Descrição: Espingarda de caça de origem belga, marcada "Lazaro Lazarini legitimo de Braga", com cano em ferro que funciona com sistema de pederneira, tendo fecho e gancho de suspensão também em ferro e coronha em madeira. O cano é de alma lisa de secção circular. O mecanismo de pederneira podia ser travado em duas posições - segurança e disparo. O carregamento e disparo de uma arma de pederneira eram feitos da seguinte forma: primeiro colocava-se o fecho na posição de segurança (o fecho consiste numa peça em ferro que se regula a abertura introduzindo-se uma pedra afiada de sílex), depois deita-se a quantidade exacta de pólvora do polvorinho para dentro do cano, ou introduzir um cartucho; calcar a munição com a vareta; deitar uma pequena quantidade de pólvora do polvorinho para dentro da caçoleta e fechar a tampa da caçoleta e colocar o fecho na posição de fogo e disparar, premindo o gatilho. O municiamento seria pela boca, com a ajuda de uma vareta de ferro que se colocava por baixo do cano num orifício cilíndrico. A coronha tem chapa de coice em latão e apresenta uma cavidade em friso de ambos os lados. O cano é quase todo revestido por baixo em madeira, sendo as duas partes unidas por faixas metálicas em latão dourado. A madeira é decorada com aplicações metálicas que consistem em botões esféricos também em latão dourado, assim como o guarda-mato que é decorado em baixo por inscrição a acido com motivos vegetalistas.
José Gabriel Barreto Costa
03/03/2026
A inscrição " Lazaro Lazarini legitimo de Braga" refere-se à oficina de Lázaro Lazarino, um dos mestres armeiros mais prestigiados de Braga, centro de produção de armaria de excelência em Portugal desde o século XVII .
O uso do nome "Lazarini" era uma estratégia de prestígio para associar a qualidade da produção bracarense aos famosos canos italianos de Lazzaro Cominazzo
A "Lazarina" no Império: Este modelo tornou-se a arma mais emblemática do comércio colonial português, sendo massivamente exportada para o Brasil e África (especialmente Angola), onde servia como importante moeda de troca e símbolo de estatuto entre as populações locais.
Fontes:
NOBRE, Eduardo, As Armas e os Barões: Armaria em Portugal, Quidnovi, 2004 (pp. 211-213).
DAEHNHARDT, Rainer, Espingarda Feiticeira, Texto Editora, 1994.
Museu de Angra do Heroísmo, Unidade de Gestão de Militaria (Exemplares Inv. MAH 2012.0121).
Incorporação: Esta arma faz da coleção doada pela viúva do Comendador António Maria Santos da Cunha à Câmara Municipal de Braga e posteriormente colocada em comodato no Museu dos Biscainhos