Técnica: Ouro fundido, cinzelado e filigranado; cabochões de esmeralda, rubis e safiras; esmaltagem em "ronde-bosse"; esmaltagem "plique à jour"
Dimensões (cm): Alt. 5,9 x Larg. 5,3 x Esp. c.1,5
Descrição: Alfinete em forma de “M” gótico coroado, em ouro filigranado, representando a Anunciação, decorado com cabochões de esmeraldas, rubis, safiras e pérolas.
A parte inferior do “M” é fechada por uma faixa horizontal que serve de base a duas figuras esmaltadas em "ronde-bosse", ambas voltadas para o centro e posicionadas no interior das arcaturas da letra. À esquerda, o arcanjo Gabriel com veste branca e manto azul celeste e, à direita, a Virgem Maria, com veste grenat e manto azul-escuro; ambas encimadas por pequeno arco trilobulado com esmaltagem "plique à jour" em vermelho e verde. Sobre a haste central, um vaso com um ramo de lírios brancos, símbolo da imaculada Virgem Maria. O reverso é decorado por delicados cordões de filigrana formando reservas centradas por quadrifólios.
Origem/Historial: Oferta do povo da cidade de Nápoles à princesa italiana D. Maria Pia de Saboia (1847-1911), por ocasião do seu casamento com o rei D. Luís I, em 1862. Joia historicista, da autoria do joalheiro italiano Castellani, reproduz um exemplar medieval do século XIV, "The Founder's Jewel", de proveniência francesa, oferecido ao New College de Oxford pelo seu fundador, William Wykeham, em 1404.
Nos últimos anos da monarquia, este alfinete e muitas outras joias de propriedade da rainha foram estregues pela própria ao banqueiro Burnay como garantia pessoal de empréstimos bancários que vieram colmatar a insuficiente dotação anual atribuída à Casa de Sua Majestade a Rainha. Após a morte de Burnay, em 1909, e da própria rainha, em 1911, no exílio, realizou-se em 1912, já em plena República, na sede do Banco de Portugal, em Lisboa, o célebre "Leilão das Joias e Pratas que pertenceram à falecida rainha Sra. D. Maria Pia", levando à praça um acervo de importante valor histórico e artístico. O seu paradeiro permaneceu desconhecido até Abril de 2015, altura em que reapareceu no mercado nacional de antiquariato e arte tendo sido vendido a um antiquário londrino ao qual a Direcção-Geral do Património Cultural o viria a adquirir para reintegrar o acervo do Palácio Nacional da Ajuda.
Encontra-se em vias de classificação como bem de interesse nacional (dito “tesouro nacional”), nos termos do n.º 5 do artigo 25.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, ficando, por inerência, a constar do inventário, conforme disposto no n.º 6 do artigo 19.º do mesmo diploma.
Incorporação: Abril 2015.
Centro de Fabrico: Roma, Itália
Bibliografia
MUNN, Geoffrey C. - Les bijoutiers Castellani et Giuliano, Retour à l'antique au XIXe Siècle. Suisse: Office du Livre, 1983
SOROS, Susan Weber; WALKER, Stefanie - Castellani and Italian Archaeological Jewelry. London: Martina D'Alton Editor, 2004
Catálogo das Jóias e Pratas que pertenceram à fallecida Rainha Sra. D. Maria Pia. Lisboa: Typ. do Annuario Comercial, 1912
Pintura, Jóias, Pratas, Antiguidades, Leilão n.º 13. Lisboa: Palácio da Memória, Abril 2015