Pistola de arção, utilização Militar
-
Museu: Museu Nacional dos Coches
-
Nº de Inventário: AR 0020
-
Super Categoria:
Arte
-
Categoria: Armas
-
Autor:
Arsenal do Exército, Lisboa (Fabricante)
-
Datação: 1816
-
-
Técnica: Ferro forjado; latão fundido.
-
Dimensões (cm): Comp. 38,5 (total) ; 23 (do cano)
-
Descrição: Pistola militar portuguesa para tropas de cavalaria, da primeira metade do século XIX, segundo o modelo inglês de 1796 para tropas montadas dos regimentos de Dragões Ligeiros “Light Dragoons”.
Cano cilíndrico, de carregamento pela boca, com ouvido, na parte lateral direita, junto à culatra.
Fecho lateral de pederneira, tendo ao centro o monograma coroado “IR” de Ioannes Rex (D. João VI) e na cauda a inscrição “PORTO/1816” denotando o local e data da manufatura. Cão do tipo pescoço de cisne
Coronha em nogueira com todas as guarnições em latão. ( Eng Faria e Silva, 2019)
Arma de fogo, Pistola de pederneira com cano cilíndrico de alma lisa, fixa à coronha por duas cavilhas e um parafuso localizado na cauda da culatra, coronha de nogueira, fechos de sílex e guarnições de latão. O cano tem vareta de ferro com cabeça e roscado para o saca trapos. A coronha é lisa e cilíndrica, terminando numa esfera reforçada por ferragem de latão. A ela prendem-se os fechos de sílex por meio de dois parafusos de atravessar, cuja cabeça se apoia na contra chapa dos fechos. Entre as guarnições de latão contam-se um canudo de vareta sob o cano, guarda mato fixo à coronha por parafuso e cavilha, a contra chapa dos fechos, casquilho fixo à coronha por parafuso e chapinha do gatilho. (Drª Elsa Garrett Pinho, 1995)
-
-
Origem/Historial: Pistola manufacturada no Arsenal do Exército para uso da guarnição militar do Porto. É do modelo usado pela cavalaria de elite do exército britânico - "Light Dragoon" -, durante a guerra peninsular.
Datam de meados do século XVI as primeiras armas de fogo equipadas com fechos de pederneira ou de sílex. Também cahamados "fechos de Anselmo" são, certamente, uma invenção portuguesa pois surgem apenas em arnas de fabrico nacional, ou classificadas como tal. Este tipo de fechos perdurou até ao século XIX, embora fosse sofrendo alterações ao nível do sistema mecânico. De facto, não se conhece outro caso na armaria europeia em que coexistam mais de vinte tipos diferentes de fechos, alguns de criação própria, outros de uso generalizado.
Os fechos de sílex ou de pederneira substituiram os antigos fechos de roda, sobre os quais tinham uma enorme vantagem: com um movimento único desenvolviam as faíscas e abriam a cassoleta. Compunham-se de duas peças principais: o cão e o fuzil; com este último, a pólvora da escova contida na cassoleta ficava ao abrigo da chuva e do vento, o que permitia ao atirador disparar o tiro no momento por si escolhido. Para além destas vantagens, os novos fechos podiam ser facilmente desarmados e limpos pelo soldado.
A partir de 1763, passou a adoptar-se a vareta de aço no carregamento pela boca. Alguns anos mais tarde (1788), com a descoberta do fulminato de mercúrio, seriam inventados os fechos de percussão, aplicados pela primeira vez numa arma de caça. Estava traçado o novo ruma da armaria europeia mas em Portugal continuariam a usar-se as velhas armas de sílex, que ainda equipavam as tropas nacionais na guerra de 1846-47.
Entretanto, ao longo do século XIX, as armas portuguesas recebem influências directas da Inglaterra e da Bélgica, o que se explica, em parte, pelo contacto com as tropas de Wellington durante as invasões francesas e pelo reequipamento do nosso exército com armas inglesas. Os dois grandes centros de fabrico de armas militares foram Lisboa e Barcarena.
-
Incorporação: Palácio Real de Queluz.
-
Centro de Fabrico: Porto, Portugal
Bibliografia
- SILVA, Maria Madalena de Cagigal e - Armaria (Selecção), in Museu Nacional dos Coches, Livro de Ensaios nº 8. Lisboa: MNC, 1978
- SOUSA, José de C. da Silva e - Reais Propriedades de Queluz - Guia de Remessa. Queluz: 24 Outubro 1908
- SILVA, J. A.; REGALADO, J.F: Armamento Ligeiro da Guerra Peninsular 1808-1814. porto Fronteira do Caos Editores, 2010