Sacrifício ao deus Neptuno

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 299
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Machado, Cyrillo Volkmar (Pintor / Professor)
  • Datação: 1816
  • Suporte: Tela
  • Dimensões (cm): Alt. 109 x Larg. 202
  • Descrição: A pintura representa um tema alegórico/mitológico – mais especificamente um sacrifício ao deus Neptuno –, enquadrado por árvores e vegetação diversa, onde se observam figuras humanas, mitológicas e um cavalo marinho. Em 1.º plano, ao centro, observa-se um grupo de três figuras masculinas, duas delas seguram um cavalo marinho, e uma delas prepara-se para o matar com um machado. À esquerda, encontra-se o deus Neptuno, devido à presença do seu atributo, o tridente, com o pé alçado por cima de um cavalo-marinho branco; este deus encontra-se ladeado por duas colunas estriadas, não sendo de todo impossível que estejamos perante a reprodução imaginada da entrada do templo deste deus. A composição é ainda constituída por um adereço alusivo à antiguidade clássica, o trípode com incenso a arder, associado às cenas de sacrifícios. Em 2.º plano, à direita, duas figuras femininas, sendo que uma delas ostenta uma grinalda de flores, e ambas acompanham uma criança (Sofia Braga, 2025).
  • Origem/Historial: Pintura em formato de elipse pertencente à coleção de sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda; integra um conjunto total de oito pinturas, das quais duas se localizam atualmente no Palácio Nacional de Queluz. Esta refere-se à 2.ª sobreporta, tendo sido solicitada por João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa (1757-1818), 1.º visconde de Santarém, nomeado inspetor das obras reais pelo Príncipe D. João (1767-1826), em 1802. A obra articula-se com a pintura de teto, que representa o ambicionado regresso de D. João VI a Portugal, somente concretizado em 1821. A pintura insere-se nos rituais devocionais a entidades marítimas e mitológicas, visando o tão ambicionado regresso do rei D. João VI a Portugal, tal com Cyrillo salientou: «as deprecações e votos, que fazem as filhas do Tejo às Divindades Marítimas para que sejão propicias, ao desejado regresso de Sua Magestade» (Machado 1823, 315). A temática representada revela ligações à antiguidade clássica, podendo ser enquadrada na manifestação plástica do Neoclassicismo português. O artista recorreu a cenas sacrificiais, uma influência de derivação clássica, e isso poderá dever-se ao facto de escritores clássicos como Homero e Virgílio terem inserido na sua literacia cenas rituais de sacrifícios aos deuses, como forma de agradecimento ou antecipando um acontecimento para o qual requeriam a sua proteção. No que diz respeito ao grupo central, Cyrillo apoiou-se na obra "Admiranda Romanarum Antiquitatum ac veteris sculpturae vestigia anaglyphico opere elaborata ex marmoreis exemplaribus quae romae adhvc extant in Capitolio Aedibus hortisque virorum principum ad antiquam elegantiam a Pietro Sancti Bartolo delineata incisa in qvibvs plvrima ac praeclarissima ad romanan historiam ac veteres mores dignoscendos ob ocvlos ponvntvr" (1693), de Pietro Santi Bartoli (1635-1700), gravador italiano que realizou um levantamento exaustivo dos vestígios da antiguidade romana. As duas figuras, vestidas respetivamente de cor-de-rosa e azul, apresentam aproximações à pintura "Telemachus e a Ninfa de Calypso" (1782), de Angelica Kauffmann (1741-1807). Das oito telas só seis se encontram ainda no local original; as outras duas localizam-se no Palácio Nacional de Queluz (PNQ-Inv. 958/1; PNQ-Inv. 958/2): http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=998639&tipo=OBJ e http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=998638&tipo=OBJ As duas sobreportas da coleção de pintura do Palácio Nacional de Queluz ("Súplicas a Anfitrite" e "A Dança das Ninfas") foram retiradas aquando das adaptações do palácio a residência dos reis D. Luís I (1838-1889) e D. Maria Pia (1847-1911), ocultando-se desta forma as duas portas que existiriam na parede poente. De facto, na planta do piso térreo do palácio, da autoria do sub-inspetor António Francisco Rosa, é possível verificar que na parede poente da Sala do Dossel localizavam-se duas portas (Sofia Braga, 2025).
  • Incorporação: Casa ReaL

Bibliografia

  • MACHADO, Cirilo Volkmar - Colecção de Memórias. Lisboa: Imp. de Vitorino Rodrigues da Silva, 1823
  • Braga, Sofia. 2023. Cyrillo Volkmar Machado (1748-1823). Um percurso artístico singular. Caleidoscópio.

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