Descrição: O "Velho do Restelo" assume o papel principal nesta cena dramática, da qual são testemunhas as expressões dos rostos das algumas mulheres, crianças, idosos e um monge, que se encontram à beira-mar.
Este é o estudo preparatório para a execução de uma das telas de temas históricos, inspirados nos Lusíadas, que foram encomendados a Columbano pelo Museu de Artilharia (hoje Museu Militar) e destinados à Sala Camões desse museu. Nesta composição, Columbano pretende aproximar-se da cena descrita por Camões, passada em Belém no século XVI, na Praia do Restelo. Aguardando o tempo favorável para se fazerem ao mar, as embarcações partiam de Lisboa, muitas vezes em viagens sem regresso. Na praia ficavam familiares, mulheres, crianças e idosos, na incerteza de um reencontro e na angústia da ausência. A figura do ancião assume o papel principal nesta cena dramática e personifica a dúvida e suspeita da missão, movida pela ambição humana:"Ó glória de mandar! ó vã cobiça/ Desta vaidade a quem chamamos fama!" – Luís de Camões, Lusíadas, Canto IV, Est. XCV.
Os tons sombrios, o céu carregado e o mar revolto acentuam o dramatismo desta obra.
Origem/Historial: Adquirido a Emília Bordalo Pinheiro em 1938, este estudo esteve exposto na Sala Columbano do Museu de Grão Vasco e, mais tarde, noutras salas do Museu. Ultimamente guardado em reserva, foi recentemente alvo de uma intervenção de restauro, que lhe permite agora ser de novo exposto.
Para além desta pintura, existem, no Museu do Chiado, dois outros estudos sobre esta obra em grafite sobre papel, e ainda um pequeno óleo representando a cabeça da figura que personifica o "Velho do Restelo".
Incorporação: Compra a Emília Bordalo Pinheiro em 1938.