nº de Inventário: 3217
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Desconhecido
  • Datação: Século 19
  • Suporte: Madeira
  • Técnica: Aplicação de folha de ouro
  • Dimensões (cm): Alt. 35,5 x Larg. 31,2 x Esp. 2,1
  • Descrição: Maria é apresentada ao centro de uma mandorla de fogo, com o seu Filho apoiado no braço esquerdo e, com a sua mão direita, não só aponta para ele, tal como no caso das Hodegetrias, mas também porta uma escada, como aquela que surge no sonho de Jacó, em Betel. Esta mandorla emana-se no centro de uma abertura celeste em forma de estrela de quatro pontas, dentro da qual que observam outras estrelas, como que representando o Universo e as suas constelações. Esta estrela de quatro pontas sobrepõe-se a outra, que surge como uma emanação de luz vermelha, constituindo uma espécie de expansão da própria energia de Deus (por vezes também assim representada, em forma de triângulo ou losango, como halo de santidade nas representações de Deus Pai). As oito pontas desta forma estrelar, são ligadas ainda por uma mandorla polilobada, que nos espaços interiores integram uma guarda de anjos ou arcanjos. No caso deste ícone é possível identificar os arcanjos: Gabriel, com um espelho de jaspe na mão (símbolo do mistério de Deus não revelado); Miguel, trajado como militar; Rafael, portando uma taça de alabastro; Uriel, com uma chama na mão; e ainda Jegudiel, Sealtiel, Baraquiel e Jeremiel (considerado um oitavo arcanjo). A Virgem segura uma escada como um atributo próprio indicando ser ela a “escada” por onde Deus desceu à Terra, ou a “escada” por onde as almas ascendem ao paraíso, assim revelando a sua ação não apenas como intercessora, mas como uma verdadeira via de acesso da Humanidade ao Divino. Esta alusão liga-se, ainda, ao passo bíblico do sonho de Jacob narrado no Livro dos Génesis (Génesis 28), em que este vê uma escada que ligava o Céu à Terra com anjos que a percorriam, em que Deus diz ao profeta que dele haveria uma grande descendência e que desta haveria de ser a terra em que ele se encontrava deitado. Esta imagem, na realidade, é interpretada como o pronuncio das profecias, em que Deus se manifestaria aos Homens e lhes garantiria a Salvação e a presença no seu Reino.
  • Origem/Historial: Para a constituição da colecção de ícones podem destacar-se três fases: 1- A organização de um núcleo inicial, que teve origem com aquisições realizadas por Sophia Santos Pereira da Gama, mãe da legadora Anna-Maria Pereira da Gama, sobretudo a partir de 1945, data em que realizou uma viagem à Turquia; 2- Uma segunda fase em que Anna-Maria Pereira da Gama reuniu aleatoriamente também alguns espécimes; 3- Uma fase mais recente, após 1995, com a aquisição da maioria das obras por Anna-Maria Pereira da Gama, quer através de antiquários europeus, quer portugueses.
  • Incorporação: Peça incorporada no âmbito do legado de Anna-Maria Pereira da Gama.
  • Centro de Fabrico: Moscovo (?)

Bibliografia

  • GORJÃO, Sérgio – Ícones Russos do Legado Pereira da Gama, Viseu, Grupo de Amigos do Museu Grão Vasco, 2013
  • VENTURA, Maria de Jesus (coord.) - Sob o Manto de Nossa Senhora. Colecções de Arte Russa em Portugal, Cascais, Ed. Fundação D. Luís I, 2019, p.p. 188

Exposições

  • Ícones Russos do Legado Pereira da Gama

    • Museu Grão Vasco, Viseu
    • 16/5/2013 a 31/1/2014
    • Exposição Física
  • O Triunfo da Ortodoxia. Arte Russa do Museu Grão Vasco

    • Centro Cultural de Cascais - Fundação D. Luís I
    • 6/6/2015 a 30/8/2015
    • Exposição Física
  • Sob o Manto de Nossa Senhora. Colecções de Arte Russa em Portugal - MSR

    • Museu de São Roque
    • 21/9/2019 a 24/11/2019
    • Exposição Física
  • Sob o Manto de Nossa Senhora. Colecções de Arte Russa em Portugal - MNGV

    • Museu Nacional Grão Vasco, Viseu
    • 30/11/2019 a 29/3/2020
    • Exposição Física

Multimédia

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