Cofre

  • Museu: Museu Nacional Soares dos Reis
  • Nº de Inventário: 22.1 Our MNSR
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: Arrighi II, António (Ourives)
  • Datação: 1733/1742
  • Técnica: Repuxagem, fundição; cinzelado, gravação.
  • Dimensões (cm): Comp. 18,4 x Alt. 10 x Larg. 24,3
  • Descrição: Cofre em prata, repuxada, fundida, gravada e cinzelada. Apresenta base e corpo rectangulares de contornos mistilíneos, moldurados nas extremidades por friso duplo. Ostenta, junto à base, uma decoração contínua de motivos de entrelaços e enrolamentos realizada a cinzel baixo sobre fundo fosco; idêntica decoração corre na zona superior, junto à tampa. Sobre a face frontal, onde se define o buraco da fechadura, a decoração desenvolve-se de maneira a ocupar quase toda a superfície, num padrão que combina entrelaços, enrolamentos, palmetas e aletas em "S". Na face posterior, duas grandes aletas marcam os pontos de ligação do corpo do cofre e da tampa, que se faz por sistema de charneira. Nas faces laterais está fixada uma vieira sobre cujo centro relevado se faz a suspensão das pegas articuladas. Estas, fundidas e molduradas, constituidas por volutas unidas, apresentam, sobreposto lateralmente, um curto filete de pequenas esferas em alto relevo. A tampa que acompanha todo o perfil do corpo do cofre, apresenta um rebordo moldurado e godronado, seguido de um talão inverso revestido com o mesmo tipo de ornamentação do corpo. O topo plano, exibe além de uma banda com o mesmo tipo de trabalho e motivos ornamentais patentes na decoração geral do cofre, as armas gravadas de Sousa de Arronches usadas pelo Bispo do Porto D. Frei António de Sousa entre 1741 a 1752. A chave, fundida e cinzelada, com argola definida por volutas em "S" interligadas, é formada por canhão oco com extremidade superior em forma de balaústre e remate da gola em anéis moldurados. Palhetão com reentrância. Na parte interior da tampa, o cofre está forrado a veludo de côr azul.
  • Origem/Historial: Através da publicação da "Lei da Separação do Estado da Igreja", datada de 20 de Abril de 1911, os bens da Igreja foram arrolados pelo Estado, constituindo-se este como regulador do seu destino. Neste sentido, instalou-se no Porto uma Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Corporações Religiosas que, na sequência da sua acção, considerou de merecimento artístico para qualquer futuro Museu, o conjunto de peças do Paço Episcopal. Em 1915, a Câmara do Porto propôs o aluguer do Paço para aí instalar o seu Museu. Através do "Auto de Entrega do Edifício do antigo Paço Episcopal à Câmara Municipal do Porto com data de 20 de Dezembro do mesmo ano, foi não só efectuado o respectivo aluguer do edifício, mas também a entrega em regime de depósito de todo o seu recheio. Anos mais tarde, o Decreto nº 21.504 de 25 de Julho de 1932, ao reorganizar o Museu Soares dos Reis e ao elevá-lo à categoria de Museu Nacional, veio permitir a Vasco Valente, seu Director, a transferência dos objectos que pertenceram à Mitra do Porto e encorporá-los definitivamente no Acervo deste Museu. Desta transferência informam-nos o "Auto de Entrega dos Objectos que estavam em poder do Senhor Director do Museu Municipal do Porto, Pertencentes ao Antigo Paço Episcopal, ao Senhor Director do Museu Nacional de Soares dos Reis", com data de 3 de Março de 1932, e o "Auto de Entrega dos Objectos Constituindo Património do Estado que Estavam em Poder do Senhor Director do Museu Mnicipal do Porto ao Snr. Director do Museu Nacional de Soares dos Reis", de 31 de Agosto de 1938. Vários autores debruçaram-se sobre a função original deste cofre: Em 1914, Joaquim de Vasconcelos na "Arte Religiosa em Portugal", embora considerando as suas dimensões um pouco grandes, calculou "ter servido de caixa de hóstias." Discordante desta atribuição, no artigo publicado em 1948 na revista de "Ourivesaria Portuguesa", Vasco Valente associando a caixa e as chaves de grande formato que esta guardava no seu interior, considerou-o um cofre que teria servido para "arrecadar as simbólicas chaves da cidade" do Porto. Posteriormente, em 1971, um artigo de Carlos da Silva Lopes inserido no livro "João Couto, in memoriam", divulga que este ao fazer uma análise mais detalhada da peça, notara que "no veludo que reveste interiormente a tampa do cofre encontravam-se nitidíssimos, os sinais das tampas das quatro galhetas". Estas últimas, pertencem ao conjunto de peças que ostentam as armas dos Sousa de Arronches e apresentam um tipo de trabalho e motivos ornamentais muito semelhantes aos que surgem no cofre.
  • Incorporação: Transferência da Mitra do Porto
  • Centro de Fabrico: Roma

Bibliografia

  • Catálogo Provisório do Museu Nacional de Soares dos Reis. Porto: MNSR, 1936
  • LOPES, Carlos da Silva - "As peças de prata que pertenceram ao bispo do Porto D. Frei António de Sousa. In "João Couto in Memoriam". Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1971
  • MACEDO, Maria de Fátima - "Núcleo de Ourivesaria e Joalharia do Museu Nacional de Soares dos Reis, Proveniente da Mitra do Porto". Actas do I Colóquio Português de Ourivesaria.. Porto: Círculo Dr. José de Figueiredo, 1999
  • Museu Nacional de Soares dos Reis. Jóias, pratas, relógios, miniaturas, esmaltes e diversos - Catálogo-Guia. Porto: Tipografia Porto Médico, 1942
  • Museu Nacional de Soares dos Reis. Roteiro da Colecção, 1.ª ed. Lisboa: IPM, 2001
  • ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da - Inventário do Paço Episcopal do Porto em 1911, in Revista de Ciências Históricas, vol. VII. Porto: Universidade Portucalense, 1992
  • VALENTE, Vasco - "Pratas Armoriadas". Revista de Ourivesaria Portuguesa. Porto: Empresa Industrial Gráfica do Porto, 1948
  • VASCONCELOS, Joaquim de - Arte Religiosa em Portugal, vol.I. Porto: Emílio Biel e Cª Editores, 1914-1915
  • VALE, Teresa Leonor M., As encomendas de arte italiana de D. Fr. José Maria da Fonseca Évora (1690-1752). www.cepesepublicacoes.pt/portal/pt/obras/a encomenda. o artista. a obra/as encomendas de arte italiana de fr jose maria da fonseca evora - 1690-1752 [consulta em 29.12.2015]

Exposições

  • DE ROMA PARA LISBOA. UM ÁLBUM PARA O REI MAGNÂNIMO.

    • Portugal: Lisboa, Museu de São Roque, 2015
    • 26/6/2015 a 13/12/2015
    • Exposição Física

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