Painel de azulejos
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 598
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Cerâmica
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Autor:
Quijarro, Fernan Martínez e Herrera, Pedro (-)
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Datação: 1503
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Técnica: Aresta
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Dimensões (cm): Alt. 53 x Larg. 53
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Descrição: Painel constituído por dezasseis azulejos de aresta, com motivo de padrão com módulo 2.2 azulejos. Pintura a preto, verde, amarelo, branco e azul. A decoração de inspiração renascentista, combina motivos geométricos com motivos fitomórficos.
O centro é marcado por composição de flor e folhagem imbricada delimitada por uma moldura de quatro circunferêcnias lisas, sendo uma delas, mais larga e decorada com folhas de acanto. A decoração do centro é delimitada por um losango formado pelos vertíces de outros quatro losangos que dispõem à volta do centro. Possuem moldurado semelhante ao anterior, de tripla bordadura, e no seu interior repete-se a mesma decoração de flores e folhagem imbricada.
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Origem/Historial: Na segunda década do nosso século, escreveu Vergílio Correia que, na Sé Velha de Coimbra se encontram azulejos sevilhanos do princípio do século XVI "em quantidade, encrustados ou guardados" (Correia, 1957). São alguns destes azulejos que o Doutor Vergílio Correia ofereceu ao Museu de Lamego, segundo João Amaral, primeiro director do Museu (Amaral, 1961).
Estes exemplares de azulejos "de lavores" faziam parte de composições destinadas a fazer revestimentos parietais, apresentando esquemas decorativos muçulmanos e motivos fitomórficos de inspiração renascentista.
Foram produzidos segundo a técnica de aresta, que aparece c.1500, substituíndo os azulejos de corda seca.
Este processo realizava-se através da aplicação de moldes, normalmente de madeira, com reentrâncias formando os desenhos, que deixavam sobre a superfície das placas de barro cru, ainda húmido, finas saliências, as "arestas", definindo ligeiras concavidades, "conchas" (azulejos de concha ou "cuencas", as quais impediam a mistura dos vidrados durante a cozedura.
As cores, verde, negra e amarela forma realizadas com zarcão corado com óxido de cobre, de maganês e de ferro; o branco com vidrado estanífero simples e corado com óxido de cobalto para o azul.
Coimbra foi, depois de Lisboa, o mais importante centro de propagação de azulejos quinhentistas em Portugal. Isto ficou a dever-se ao patrocínio do grande Bispo-Conde renascentista D. Jorge de Almeida, que governou a diocese entre 1483 e 1543. Avultavam, pela quantidade e variedade de padrões, os azulejos que revestiam quase totalemnte o interior da Sé velha, pelo menos até finais do século XIX, tendo sido, pouco a pouco arrancados até ficarem reduzidos a um pequeno revestimento junto à pia baptismal e alguns dispersos.
O embelezamento da Sé Velha com azulejos "de labores" fazia parte, das obras renascentistas emprrendidas no templo pelo referido Bispo.
Existe um contrato de Escritura de 31 de Outubro de 1503, entre o mestre entalhador flamengo Olivier de gand, autor do retábulo da capela-mor da Sé Velha e fernan Martínez Quijarro e Pedro Herrera, referindo a dívida a favor destes, de 20 mil maravedis relativos a azulejos, que deviam ser pagos em Buarcos, o porto de mar que servia Coimbra.
A olaria de fernan Martínez Quijarro e de seu filho Pedro Herrera, continuador do ofício de seu pai, foi certamente uma das casas mais famosas de triana.
A fama que alcançou como bom oficial está relacionada com a qualidade técnica que procura introduzir na sua olaria, através de contratos com químicos e especialistas em esmaltes, de início do século XVI, com vista ao aumento de produção exigido pelas encomendas". (Loureiro, 1992)
No Museu Infante Henrique (Faro) guarda-se uma composição de azulejos, de 1987, reproduzindo um revestimento de um pano de uma das paredes da nave lateral esquerda da Sé velha de Coimbra, onde estavam colocados de maneira convencional, usada em Sevilha e no convento da Conceição em Beja. Foram aplicados para formar elementos arquitectónicos. Num rectângulo delimitado por azulejos de cercadura, encontra-se um arco trilobado, formado por uma dupla bordadura. Toda a superfície é revestida de azulejos fabricados segundo a técnica de aresta, uns com motivos muçulmanos, e outros de inspiração renascença. Foram utilizados motivos formados po rum só azulejo, ou por módulo de quatro, ou seja 2x2. (Loureiro, 1991)
Nas colecções dos museus nacionais do Azulejo e Machado de Castro, conservam-se as maiores colecções de azulejos deste tipo, provenientes, também, da Sé velha de Coimbra.
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Incorporação: Oferta: Prof. Doutor Vergílio Correia
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Centro de Fabrico: Sevilha
Bibliografia
- AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
- CORREIA, Vergílio - Azulejos. Coimbra: Livraria Gonçalves, Vol. I, 1956
- Guia de Portugal. Trás-os-Montes e Alto Douro. II- Lamego, Bragança e Miranda, vol. 5. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988
- LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
- LOUREIRO, Fátima - "in" Azulejos. Lisboa: Europália'91, 1991
- LOUREIRO, Fátima - "in" No Tempo das Feitorias, A Arte Portuguesa na Época dos Descobrimentos. Lisboa: MNAA, Vol. I, 1992
- MECO, José - O Azulejo em Portugal, Vol. 15. Lisboa: publicações Alfa, 1989
- SANTOS, Reynaldo dos - O Azulejo em Portugal. Lisboa: 1957
- SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria em Portugal nos Séculos XV e XVI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,, 1969