Museu Nacional do Teatro

  • Museu: Museu Nacional do Teatro e da Dança
  • Categoria: Edifícios e estruturas construídas culturais e recreativos
  • Autor: Padrão, Joaquim Cabeça (Arquitecto)
  • Datação: Século 18
  • Descrição: Planta rectangular regular, com volumetria paralelepipédica simples, desenvolvendo-se em dois pisos, com torre no extremo, tendo coberturas diferenciadas em telhados de duas águas no corpo central, a quatro nos extremos e em terraço na torre, cujas pilastras se prolongam superiormente, permitindo fixar as guardas metálicas. Fachadas rebocadas e pintadas de rosa, excepto o corpo da torre em cantaria de calcário aparente, flanqueadas por cunhais apilastrados em silharia fendida, rematadas por friso e cornija e seccionadas em dois registos por friso de cantaria. Fachada principal voltada a E., dividida em três panos simétricos, a partir do eixo central da torre, de perfil côncavo e evoluindo em três pisos. No inferior, surge o portal, convexo, de verga recta e arestas boleadas, flanqueado por duas pilastras, onde surgem consolas que sustentam a sacada do segundo piso, em cantaria, protegida por guarda balaustrada, entrecortada por três acrotérios do mesmo material, para onde se rasga janela de perfil contracurvado e moldura recortada, com fecho saliente e sobrepujada por cornija de inspiração borrimínica, que faz a transição para o terceiro piso, onde se implanta relógio quadrangular, com os ângulos salientes ornados por botões. Os panos laterais são semelhantes, rasgados por porta de verga recta com moldura recortada, encimada por janela de sacada, com bacia de cantaria e guarda metálica, para onde abre o vão, em arco abatido e pedra de fecho volutada. Fachada lateral esquerda virada a S., com cinco panos, os três do lado direito simétricos, a partir do eixo central composto por pano saliente, flanqueado por pilastras de silharia fendida, que sustentam o remate em frontão triangular, em cujo tímpano surgem várias flores e alfaias agrícolas. O pano é rasgado por porta em arco abatido e pedra de fecho saliente, encimado por janela de sacada, com bacia de cantaria e guarda de metal, vazada por elementos volutados, com o vão de perfil contracurvado, de moldura recortada e pingentes laterais e pedra de fecho saliente, que extravasa para o frontão, provocando-lhe uma reentrância. Os panos laterais são semelhantes, compostos por oito janelas de cada lado, quatro de peitoril e rectilíneas no piso térreo, encimadas por quatro de sacada, com bacia em cantaria, guarda metálica simples e vão em arco abatido com pedra de fecho saliente e volutada. No lado esquerdo, evoluem dois panos mais simples, o do lado esquerdo mais elevado, rasgado por duas portas de verga recta no piso inferior, encimadas por janelas de peitoril em arco abatido, com molduras de cantaria, prolongando-se em falsos brincos, rematada por cornija e pedra de fecho fitomórfica. O pano imediato tem porta, encimada por janela, de perfis e modinaturas semelhantes às do corpo principal. Fachada lateral direita virada a N., de três panos simétricos, os extremos de menores dimensões e rasgados por janelas de peitoril com molduras em cantaria, encimadas por janela de sacada pouco desenvolvida, com guarda de ferro simples e vão em arco abatido, com pedra de fecho saliente. Ao centro, surgem, no piso térreo, duas portas de verga recta e cinco janelas de peitoril rectilíneas e com caixilharia de guilhotina; no piso superior, sete janelas semelhantes às anteriores. Fachada posterior com uma ampla porta, de acesso à Cafetaria, encimada por duas janelas de peitoril, com molduras a prolongarem-se inferiormente, formando falsos brincos, rematada por cornija e pedra de fecho fitomórfica, que centram pequeno postigo, rematado por cornija. INTERIOR bastante adulterada pelas obras de adaptação às novas funções, mantendo a antiga cozinha, recuperada e aproveitada para a instalação da Cafetaria / Restaurante do museu onde ainda permanecem alguns azulejos que revestiam as paredes. O espaço organiza-se em dois pisos, que comunicam através de escadas localizadas nos extremos do edifício, sendo utilizado para a montagem de exposições temporárias. Junto a estas salas, localizam-se, junto à entrada a recepção e bloco de sanitários para público e, no piso superior, os serviços do museu. Fora dos circuitos expositivos, junto à entrada para o jardim, encontram-se dois espaços singulares e independentes que foram remodelados para servirem de apoio ao público: um para a instalação de um núcleo museológico, e outro, situado em frente do anterior, onde foi instalada a Loja do Museu.
  • Origem/Historial: O nome de Monteiro-Mor, consagrado da toponímia local desde meados do século XVIII, foi atribuído a este Parque, por confinar com o pequeno Palácio onde habitaram dois Monteiros-Mores na segunda metade deste século; referimo-nos a D. Henrique de Noronha (M.M. 1717, filho de D. António de Noronha, 2o marquês de Angeja), que pelo seu casamento com D. Maria Josefa de Melo (filha do Monteiro-Mor Francisco de Melo) herdou este cargo, e D. Fernão Teles da Silva (M.M. 1728) segundo marido de D. Josefa (terceiro filho do conde de Tarouca e Monteiro-Mor do Reino), que adquiriu o Palácio a D. António de Beja Noronha e Almeida, fidalgo da Casa de Sua Majestade, que o adaptou. Confinante com a casa do Nobre, constituiu-se por compras sucessivas a vários proprietários, uma grande quinta, de que viria a ser herdeiro e senhor, D. Pedro José de Noronha de Albuquerque Moniz e Sousa (1716-1788), 3o marquês de Angeja, 4o conde de Vila Verde, gentil homem da Câmara de D. Maria I, e Primeiro Ministro, que sucedeu a Marquês de Pombal. Por interessante coincidência, os dois irmãos "Angeja" – D. Henrique e D. Pedro – dedicaram-se à Ciência Botânica. A este último mereceu-lhe o jardim botânico particulares cuidados, tendo-se iniciado na década de 1750 sob orientação do botânico italiano Domenico Vandelli (1735-1816), que foi professor de ciências naturais e química, e ainda director do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e do Jardim Botânico da Ajuda. Consta que em 1793 o jardim botânico era já citado como sendo um dos três mais belos jardins de Lisboa. O Palácio e o Jardim foram transmitidos na Casa Angeja até à descendente D. Mariana de Castelo Branco, que os vendeu em 1840 ao 1o marquês do Faial e 2o duque de Palmela, D. Domingos de Sousa Holstein Beck (1818-1864). A requintada cultura Palmela contribuiu para que o Palácio se transformasse num verdadeiro museu de obras de arte, e o jardim ornamentado com espécies exóticas raras, vindas especialmente de Inglaterra, fosse ainda mais enriquecido no seu já valioso inventário. Os mais categorizados técnicos de então foram escolhidos para os trabalhos de melhoramento do Parque (1840), sendo o botânico belga Rosenfelder, o botânico austríaco Friedrich Weldwitsh, e os jardineiros Jacob Weist e Otto os mais directos responsáveis. Foi finalmente o "jardineiro" João Batista Possidónio, orgulhoso de ter sido discípulo de Jacob Weist, quem, durante mais de 25 anos (1912) dirigiu o Parque com enorme dedicação e incontestável competência. O duque de Palmela confiou a direcção do jardim a Friedrich Weldwitsh, depois de este ter deixado a direcção do Jardim Botânico da Escola Politécnica, hoje Faculdade de Ciências. Para além do jardim botânico, a propriedade rústica totalmente murada é ainda constituída por terras de semeadura que ocupam metade da sua área total. Uma vasta zona verde foi delineada em jardins à inglesa, com pequenos recantos românticos ao gosto da época, cascatas cantantes, lagos de recorte natural, fontes escondidas e tanques povoados de rãs e peixes. Aqui se encontraram o poeta Almeida Garrett com a escritora inglesa Mrs. Norton, filha de Thomas Sheridan, autor de "English Laws for Women in the nineteenth century"; o poeta evocou este encontro na sua poesia "No Lumiar" na sua célebre obra Folhas Caídas. Todo este rico complexo permaneceu até aos nossos dias na posse da Família Palmela. A sua penúltima proprietária foi D. Maria José Holstein Beck Campilho. Porém, sabe-se ainda, e após afastar o véu que caiu sobre a história deste edifício depois da sua compra pelo duque de Palmela, da presença no mesmo da Embaixada de Marrocos, há algumas décadas. Em 1970, um enorme incêndio destrói quase todo o Palácio, deixando de pé apenas as suas paredes exteriores. A representação diplomática abandona em definitivo o pouco que resta do edifício, totalmente reduzido a escombros. Nesta situação foi adquirido pelo Estado em 1975, e assim ficou até 1979. Foi o Decreto-Lei no 558 de 27 de Setembro de 1975, que autorizou a Direcção-Geral da Fazenda Pública a adquirir a chamada "Quinta do Monteiro-Mor", situada no Lumiar em Lisboa, e, por sua vez, também permitiu a instalação condigna do então recente Museu Nacional do Trajo, no grande Palácio aí existente. A "Quinta" encontra-se reservada como zona verde no Plano Director da Cidade, o que a liberta de qualquer outra utilização. Após a aquisição pelo Estado, impunha-se, desde logo, tratar da recuperação do que restava do Palácio do Monteiro-Mor. Em 1978, Vítor Pavão dos Santos propõe a criação de um Museu do Teatro naquele Palácio, o que acaba por ser aceite. Com esse objectivo, é decidido proceder-se ao restauro do edifício, embora ainda tivesse sido considerada a hipótese da sua completa demolição e construção de um totalmente novo. Justificava-se esta radical sugestão com o absurdo fundamento de o Palácio não ser especialmente bonito – daí, não significaria grande perda... Felizmente, e também, uma vez mais, optou-se pela reconstrução das fachadas e por um espaço interior aberto, que possibilitasse utilizações diversas, de acordo com as necessidades específicas de cada exposição. Tal recuperação foi projectada pelo arquitecto Joaquim Cabeça Padrão, que, compreendendo perfeitamente os problemas que se levantavam para conjugar o edifício existente, do qual apenas restavam as paredes exteriores, com o programa do Museu, conseguiu, com raro equilíbrio, conciliar um exterior do século XVIII, que respeitou escrupulosamente, com um interior de museu moderno, com duas muito amplas salas de exposição e, num aproveitamento criterioso de espaço, encontrou lugar para gabinetes, reservas e um pequeno auditório, além de todos os demais serviços.

Bibliografia

  • Roteiro do Museu Nacional do Teatro. Lisboa, IPM, 2005
  • www.monumentos.pt
  • www.earthgoogle.com

Multimédia

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