Sapatos (par) / Múleos
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Museu: Palácio Nacional de Mafra
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Nº de Inventário: PNM 351
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Têxteis
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1720/1730
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Dimensões (cm): Comp. 27 x Alt. 15,5 x Larg. 9
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Descrição: Par de sapatos litúrgicos de cor branca, de meio salto, sola de couro, forrados exteriormente com tecido de damasco. A debruar o sapato, em todo o remate superior e no recorte ao centro, galão estreito em tecido de fio de seda amarelo. Atacadores em fita de seda amarela com borla encanastrada e franja em fio de seda amarela em cada extremidade.
Interior com forro em pelica. Sola de couro.
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Origem/Historial: Múleos / Sapatos - Sapatos utilizados pelo Papa durante as cerimónias litúrgicas com as vestes litúrgicas ou fora da igreja no tempo comum. São em marroquim, lã ou veludo de seda, durante o Inverno, e seda, durante o Verão, vermelhos ou brancos, com uma cruz bordada, sobre a gáspea, atados com um cordão de ouro com borlas da mesma cor.
Fontes:
Livro de Tombo do Palácio Nacional de Mafra: "Branco - Luvas, sapatos, meias de Pontifical", correspondendo os números:
4759 - Par de xirotecas ou luvas.
4760 a 4761 - 2 pares de sapatos diferentes.
4762 a 4763 - 2 pares de meias.
Fr. João de S. Joseph do Prado, refere que as cinco cores litúrgicas são o carmesim, roxo, branco, preto e verde.
O uso romano, desde o séc. XVI, prescreve o emprego exclusivo destas cinco cores, que não podem ser substituídas por outras, devendo todo o tecido obedecer á cor dominante, que lhe determina o uso. No entanto todos os tons, dentro da cor, são permitidos. O cânone das cores abrange apenas a casula, a dalmática, a capa de asperges ou pluvial, a túnica, a estola, o manípulo, as luvas, as meias e os sapatos.
O paramento branco é usado nas festas de Nosso Senhor, exceptuando as relacionadas com a Paixão, e em todas as festas de Nossa Senhora, dos Anjos, dos Confessores, das Virgens, das Santas Mulheres, na sagração das igrejas, no Dia de Todos os Santos, nas cerimónias de casamento, etc.
Tendo sido a cerimónia da sagração da Basílica de Mafra realizada a 22 de Outubro de 1730, e como na sua descrição se fale na benção dos paramentos, é de presumir que a maior parte destes já aqui se encontrassem nesta data, pelo que pensamos poder situar a sua encomenda entre os anos de 1720 / 1730, sem excluir contudo datas anteriores ou posteriores, mas relativamente próximas.
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Incorporação: Fundo Antigo do Palácio de Mafra. Pertencente bàs coleções da Real Basílica de Mafra.
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Bibliografia
- (Autos de Supressão do) Convento de Santa Maria da Ordem de S. Francisco da Provincia de Santa Maria da Arrabida em Mafra (nº 246 dos Conventos Suprimidos): 1834
- BANDEIRA, Guilherme Jozé Carvalho - Relação do Convento de Santo António de Mafra, suas officinas e Pallacios que se fundarão misticos ao dito Convento. Oferecido a ElRey N.Snr D. José o 1º por Guilherme Jozé de Carvalho Bandeira. Oficial dos censos da mesa da Consciência. Doc. manuscrito.: s/d
- "Cristo Fonte de Esperança", Grande Jubileu do Ano 2000. Catálogo de exposição. Porto: Diocese do Porto, 2000
- CONCEIÇÃO, Frei Cláudio da - Gabinete Histórico que a Sua Magestade Fidelissima, o Senhor Rei D. João VI, em o dia de seus felicissimos annos, 13 de Maio de 1818 oferece Fr. Cláudio da Conceição, Ex-Definidor, Examinador Synodal do Patriarchado de Lisboa, Prégador Regio, e Padre da Provincia de Santa Maria d'Arrabida, Tomo VIII desde 1729 até 1730. Lisboa: Impressão Régia, 1820
- Coord. GUEDES, Natália Correia - THESAURUS Vocabulário de Objectos de Culto Católico. Vila Viçosa: Fundação da Casa de Bragança, 2004
- Correspondência entre José Correia d'Abreu e Frei José Maria da Fonseca Évora (Biblioteca Nacional de Portugal, Secção Reservados, Fundo Geral)
- PRADO, Frei João de S. Joseph do - Monumento Sacro da Fabrica, e Solemnissima Sagração da Santa Basilica do Real Convento de Mafra. Lisboa: Officina de Miguel Rodrigues, 1751