Descrição: Ao centro da composição, envolto numa mandorla que representa o universo, com os seus astros, símbolo de uma emanação física e histórica, está Jesus, sentado em asas, de braços abertos e portando um rolo aberto, símbolo da concretização das profecias, numa visão “futurista” da sua segunda vinda à Terra para julgar os vivos e os mortos. Esta mandorla ou disco celeste, é suportado por anjos tenentes e é coroada por uma representação da Trindade extraída do Antigo Testamento. Ainda sobre esta Trindade está a prefiguração do Pai, de braços abertos, acolhendo toda a sua criação, envolto numa esfera (interrompida) que lhe confere um sentido transcendente.
Ladeando o medalhão central em que está Cristo como Juiz universal, encontra-se, à esquerda, a Crucificação de Jesus, e à direita, a Virgem “do Sinal”. Abaixo está uma Pietá.
A composição deste ícone apresenta uma simetria conceptual e uma dualidade: ao lado direito de Cristo representa-se a Salvação, à esquerda a Condenação, duas realidades separadas por um intransponível rio de fogo.
No campo superior estão dois anjos a corpo inteiro que guardam as portas das mansões dos justos (segundo o Evangelho de João [João 14,2]); à direita de Jesus está a mansão dos que entram na graça de Deus e, por tal, estão iluminados por um sol radioso; no lado oposto fica uma morada sombria, reinando sobre ela as trevas de uma lua sem brilho.
Na parte inferior do ícone observa-se São Miguel resgatando da boca do inferno, com uma corrente, os pecadores arrependidos. Sobre este está outra representação que parece ser do Bom-ladrão, que mereceu a salvação pelo seu arrependimento antes de morrer.
No lado oposto está uma figuração dos homens que sob o peso dos seus pecados e culpa, não se conseguem erguer da morte, sendo espezinhados por um demónio que cavalga uma besta feroz.
Trata-se de uma visão escatológica intimamente ligada ao Livro do Apocalipse, mas também contida em passagens dos Evangelhos, como o de Mateus, que se reporta a uma segunda vinda de Cristo para julgar a humanidade.
Origem/Historial: Para a constituição da colecção de ícones podem destacar-se três fases:
1- A organização de um núcleo inicial, que teve origem com aquisições realizadas por Sophia Santos Pereira da Gama, mãe da legadora Anna-Maria Pereira da Gama, sobretudo a partir de 1945, data em que realizou uma viagem à Turquia;
2- Uma segunda fase em que Anna-Maria Pereira da Gama reuniu aleatoriamente também alguns espécimes;
3- Uma fase mais recente, após 1995, com a aquisição da maioria das obras por Anna-Maria Pereira da Gama, quer através de antiquários europeus, quer portugueses.
Incorporação: Peça proveniente do Legado de Ana Maria Pereira da Gama.
Centro de Fabrico: Rússia central
Bibliografia
GORJÃO, Sérgio – Ícones Russos do Legado Pereira da Gama, Viseu, Grupo de Amigos do Museu Grão Vasco, 2013
Exposições
Ícones Russos do Legado Pereira da Gama
Museu Grão Vasco, Viseu
16/5/2013 a 31/1/2014
Exposição Física
O Triunfo da Ortodoxia. Arte Russa do Museu Grão Vasco