Correia do Arreio de Montada à Gaúcho (rural)

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 2098
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1885/1900
  • Técnica: Prata fundida em molde e repuxada.
  • Dimensões (cm): Comp. 32 x Alt. 6 x Larg. 7,5
  • Descrição: Correia constituída por duas tiras de couro branco, fendidas na extremidade posterior e unidas entre si por argola de prata (55 mm de diâmetro). Internamente, as tiras são enroladas e rematadas por duas esferas de couro entrançado. Na extremidade anterior da peça. junto à argola, duas aplicações cilíndricas em prata levantada, decoradas com dois pares de frisos perlados, separados por anel. Estas aplicações sobrepõem-se a um reforço de couro entrançado.
  • Origem/Historial: Arreio gaúcho oferecido a D. Carlos de Portugal pelo presidente do Estado do Rio Grande do Sul (Brasil), Dr. Borges de Medeiros, por intermédio do Ministro de Portugal no Brasil. A sela gaúcha é a única que não possui arções de madeira, o que se explica pela escassez de matérias-primas na "pampa" sul-americana. Em tempos mais remotos, a sela era construída pelo próprio gaúcho que, apesar das reais dificuldades económicas, empenhava o pouco que possuía no cavalo, seu único instrumento de trabalho e fonte de rendimentos. Para além de transporte, cama e alimento, o cavalo fornecia ainda o couro que era utilizado naconstrução da sela - "recado" -, sobretudo nos "bastos de laderas", ou seja, os legítimos substitutos dos arções. Colocadas sobre a manta e o suadouro, estas protuberâncias eram por último cobertas com um rectângulo de couro a que se dá o nome de "encimera", fixo por meio de uma correia larga (cerca de 20 cm), que ajudava a consolidar as diferentes partes constitutivas da sela. Os loros, suspensos da "encimera", posicionavam os estribos perpendicularmente em relação ao assento. O selim e o respectivo arreio gaúcho que integram o espólio do M.N.C. são peças de grande luxo, a avaliar pela quantidade de prata utilizada na sua decoração. Constituíam propriedade particular da Família Real Portuguesa antes de darem entrada no Museu.
  • Incorporação: Transferência do Palácio das Necessidades (Lisboa).

Bibliografia

  • FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943