Técnica: Moldada e pintada a azul cobalto sob o vidrado
Dimensões (cm): Alt. 23,2 x Larg. 8,5 x Prof. 8,2
Descrição: Garrafa quadrangular de porcelana azul e branca. No ombro, em molde de cúpula, assenta o gargalo cilíndrico e estreito, havendo indícios de ter existido uma peça em porcelana para o tapar. A secção quadrada da garrafa apresenta paredes rectangulares e foi executada em porcelana branca, espessa e de grande densidade, posteriormente revestida de vidrado colorido com azul de cobalto, com excepção da base que é plana e apresenta a pasta cerâmica em chacota.
A decoração do gargalo apresenta dois caules com corola central e no ombro ou colo, na vertical das arestas, observam-se elementos vegetais quadrilobados estilizados em reserva, representando pérolas. Estas, sobre decorações geométricas encanastradas, a azul forte e inspiradas no motivo da suástica.
Nas quatro faces da garrafa, a decoração inclusa num filete foi executada com aguadas de azul de cobalto, mostrando, de cima para baixo, as armas dos Vilas Boas e Farias ou dos Vaz, Em baixo, representações de peónias em flor sobre uma mancha azul que pretende representar terra ou mesmo rochedos.
O brasão de armas apresenta um escudo quadrado repartido em tércio. Em ‘pala’, a águia dos Faria; os dois ‘cantões do chefe’, preenchidos por castelos, com três torres; os ‘flancos’, pela torre encimada por flâmula; no ‘cantão da ponta’, por extenso, três castelos. O escudo é encimado por um elmo deformado e uma águia estendida, por timbre; as armas são ladeadas por um paquife com formas orientalizantes.
À semelhança de outras porcelanas armoriadas, a identificação rigorosa do brasão torna-se difícil devido à monocromia, como à deformação do desenho. No entanto, elas têm sido atribuídas a Álvaro Vilas Boas, cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Santiago da Espada, que assumiu o comando das armadas da Índia.
A forma desta garrafa, parece inspirada em modelos europeus de garrafas de vidro ou mesmo em faiança e grés. Peças deste género eram usadas principalmente para conterem bebidas espirituosas e desenhadas de maneira a facilitar o seu armazenamento e acondicionamento em caixas para transporte por via marítima. Por outro lado, não parece de se excluir a hipótese da peça ter colhido inspiração numa garrafa de "saké" japonesa. Por comparação com exemplares semelhantes e completos, o gargalo deveria ser rematado por uma peça cilíndrica, mais estreita, com círculos horizontais coloridos a azul.
A decoração é associada a um tema muito popular da transição do século XVI para o XVII, que aparece representado tanto em porcelana, como em fechaduras de mobiliário. A peónia arborescente, brotando de rochedo é no Oriente um símbolo de opulência e bem-estar e um motivo raríssimo na porcelana de exportação.
[RT. 11|3|2011].
Origem/Historial: * Forma de Protecção: classificação;
Nível de classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006; 18/07/2006 *
Incorporação: Aquisição, Jorge Welsh, 1996
Centro de Fabrico: Jingdezhen
Bibliografia
Museu Nacional de Arte Antiga. Lisboa: Inapa, 1999
Catálogo da exposição - Museu Nacional dec Arte Antiga - Bona. Bona: Kunst-und Ausstellungshalle, 1999
MATOS, Maria Antónia Pinto de - "Caminhos da Porcelana". Lisboa: Fundação do Oriente, 1998 (pp. 162-164)
CASTRO, Nuno - "A Porcelana Chinesa e os Brazões do Império". Porto: Civilização, 1987
Exposições
Museu Nacional de Arte Antiga, Lissabon
Bonn, Kunst-und Ausstellungshalle der Bundesrepublik Deutschland