"BOM-PASTOR" (Identificação iconográfica)

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 396 MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Escultura
  • Autor: Artífice de escultura em marfim do sub-continente Indiano ; Encomenda ocidental e execução Indo-Portuguesa (Escultura)
  • Dimensões (cm): Alt. 23 x Larg. 8,4 x Diâm. base 8,4 x 6,7
  • Descrição: "BOM-PASTOR", constituindo escultura de vulto, em marfim, com figuração do Menino Jesus como Bom-Pastor, a corpo inteiro, frontalizado, sedente, representado no topo de característica peanha, em atitude meditativa, a cabeça pousada sobre a mão direita, ostenta cabelos em anéis curtos, sendo o central protuberante, olhos semicerrados, expressão meditativa, traja véstia de pastor com bornal suspenso de corda atravessada no tronco, cabaça à cintura e a mão esquerda segura uma ovelha, vendo-se um destes animais repousando no seu ombro e mais dois dispondo-se de pé; as pernas cruzam-se e os pés ostentam sandálias; a escultura une-se à base através de dois pinos que se encaixam interna e dorsalmente em orifícios escavados na extremidade superior desta. A montanha simbólica define-se em socalcos, vendo-se, no superior, em posição central, a "Fonte da Vida" expressa como um chafariz de triplo colunelo com filetes de água caindo lateralmente para um tanque (?) circular onde duas aves molham os bicos; no socalco médio dispersam-se outras ovelhas do rebanho, e, no inferior, em gruta, em forma de concha, representação de Santa Madalena penitente, de longos cabelos pelas costas e cobrindo-se de veste comprida, deitada no solo com a cabeça repousada sobre o braço direito, tendo junto de si um livro aberto que segue com um dedo, e uma cruz latina com peanha que se apoia às paredes da gruta; a ladear este tema, em duas outras grutas laterais, concheadas e simétricas, leões seguram nos dentes antílopes apresados; o friso inferior integra motivos zoomórficos. A face posterior apresenta reticulado oblíquo. Temática baseada em Parábolas do Novo Testamento, designadamente, a do "BOM PASTOR", João 10: 11-16: ("Eu sou o Bom Pastor; o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. (...) e conheço as minhas ovelhas, e das minhas ovelhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor."), entre outras, como a do Filho Pródigo e a da Ovelha Perdida assim como em alguns trechos do Antigo Testamento. A peça em análise é um espécime atribuível à produção escultórica em marfim definida a partir de modelos ocidentais e concretizada por artífices orientais no enquadramento do Império Português na India, conhecida como Indo-portuguesa, embora a presente tipologia do Bom Pastor em peanha figurativa, - constituindo uma representação profusamente divulgada no contexto da escultura indo-portuguesa seiscentista, em marfim - manifeste uma simbiose entre contextos cristãos e conceitos da expressão milenar do Conhecimento e das Escrituras Védicas, designadamente, sobre a Meditação como via de união com o Divino. "Convém ter presente que os artistas indígenas, ao trabalharem para as Missões, não podiam eximir-se do complexo hereditário e ambiental da etnia e da tecnica locais e, sobretudo, da ancestralidade dos cânones religiosos e artísticos do seu povo. Por isso, a obra cristã que produziram aparece imbuída de um caráter híbrido, que lhe dá um extraordinário interesse plástico, nomeadamente marcante na imaginária dita indo-portuguesa (originária da Índia continental) e, mais ainda, proveniente da ilha de Ceilão (dita cíngaloportuguesa)"."Quanto ao Bom-pastor é, porventura, uma poucas espécies icnogrãficas criadas com originalidade e exclusividade pelas oficinas do Industão do século XVII, apresentando inúmeras variantes de pormenor, mas retomando sempre o conhecido tema evangélico (...), amalgamado com conceitos pragmáticos e figurativos do induísmo, do budismo e da Contra-Reforma portuguesa. É uma das mais representativas séries indo-portuguesas,com exemplares extraordinários." (p. 91). Vide TAVORA, Bernardo Ferrão de Tavares (1979)- "MENINOS JESUS CÍNGALO-PORTUGUESES E SEUS PROVÁVEIS PROTÓTIPOS FLAMENGOS», Universitas, Salvador, (25): 85-124, abr./jun. 1979., pp.91 e outras "As «orientalia» eram formadas por «exotica, rarita, e naturalia», isto é, objetos produzidos com materiais de origem vegetal e animal. Entre os objetos de devoção mais apreciados pelas comunidades religiosas de Quinhentos a Setecentos, destacavam-se as esculturas de vulto em marfim, muitas vezes, guardadas no interior de oratórios em madeira com incrustações em marfim, ébano ou madrepérola. Conservam-se ainda algumas placas em relevo realizadas no mesmo material". In OSSWALD, Cristina. - "The Perception of the Jesuits in the Portuguese World: between the Trade of and the Taste of Orientalia (16th-17th centuries)". In https://www.revistahipogrifo.com/index.php/hipogrifo/article/view/360/pdf
  • Incorporação: Senhor Dr. José Maria da Costa Júnior
  • Centro de Fabrico: India Portuguesa no Subcontinente Indiano (?)

Exposições

  • Exposição Permanente do Museu dos Biscainhos

    • Braga
    • Exposição Física

Multimédia

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