Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AG.803
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 20 x Larg. 11,8
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, com a extremidade inferior assente numa base circular e a extremidade superior exibindo fibras vegetais enroladas, fiadas de missangas e adornos vários, representando um penteado. A base, constituída por duas voltas de feixes de capim, é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio de um revestimento de malha de fibras vegetais torcidas dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais. Por cima da malha, à altura da cintura da boneca, a peça exibe várias voltas de um tecido branco. Entre a malha e as voltas do tecido encontra-se, na parte frontal da boneca, um pano, dobrado sobre as voltas do tecido de modo a que as duas extremidades destes fiquem do mesmo tamanho. O pano apresenta um padrão axadrezado com as cores creme e castanho. Na parte posterior da boneca encontra-se dobrado um pano de plástico, onde o lado interior apresenta um padrão geométrico axadrezado com as cores branca, azul e cinzenta, e o lado exterior exibe um padrão de quadrados concêntricos em relevo. A dobra interior apresenta duas missangas vermelhas em cada ponta. Ambos os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. Acima dos panos, à altura da cintura da boneca, esta encontra-se envolvida por três voltas de um fio de plástico vermelho, figurando um cinto. A três quartos da sua altura, a boneca apresenta duas saliências cónicas feitas de fibras vegetais, representando seios. Estes ostentam um fio de plástico vermelho que os cruza, amarrado na parte posterior, e representando um adorno tradicional do grupo a que pertence. A extremidade superior da boneca figura a cabeça. O rosto exibe duas missangas vermelhas figurando os olhos. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais enroladas, sugerindo tranças, que partindo do topo da cabeça estendem-se até meio do corpo da boneca, cobrindo a parte posterior deste. Algumas das tranças são finalizadas por uma missanga vermelha, amarela, azul, branca, roxa ou laranja, outras por um enrolamento das fibras vegetais. Acima dos olhos encontra-se uma franja em cabelo natural seguida por uma fiada de missangas brancas figurando uma testeira, adorno tradicional do grupo a que pertence. Atrás, percorrendo longitudinalmente o topo da cabeça encontram-se duas tranças em cabelo natural. Lateralmente são decoradas com missangas de cores várias e do lado interior apresentam fiadas transversais que as unem entre si. No topo apresentam um botão branco, a meio cada uma apresenta uma fila de dois botões com a figuração do pato Donald, de várias cores, e no fim terminam com missangas vermelhas e brancas enfiadas. Toda a peça apresenta-se untada com uma substância gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 6,8 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

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  • CAMERON, Elisabeth - "Corpos futuros: as bonecas do Sudoeste Angolano" in: Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova Iorque: Museum for African Art, 2000
  • CAMERON, Elisabeth - Isn't s/he a Doll? Play and Ritual in African Sculpture: UCLA Fowler of Cultural History, 1996
  • CARREIRA, António - Missão de Prospecção de Material Etnográfico: Relatório de Campanha em Moçambique e Angola. Lisboa: Ministério do Ultramar, Junta de Investigações do Ultramar, 1967
  • DELACHAUX, Theodore; Thiebaud, Ch-E - Pays et Peuples d'Angola: etudes, souvenirs et photos de la deuxième mission scientifique Suisse en Angola. Neuchatel: Editions Victor Attinger, 1934
  • ESTERMANN, Carlos - Álbum de Penteados do Sudoeste de Angola. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960
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  • ESTERMANN, Carlos - Penteados, Adornos e Trabalhos das Muílas. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1970
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