Minerva coroando os Heróis portugueses

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 94
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Taborda, José da Cunha (Pintor)
  • Datação: 1816/1817
  • Suporte: Tela
  • Técnica: óleo
  • Dimensões (cm): Alt. 145 x Larg. 116
  • Descrição: Cena alegórica relacionada com um período da História de Portugal, mais concretamente com as Invasões Francesas. Em primeiro plano, uma figura masculina a ser coroada pela deusa Minerva; à direita de Minerva encontra-se uma figura masculina alada, talvez o anjo Custódio, protetor de Portugal, que carrega uma coroa de louros; à esquerda, um velho, que parece identificar-se com uma figura religiosa, aportando um mocho na mão esquerda, e uma criança segura rolos de papel, uma alegoria à História. Do lado direito da composição, observam-se várias figuras masculinas com elmos e o escudo das armas reais. Em segundo plano, à esquerda, duas grandes colunas.
  • Origem/Historial: Pertence à coleção de pintura sobre tela das sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda, integrando um conjunto total de seis pinturas. A pintura “Minerva coroando os Heróis portugueses” foi solicitada provavelmente por João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa (1757-1818), 1.º visconde de Santarém, nomeado inspetor das obras reais pelo Príncipe Regente D. João (1767-1816; reinado 1822-1826), em 1802. A cena alegórica encontra-se em consonância com a reserva central do teto, executada durante a ausência da Família Real portuguesa, por José da Cunha, c. de 1814-1815. A composição central do teto representa a Lusitânia aguerrida, cujo um dos pés assenta sobre um machado de guerra. A Lusitânia enlaça a Paz (possui uma pomba) com a mão direita, e a mão esquerda repudia uma personagem masculina envolta por um véu cinzento; esta personagem masculina segura na mão esquerda uma máscara. A máscara pode representar o carácter do astucioso Napoleão Bonaparte (1769-1821), o “pérfido inimigo da raça humana” (como cit. em Gomes, 2004, p. 72), que colocou em causa a boa ordem, a paz pública e a estabilidade dos governos (Peres, 1935, como cit. em Vaz, 2015, p. 24). Saliente-se que desde os primeiros anos do século XIX, e em ligação direta com o período das Invasões Francesas, se iniciou em crescendo as temáticas envolvendo o carácter aguerrido dos portugueses. É provável que Vieira Portuense tenha sido o grande instigador deste repertório enaltecedor das qualidades heroicas dos Lusitanos, tal como demonstra a pintura "O Juramento de Viriato" exibida no 31.º Salão da Royal Academy of Arts, em 1799 (Gomes, 2004, p. 72). Esta pintura era para ser lida como um manifesto contra Napoleão Bonaparte. Neste sentido, “Minerva coroando os heróis portugueses” encontra-se em consonância com este temário específico da primeira metade do século XIX. Assim, e tendo em conta os elementos iconográficos presentes na imagem, a figura masculina coroada pela deusa Minerva, pode ser interpretada como Viriato, líder militar dos lusitanos e símbolo da resistência contra os invasores romanos. A sua coroação por Minerva significa o herói astuto, que conseguiu através da estratégia militar derrotar, numa primeira fase, o maior exército da antiguidade: os romanos. José da Cunha Taborda inseriu a figura da História, significando que a história terá a responsabilidade de imortalizar os feitos dos heróis portugueses aquando das Invasões francesas, bem como de narrar à posteridade uma das grandes figuras históricas de Portugal: Viriato e o seu exército de guerreiros. No Museu Nacional de Arte Antiga (Inv. 1858), existe um desenho referente a esta pintura.
  • Incorporação: Casa ReaL

Bibliografia

  • MACHADO, Cirilo Volkmar - Colecção de Memórias. Lisboa: Imp. de Vitorino Rodrigues da Silva, 1823
  • VAZ, João, A pintura mural do Palácio Nacional da Ajuda 1796-1833 Imagens do Poder, Scribe, DGPC, 2015
  • Gomes, P. V. (2004). Vieira Portuense. Círculo de Leitores.
  • Leitão, J. J. T. (2002). O Pintor Régio José da Cunha Taborda (Fundão, 1766 – Lisboa, 1836). Exposição Temporária (Investigação, Guião e Catálogo) [Dissertação de mestrado, Universidade NOVA de Lisboa].
  • Gonçalves, M. (2019). José da Cunha Taborda: vida e obra de um fundanense dentro do panorama artístico nacional. Ubimuseum. https://www.ubimuseum.ubi.pt/n05/assets/docs/10.pdf

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