Técnica: Pintura a têmpera; Aplicação de folha de ouro
Dimensões (cm): Alt. 31,2 x Larg. 27,5 x Esp. 2,5
Descrição: O ícone é dividido em três colunas e três linhas. Ao centro encontra-se uma representação da Virgem “do Caminho” apontando para o seu filho, ladeada por “São João Batista” e “São João Teólogo, Apóstolo e Evangelista”.
Sobre a representação central está um céu estrelado, guardado por anjos. Abaixo da imagem da Mãe de Deus estão representados quatro importantes santos anacoretas e pais do monaquismo ortodoxo: “Santo António” das Cavernas (final do século X-1073); o segundo, “Santo Eutímio”, o Grande, (377-473), que fundou vários centros de retiro monástico no deserto palestiniano, sendo ele o responsável pela conversão da Imperatriz Eudóxia, uma das defensoras da ortodoxia e dos ícones; o terceiro, “Santo Onofre”, o Confessor, eremita no Egípto (século IV) e fundamentador de uma vida de total renuncia e despojamento semelhante à dos yoguis indianos; e “São Sava” (1174-1236), príncipe sérvio, primeiro arcebispo autocéfalo da Igreja Sérvia, que se tornou monge e foi abade do mosteiro de Hilandar no Monte Athos, tendo influenciado muitos príncipes eslavos à conversão ao cristianismo ortodoxo. Todos eles estão devidamente identificados.
Lateralmente à figura da Virgem representam-se “São Spiridon” (270-348), Bispo de Trymithous (atual Tremetousia, Chipre) e, ao lado direito da Virgem, “São Nicolau” (século III - 432), bispo de Mira, com o título de Taumaturgo ou Milagreiro, também conhecido como São Nicolau de Bari, o principal Santo de devoção eslava e um dos defensores do cristianismo no período das grandes perseguições.
Na parte inferior das colunas laterais representam-se dois santos guerreiros, defensores e mártires do cristianismo e que muitas vezes são representados em conjunto, nomeadamente “São Jorge da Capadócia” (275-303) e “São Demétrio de Tessalónica” (século IV), o primeiro representado a cavalo trespassando um dragão com uma lança, o segundo, também a cavalo e com uma lança, derrota o gladiador “anticristão” Lyaeos.
Na parte inferior do ícone estão ainda inscritas três orações.
Origem/Historial: Para a constituição da colecção de ícones podem destacar-se três fases:
1- A organização de um núcleo inicial, que teve origem com aquisições realizadas por Sophia Santos Pereira da Gama, mãe da legadora Anna-Maria Pereira da Gama, sobretudo a partir de 1945, data em que realizou uma viagem à Turquia;
2- Uma segunda fase em que Anna-Maria Pereira da Gama reuniu aleatoriamente também alguns espécimes;
3- Uma fase mais recente, após 1995, com a aquisição da maioria das obras por Anna-Maria Pereira da Gama, quer através de antiquários europeus, quer portugueses.
Incorporação: Peça proveniente do Legado de Ana Maria Pereira da Gama.
Centro de Fabrico: Rússia do Sul
Bibliografia
GORJÃO, Sérgio – Ícones Russos do Legado Pereira da Gama, Viseu, Grupo de Amigos do Museu Grão Vasco, 2013