Técnica: Prata repuxada, fundida, soldada, cinzelada e puncionada.
Dimensões (cm): Alt. 75,5 x Larg. 21,5
Descrição: Maça constituída por sete módulos distintos, encaixados entre si de modo a
conferir à peça um aspecto compacto e unitário. A base, em forma de
campânula invertida, é decorada com dois anéis, o primeiro liso e o segundo
com gomos côncavos e convexos, em alternância. O fuste é canelado, sendo
o terço inferior demarcado por aro liso. Dentro das caneluras desenvolvem-se
meias-canas rematadas por contas. O segundo registo assemelha-se a um
capitel decorado com volutas, acantos e outros elementos vegetalistas. O
registo seguinte, trabalhado em escócia, sustenta o corpo mais largo, em
balaústre. Este, apresenta nos ângulos "SS" distendidos terminando em
volutas, onde alternam superfícies lisas e puncionadas com motivos florais
relevados. Em cada uma das faces encontram-se as armas reais portuguesas
inscritas em cartela e encimadas por coroa real fechada. As coroas constituem
peças autónomas em "ronde bosse", apensas à estrutura. O módulo seguinte,
de base polilobada, repete a decoração fitomórfica e as molduras do
balaústre, todas elas côncavas; é sobrepujado por anel de óvulos e contas e
cercaduras puncionadas. O remate da peça, tendencialmente esférico e de
vulto perfeito, sugere o motivo de albarradas.
Inclui-se também na categoria de insígnias e distintivos.
A maça, tal como a cana, é um dos símbolos paradigmáticos do poder. Destinada a servir nas manifestações de aparato da monarquia, era empunhada pelos Porteiros da Maça, que não só exerciam funções nos Paços Reais como acompanhavam os cortejos solenes e as saídas públicas da Família Real.
Origem/Historial: Pelas marcas e gramática decorativa, dir-se-ia tratar-se de uma peça do terceiro quartel de Setecentos, muito provavelmente executada a partir de desenhos encomendados em Paris e destinada às cerimónias de inauguração da estátua equestre de D. José I (1775).
Todavia, num estudo realizado em 1924, Caldeira Pires afirma que, entre as peças destruídas por ocasião do incêndio da Real Barraca, em 1794, se encontravam os tabardos dos Reis-de-Armas e as maças de prata do reinado de D. José I.
Assim, as maças que actualmente integram a colecção do M.N.C. teriam sido encomendadas pelo Príncipe Regente D. João, a fim de servirem nas cerimónias de baptismo do príncipe D. António, que decorreram nas salas da Música e do Trono do Palácio Real de Queluz, em 4 de Março de 1795.
Incorporação: Transferência do Palácio das Necessidades.
Bibliografia
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Catálogo da Exposição Triomphe du Baroque. Bruxelles: Fond. Europalia International, 1991
FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
PIRES, António Caldeira - "Um Catálogo: As Maças de Prata e as Outras Peças de Ourivesaria do Museu Nacional dos Coches", Diário de Lisboa. Lisboa: 15 Maio 1924
SILVA, Maria Madalena de Cagigal e - O Museu Nacional dos Coches - O Edifício, o Museu, as Colecções, (Colecção "Albuns de Arte Portuguesa"). Lisboa: Imp. Nacional/Casa da Moeda, 1977
VIDAL, Manuel Gonçalves; ALMEIDA, Fernando Moitinho de - Marcas de Contrastes e Ourives Portugueses, 2 vols.. Lisboa: Imp. Nacional/Casa da Moeda, 1974