Descrição: Terrina "olha" com presentoir (salva) em prata com decoração relevada. É composta por terrina com tampa e uma salva de apoio. A terrina apresenta um pé alto com registos e decoração com grinaldas de folhagem, sobre o qual repousa a copa decorada com volutas, cachos de uvas, folhagens e quatro cartelas com animais. A tampa é decorada com motivos vegetalistas em conformidade com a restante peça, sendo rematada com uma pega em forma de pinha. A salva, ou presentoir, é redondo, decorada com quatro conchas no motivo central e, nas duas cercaduras, com ramagens e flores. Na cercadura exterior existem, ainda, quatro cartelas onde se representam três aves e um coelho.
Origem/Historial: Esta terrina, pela sua forma e função, é designada por "olha", um tipologia comum em Portugal no século XVIII, muito ligada à tradição espanhola. Servia para conter não sopas ou caldos, mas sim guisados ou cosidos.
A sua decoração incidia um gosto arcaizante, ligado ao gosto alemão e do norte da Europa, ainda distante do gosto italiano que virá a marcar o reinado de D. João V.
É atribuível, pelas marcas de ourives, a João Frederico Ludovice, sendo das primeiras da sua produção em Portugal. Este ourives estabelece-se em Lisboa, ao serviço da Companhia de Jesus, em 1700, passando ao serviço da Coroa para o desenvolvimento do projeto de construção do Real Edifício de Mafra, cuja construção é determinada em 1711. A marca de ensaiador delimita a produção da peça em 1723, porém esta deve remontar à primeira década do século XVIII.
A presente terrina é uma das quatro conhecidas, sendo que apenas duas têm o respetivo presentoir. Esta encontra-se representada no catálogo da exposição "Ourivesaria Portuguesa & os seus Mestres" (Porto: Museu Nacional Soares dos Reis, 1997, p. 13, fig. 8); um outro exemplar apresenta a mesma marca de ensaiador (e marca de ourives MF), tendo pertencido à coleção do Rei D. Fernando II; um terceiro exemplar, com idêntica marca de ensaiador (e marca de ourives FA), representada no catálogo da citada exposição; e, por último, existe a que pertence à coleção dos Condes de Castro Guimarães, desprovida de marcas e com decoração mais singela.
Incorporação: Adquirida pela Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
Centro de Fabrico: Lisboa, Portugal
Bibliografia
Ourivesaria Portuguesa & os seus Mestres. Porto: Museu Nacional Soares dos Reis, 1997