Xairel de arreio de montada à militar, à inglesa, do Presidente da República Sidónio Paes

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 0249
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1889/1918
  • Dimensões (cm): Comp. 67 x Larg. 127
  • Descrição: Xairel em flanela de lã azul escura, agaloada a prata dourada e forrada a tecido de algodão creme e a couro negro (respectivamente nas metades superior e inferior da peça). O Galão é decorada por um motivo contínuo e ondulante, formado por folhas de carvalho e bolotas e delimitado oir delicados frisos lobulados que, no entanto não correspondem a qualquer recorte externo. Em baixo, ao centro, o galão tem diversas manchas negras semelhantes a pinceladas. Nos ângulos inferiores da peça, sobre suporte circular em couro azul pespontado a branco, foram aplicados escudos da República Portuguesa, em prata fundida e vazada. Em torno destas aplicações, a flanela apresenta manchas brancas e um textura diferente, indícios de anterioes aplicações provenientes da época da monarquia. A confirmar esta hipótese, as marcas deixadas no couro negro do reverso que correspondem aos contornos de um escudo real assente sobre pavilhão encimado por coroa fechada. O xairel militar era colocado sobre o selim por vezes ornamentado com rendas de ouro e preta e bordado com armas que identificavam o cavaleiro ou o regimento ou o grau dos oficiais. (E.N)
  • Origem/Historial: A Reforma dos Uniformes do Exército, decretada em 1806 e dada à estampa nesse mesmo ano, dedicava um capítulo aos arreios, em cujos parágrafos IV, V e VI se estabelecia o tipo de arreios e demais acessórios de cavalaria que seriam usados pelos Oficiais "que para o exercício dos seus Postos servirem a cavallo", todos eles com ferragens amarelas, coldres e xairéis ou mantinhas de pano azul ferrete guarnecido de galão. Em relação às mantas, decretava-se que deveriam cobrir o cavalo "desde as espadoas até aos quadriz", sendo forradas de oleado, assim como as capas dos coldres. Este tipo de revestimento interno tinha, como facilmente se entende, a vantagem de ser mais duradouro do que qualquer tecido - nomeadamente os forros de algodão, de uso corrente até à época -, evintando também que a peça ficasse manchada com o suor do cavalo. Quanto às guarnições, elas dependiam das patentes dos Oficiais, compondo-se de um ou dois galões distanciados entre si de uma polegada, variando na largura e dimensões dos desenhos. Apesar da distância que medeia a Reforma e a feitura do xairel em apreço, poder-se-á concluir que as necessidades práticas e o cariz eminentemente utilitário destas peças mantiveram intactas, durante quase um século, as suas características de fabrico.
  • Incorporação: Admnistração da extinta Casa Real, fundo antigo do Museu

Bibliografia

  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943

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