Lísia e jovem guerreiro protegendo a monarquia Portuguesa
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Museu: Palácio Nacional da Ajuda
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Nº de Inventário: 95
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Pintura
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Autor:
Taborda, José da Cunha (Pintor)
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Datação: 1816/1817
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Suporte: Tela
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Técnica: óleo
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Dimensões (cm): Alt. 145 x Larg. 116
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Descrição:
Cena alegórica relacionada com um período da História de Portugal, mais concretamente com as Invasões Francesas. Em primeiro plano, um plinto sacrificial encimado pela coroa real portuguesa, e que ostenta lateralmente um escudo com as armas de Portugal (Leitão, 2002, p. 147).
A composição é composta por uma figura masculina trajando à romana, à direita, que carrega na mão direita um gládio, tendo a seus pés um leão, que simboliza a Força (Leitão, 2002, p. 147). À esquerda, uma figura feminina (Lísia), que aporta na mão direita uma chave. Ambos estendem o braço para coroa real. Enquadra-se num ambiente doméstico, com elementos arquitetónicos.
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Origem/Historial:
Pertence à coleção de pintura sobre tela das sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda, integrando um conjunto total de seis pinturas. A pintura “Lísia incitando à defesa da monarquia…” foi solicitada provavelmente por João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa (1757-1818), 1.º Visconde de Santarém, nomeado inspetor das obras reais pelo Príncipe Regente D. João (1767-1816; reinado 1822-1826), em 1802. A cena alegórica encontra-se em consonância com a reserva central do teto, executada durante a ausência da Família Real portuguesa, por José da Cunha, c. de 1814-1815. A composição central do teto representa a Lusitânia aguerrida, cujo um dos pés assenta sobre um machado de guerra. A Lusitânia enlaça a Paz com a mão direita, e a mão esquerda repudia uma personagem masculina envolta por um véu cinzento; esta personagem masculina segura na mão esquerda uma máscara. A máscara pode representar o carácter do astucioso Napoleão Bonaparte (1769-1821), o “pérfido inimigo da raça humana” (como cit. em Gomes, 2004, p. 72), que colocou em causa a boa ordem, a paz pública e a estabilidade dos governos (Peres, 1935, como cit. em Vaz, 2015, p. 24).
Saliente-se que desde os primeiros anos do século XIX, e em ligação direta com o período das Invasões Francesas, se iniciou em crescendo as temáticas envolvendo o carácter aguerrido dos portugueses. É provável que Vieira Portuense tenha sido o grande instigador deste repertório enaltecedor das qualidades aguerridas dos Lusitanos, tal como demonstra a pintura "O Juramento de Viriato" exibida no 31.º Salão da Royal Academy of Arts, em 1799 (Gomes, 2004, p. 72). Esta pintura era para ser lida como um manifesto contra Napoleão Bonaparte.
O tema representado encontra-se em consonância com o contexto específico da primeira metade do século XIX. Este corresponde ao momento em que Lísia (Lisboa) e uma figura aguerrida – possivelmente Viriato – que simboliza a Força, parecem agir como protetores da monarquia portuguesa. A posição corporal do jovem guerreiro sugere um juramento associado a um ato de vingança – neste caso, contra os franceses.
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Incorporação: Casa ReaL
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Bibliografia
- MACHADO, Cirilo Volkmar - Colecção de Memórias. Lisboa: Imp. de Vitorino Rodrigues da Silva, 1823
- VAZ, João, A pintura mural do Palácio Nacional da Ajuda 1796-1833 Imagens do Poder, Scribe, DGPC, 2015
- Gomes, P. V. (2004). Vieira Portuense. Círculo de Leitores.
- Leitão, J. J. T. (2002). O Pintor Régio José da Cunha Taborda (Fundão, 1766 – Lisboa, 1836). Exposição Temporária (Investigação, Guião e Catálogo) [Dissertação de mestrado, Universidade NOVA de Lisboa].
- Gonçalves, M. (2019). José da Cunha Taborda: vida e obra de um fundanense dentro do panorama artístico nacional. Ubimuseum. https://www.ubimuseum.ubi.pt/n05/assets/docs/10.pdf