Painel de azulejos

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 595
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Quijarro, Fernan Martínez e Herrera, Pedro (Oleiro)
  • Datação: 1503
  • Técnica: Aresta
  • Dimensões (cm): Alt. 52 x Larg. 52
  • Descrição: Painel de azulejos hispano-mouriscos constituído por 16 azulejos distribuídos por 3 módulos de um só azulejo dispostos 2x2, com pintura a verde, amarelo, azul, negro e branco. Os dois conjuntos superiores são formados por quatro azulejos (2x2). Em cada um deles, faixas oblíquas dispostas em losango, formam uma tripla moldura, sendo a faixa do meio mais larga e decorada com motivos vegetalistas estilizados. Ao centro, composição de folhas imbricadas, formam uma estrela de oito pontas. Inferiormente, o grupo da direita é formado por motivos de um só azulejo, onde se repete a tripla moldura dos anteriores e a decoração vegetalista do centro, que desta vez, adquire um perfil circular. O último conjunto, difere, ao nível do motivo central, com uma composição vegetalista estilizada disposta em losango.
  • Origem/Historial: Estes exemplares de azulejos de lavores faziam parte de composições destinadas a fazer revestimentos parietais. Produzidos segundo a técnica de aresta, que aparece cerca de 1500, substituíndo os azulejos de corda seca. Este processo realizava-se através da aplicação de moldes, que deixavam sobre a superfície das placas de barro cru, ainda húmido, finas saliências, as "arestas", definindo ligeiras concavidades, "conchas" ou "Cuenca", as quais impediam a mistura dos vidrados durante a cozedura. As cores, verde, negro e o amarelo foram realizados com zarcão corado com óxido de cobre, de maganês e de ferro; o branco com vidrado de estanífero simples e corado com óxido de cobalto para o azul. João Amaral refere no seu "Roteiro...", que as amostras de azulejos hispano-árabes ou sevilhanos, foram oferecidos pelo prof. de História de Arte, Vergílio Correia ao Museu de Lamego, retirados da Sé Velha, de Coimbra (Amaral, 19661) "Coimbra foi, depois de Lisboa, o mais importante centro de propagação de azulejos quinhentistas em Portugal. Isto ficou a dever-se ao patrocínio do grande Bispo-Conde "renascentista" D. Jorge de Almeida, que governou a diocese de 1483 a 1543. Avultavam, pela quantidade e variedade de padrões, os azulejos que revestiam quase totalmente o interior da Sé Velha, pelo menos até finais do século XIX, tendo sido, pouco a pouco arrancados até ficarem reduzidos a um pequeno revestimento junto à pia baptismal e alguns dispersos. O embelezamento da Sé Velha com azulejos "de lavores" fazia parte, das obras renascentistas empreendidas no templo pelo referido Bispo. Existe um contrato de escritura de 31 de Outubro de 1503, entre o mestre entalhador flamengo Olivier de Gand, autor do retábulo da capela-mor da Sé Velha e Fernan Martínez Quijarro e Pedro Herrera, referindo a dívida a favor destes, de 20 mil maravedis relativos a azulejos, que deviam ser pagos em Buarcos, o porto de mar que servia Coimbra. A olaria de Fernan Martínez Quijarro e de seu filho Pedro Herrera, continuador do ofício de seu pai, foi certamente uma das casas mais famosas de Triana. A fama que alcançou como bom oficial está relacionada com a qualidade técnica que procura introduzir na sua olaria, através de contratos com químicos e especialistas em esmaltes, de início do século XVI, com vista ao aumento de produção exigido pelas encomendas. de referir que Sevilha foi, no século XVI, o maior centro produtor de azulejaria peninsular. (Loureiro, 1992) No Museu Infante Henrique (Faro), guarda-se uma reprodução de uma composição de azulejos, de 1987, de um pano de revestimento de uma das paredes da nave esquerda da Sé Velha de Coimbra, na qual aparecem motivos muito semelhantes aos presentes neste exemplar. Aí foram colocados de modo original, - segundo a forma convencional que encontramos em Sevilha e no convento da Conceição em Beja - aplicados para formar elementos arquitectónicos. Num rectângulo delimitado por azulejos de cercadura, encontra-se um arco trilobado, formado por uma dupla bordadura. Toda a superfície é revestida de azulejos fabricados segundo a técnica de aresta, uns com motivos muçulmanos e outros de inspiração renascença. Foram utilizados motivos formados por um só azulejo (como estes exemplares) ou por rmódulos de quatro, ou seja 2x2. (Loureiro, 1991)
  • Incorporação: Of. do Prof. Doutor Vergílio Correia
  • Centro de Fabrico: Sevilha

Bibliografia

  • AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
  • CORREIA, Vergílio - Azulejos. Coimbra: Livraria Gonçalves, Vol. I, 1956
  • Guia de Portugal. Trás-os-Montes e Alto Douro. II- Lamego, Bragança e Miranda, vol. 5. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988
  • LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
  • LOUREIRO, Fátima - "in" Azulejos. Lisboa: Europália'91, 1991
  • LOUREIRO, Fátima - "in" No Tempo das Feitorias, A Arte Portuguesa na Época dos Descobrimentos. Lisboa: MNAA, Vol. I, 1992
  • MECO, José - O Azulejo em Portugal, Vol. 15. Lisboa: publicações Alfa, 1989
  • SANTOS, Reynaldo dos - O Azulejo em Portugal. Lisboa: 1957
  • SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria em Portugal nos Séculos XV e XVI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,, 1969

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