S. João Baptista com ovelha

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BG.084
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes plásticas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: A especificação da técnica encontra-se no campo do Historial.
  • Dimensões (cm): Alt. 22,5 x Larg. 11
  • Descrição: S. João Baptista em barro policromado, representando um menino em pé com uma ovelha. As figuras assentam numa peanha tronco-cónica de base rectangular, de contornos côncavos. A extremidade superior exibe contornos recortados e a extremidade inferior apresenta um destaque com linhas incisas e de tonalidade vermelha. A peanha exibe a cor dourada e vermelha. O Santo encontra-se sobre um destaque de tonalidade verde que apresenta na parte esquerda da figura uma proeminência, podendo figurar um monte. S. João Baptista apresenta-se envolto num manto que acompanha os contornos da figura, pendendo do ombro esquerdo e caíndo à altura dos joelhos com contornos recortados na parte frontal e pendendo até à bese na parte traseira. Exibe ainda, dois pés com linhas incisas, figurando os dedos e dois membros inferiores, estando o esquerdo flectido. Os dois membros superiores exibem o formato cilindriforme, apresentando-se o direito flectido para dentro apoiado no peito, e o esquerdo esticado e apoiado no dorso da ovelha. As mãos apresentam linhas incisas representando os dedos. O pescoço é de formato cilíndrico. A cabeça apresenta dois pontos negros que figuram os olhos, encimados por duas sobrancelhas igualmente negras. O nariz é triangular em relevo e a boca é representada por uma linha de cor vermelha. Na cabeça figura ainda, cabelo de cor castanha. A ovelha exibe quatro membros, estando os dianteiros flectidos para cima e apoiados na perna esquerda do Santo. O animal exibe ainda, corpo cilindriforme e uma cauda comprida. A cabeça do animal apresenta um focinho alongado de forma cilíndrica, no qual é visível um olho negro encimado por um traço igualmente negro que figura a sobrancelha, e uma linha vermelha que representa a boca. O animal ostenta a cor dourada e também pontos incisos, figurando a lã. O manto que cobre o Santo apresenta linhas incisas que figuram pregas, ostentando ainda, a tonalidade azul com bordo dourado e decorado com pintas de cor igualmente azul e dourado. No topo da cabeça é visível um ponto inciso, podendo servir para colocar o resplendor. Dimensões da Base: Comp: 7,8 Cm; Larg: 11 Cm.
  • Origem/Historial: Técnica: Os métodos utilizados na barrística são, os de rolo, da bola e da lastra, esta última, na elaboração de vestuário e bases. As partes constituintes dos bonecos, que apresentam maior espessura e volume são previamente picadas por meio de uma agulha ou arame e depois corrigidos com os dedos. Este procedimento permite uma maior secagem no interior do boneco evitando assim, quebradura e fendilhagem no acto da cozedura. É altura então, de colocar todos os adornos referentes ao modelo representado saídos da imaginação do artista, empregando-lhes assim, "movimento, vida, alma" (Vermelho, Joaquim, Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística, página 76, Limiar, 1990). Deixa-se o boneco secar e vai ao forno ou à mufla a 800 cº ou 850 cº, no entanto, é importante referir que durante a modelação do boneco convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes constituintes do boneco. Os bonecos são peças muito frágeis e portanto, são necessários muitos cuidados no processo de enfornamento. Finalmente, o boneco passa pelo processo de pintura onde prevalecem o verde, o azul, o vermelho, o zarcão, o amarelo, o branco, o roxo, o laranja e o preto. As tintas utilizadas são os óxidos que são dissolvidos em água e misturados com grude previamente derretido. Contudo, foram introduzidos recentemente, por questões comerciais e técnicas, têmperas, ou seja tintas a água ou plásticas que são misturadas com colas resinosas para madeira. Estas colas proporcionam ao boneco, resistência à luz e à humidade, sem no entanto, prejudicar a cor. Sobre a pintura seca é colocado um verniz que, nos séculos passados, era fabricado pelos próprios barristas através de processos que se perderam. Foram posteriormente substituídos por vernizes industriais.
  • Incorporação: Anterior Proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • AZINHAL, Abelho - Memória sobre os barros de Estremoz. Lisboa: Panorama, 1964
  • BORRALHO, Álvaro António Gancho - As Artes do Barro. Contribuição para o estudo dos Bonecos de Estremoz, Dissertação de Tese de Licenciatura em Sociologia vertente de Sociologia da Cultura. ISCTE, Lisboa: 1993
  • CHAVES, Luís - Os Barristas Portugueses: nas escolas e no povo.. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925
  • CONDE, António Fialho - "A Olaria Alfacinha e o Contributo dos Mestres", "Mestres Oleiros no Alentejo" in Mestres Artesãos do Século: artefactos do mundo por mãos portuguesas. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação: FIL, 2002
  • CORREIA, Virgílio - "Brinquedos na Louça de Estremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • FERRO, António - "Bonecos de Barro" in Vida e Arte do Povo Português. Lisboa: 1940
  • NUNES, Maria Luísa Abreu - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. IEFP - Lisboa: FIL, 2001
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  • PESSANHA, D. Sebastião - "Bonecos de Extremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • PESSOA, Fernando - Os Santos Populares, Ilustrações de Almada Negreiros e Eduardo Viana. Casa Fernando Pessoa, CM Lisboa: Edições Salamandra, 1994
  • VERMELHO, Joaquim - "Mobilidade e Influências nos bonecos de Estremoz" in Conversas à volta da Olaria. Oficinas do Convento: Associação Cultural de Arte e Comunicação, Dezembro 1998
  • VERMELHO, Joaquim - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa, IEFP: FIL, 2001
  • VERMELHO, Joaquim - "Olaria e Barrística de Estremoz" in Artesanato da Região do Alentejo. Évora: IEFP, 2000
  • VERMELHO, Joaquim - Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística: Limiar, 1990

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