Maça de aparato, distintivo

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: HD 0875
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: José, Marcelino; (Entalhador) Gonçalves, António José (Ourives)
  • Datação: 1765/1770
  • Suporte: Madeira.
  • Técnica: Prata repuxada, fundida, soldada, cinzelada e puncionada.
  • Dimensões (cm): Alt. 77,5 x Larg. 21,5
  • Descrição: Maça composta por sete módulos distintos encaixados entre si de modo a conferir à peça um aspecto compacto e unitário. A base, em forma de campânula invertida, é decorada com dois anéis, o primeiro liso e o segundo com gomos côncavos e convexos. O fuste é canelado, sendo o terço inferior demarcado por aro liso. Dentro das caneluras desenvolvem-se meias-canas rematadas por contas. O segundo registo assemelha-se a um capitel ornamentado com volutas pujantes, folhas de acanto e outros elementos vegetalistas. O registo seguinte, trabalhado em escócia, serve de suporte à parte mais larga da maça, em balaústre. Esta é decorada nos ângulos com "SS" distendidos que terminam em volutas, onde alternam superfícies lisas e puncionadas com motivos florais relevados. Em cada uma das faces, as armas reais portuguesas inscritas em cartela e encimadas por coroa real fechada. As coroas constituem peças autónomas, apostas ao corpo principal. O módulo seguinte, de base polilobada, repete a decoração fitomórfica e as molduras do balaústre, todas elas côncavas. É rematado superiormente por anel de óvulos, contas e cercaduras puncionadas. O remate da peça, em "ronde bosse", sugere o motivo das albarradas. Inclui-se também na categoria de insígnias e distintivos. A maça, tal como a cana, é um dos símbolos paradigmáticos do poder. Destinada a servir nas manifestações de aparato da monarquia, era empunhada pelos Porteiros da Maça, que não só exerciam funções nos Paços Reais como acompanhavam os cortejos solenes e as saídas públicas da Família Real.
  • Origem/Historial: Pelas marcas e gramática decorativa, dir-se-ia tratar-se de uma peça do terceiro quartel de Setecentos, muito provavelmente executada a partir de desenhos encomendados em Paris e destinada às cerimónias de inauguração da estátua equestre de D. José I (1775). Todavia, num estudo realizado em 1924, Caldeira Pires afirma que, entre as peças destruídas por ocasião do incêndio da Real Barraca, em 1794, se encontravam os tabardos dos Reis-de-Armas e as maças de prata do reinado de D. José I. Assim, as maças que actualmente integram a colecção do M.N.C. teriam sido encomendadas pelo Príncipe Regente D. João, a fim de servirem nas cerimónias de baptismo do príncipe D. António, que decorreram nas salas da Música e do Trono do Palácio Real de Queluz, em 4 de Março de 1795.
  • Incorporação: Transferência do Palácio das Necessidades (Lisboa).

Bibliografia

  • BESSONE, Silvana - Museu Nacional dos Coches, Lisboa. Lisboa: IPM/Paribas, 1993
  • FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
  • MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
  • PIRES, António Caldeira - "Um Catálogo: As Maças de Prata e as Outras Peças de Ourivesaria do Museu Nacional dos Coches", Diário de Lisboa. Lisboa: 15 Maio 1924
  • SILVA, Maria Madalena de Cagigal e - O Museu Nacional dos Coches - O Edifício, o Museu, as Colecções, (Colecção "Albuns de Arte Portuguesa"). Lisboa: Imp. Nacional/Casa da Moeda, 1977
  • VIDAL, Manuel Gonçalves; ALMEIDA, Fernando Moitinho de - Marcas de Contrastes e Ourives Portugueses, 2 vols.. Lisboa: Imp. Nacional/Casa da Moeda, 1974

Multimédia

  • HD 0875 (5) (Cópia).JPG

    Imagem
  • 380.jpg

    Imagem
  • 6 Maças de prata conjunto (1) (Cópia).JPG

    Imagem
  • IMG_3615.JPG

    Imagem
  • HD 0875 (6) (Cópia).JPG

    Imagem