A Lusitânia oferece a Minerva um ramo de oliveira, simbolizando a Paz
-
Museu: Palácio Nacional da Ajuda
-
Nº de Inventário: 336
-
Super Categoria:
Arte
-
Categoria: Pintura
-
Autor:
Taborda, José da Cunha (Pintor)
-
Datação: 1816
-
Suporte: Tela
-
-
Dimensões (cm): Alt. 156 x Larg. 175
-
Descrição: Representação de duas figuras femininas. A principal, possivelmente Minerva, está sentada e contorna com o braço direito uma outra figura feminina que se encontra ajoelhada a seus pés. Minerva enverga uma camisa branca ricamente decorada nas mangas, corpete azul e saia vermelha ornamentada com dourados. A figura ajoelhada, provavelmente a personificação da Lusitânia, oferece-lhe um ramo de oliveira, símbolo da Paz.
Em segundo plano ergue-se uma estátua sobre um plinto, exibindo o caduceu de Mercúrio em sinal de triunfo. Atrás das personagens destaca-se uma árvore de grande porte e, à direita da composição, observa-se uma cabeça de cavalo.
-
-
Origem/Historial:
Pertence à coleção de pintura sobre tela das sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda.
“Na conjuntura política, económica, social e cultural em que se vivia, era de todo pertinente exprimir os conceitos referidos. A Paz: com ela ganhou uma dimensão concreta, atendendo ao conflito que se vivia, e sobretudo com ela, haveria a possibilidade prática de desenvolver convenientemente a ciência, o comércio e a indústria, três atividades consideradas fundamentais para a prosperidade de uma nação que, tão recentemente, fora assolada e espoliada pelas forças invasoras” (Vaz, 2015, p. 34).
De facto, não existem dúvidas que se está perante a representação da Paz, figurada por uma personagem feminina com um ramo de oliveira. Na mitologia, o ramo de oliveira era consagrado a Minerva, deusa da sabedoria e da guerra, mas que diferentemente de Marte, lutava em prol da justiça (Carr-Gomm, 2004, p. 169). Logo, é possível que se esteja perante a paz alcançada pela estratégia militar – que contém em si a sabedoria –, daí a representação da Lusitânia a oferecer o ramo de oliveira a Minerva.
Subtilmente, encontra-se veiculado o agradecimento da Lusitânia a Minerva por ter auxiliado os portugueses a alcançar a tão ambicionada paz para o território.
A paz foi alcançada igualmente pelo valor heróico português, daí a inclusão de uma cabeça de cavalo, numa alusão clara à força e à determinação dos lusitanos. Tudo indica que foi devido à sabedoria e à guerra com sentido de justiça que se conseguiu alcançar a vitória. A estátua feminina que empunha o caduceu de Mercúrio, em sinal de triunfo, poderá também reportar à Paz: “mensageiros o carregam em sinal de paz” (Carr-Goom, 2004, p. 43).
-
Incorporação: Casa ReaL
-
Bibliografia
- RACZYNSKI, LE COMTE A., Dictionnaire historico-artistique du Portugal pour faire suite à l'ouvrage ayant pour titre : Les arts en Portugal, lettres adressées à la Société artistique et scientifique de Berlin et accompagnées de documents, Paris : Jules Renouard et Cie, Libraires-Éditeurs, 1847
- VAZ, João, A pintura mural do Palácio Nacional da Ajuda 1796-1833 Imagens do Poder, Scribe, DGPC, 2015
- Inventário Judicial /Arrolamentos do Palácio Nacional da Ajuda, Vol. 15.
- Carr-Gomm, S. (2004). Dicionário de Símbolos na Arte. EDUSC.