Painel de azulejos

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 602
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Quijarro, Fernan Martínez e Herrera, Pedro (Oleiro)
  • Datação: 1503
  • Técnica: Aresta
  • Dimensões (cm): Alt. 26 x Larg. 26
  • Descrição: Painel de quatro azulejos com motivo de padrão, num módulo de 2x2 azulejos. Pintura a azul, negro, verde, amarelo e branco. A decoração combina flores e folhas de diferentes espécies imbricadas inscritas no interior de molduras lisas em forma de circunferência unidas entre si ao nível da orla das mesmas.
  • Origem/Historial: Na segunda metade do nosso século, escreveu Vergílio Correia que, na Sé Velha de Coimbra se encontravam azulejos sevilhanos do prinípio do séc.XVI "em quantidade, encrustados ou guardados". São alguns desses azulejos que o Doutor Vergílio Correia ofereceu ao Museu de Lamego, como referiu João Amaral. Estes exemplares de azulejos "de lavores" faziam parte de composições destinadas a fazer revestimentos parietais. Foram produzidos segundo a técnica de aresta, que apareceu c.1500 substituíndo os azulejos de corda seca. Este processo realizava-se através da aplicaçaõ d emoldes, normalmente de madeira, com reentrâncias formando os desenhos, que deixavam sobre a superfície das placas de barro cru, ainda húmido, finas saliências, as "arestas" definindo ligeiras concavidades, "conchas" (azulejos de concha ou "cuencas"), as quais impediam a mistura dos vidrados durante a cozedura. As cores, verde, negro e o amarelo foram realizados com zarcão corado com óxido de cobre, de maganês e de ferro, o branco com vidrado estanífero simples e corado com óxido de cobalto para o azul. "Coimbra foi, depois de Lisboa, o mais importante centro de propagação de azulejos quinhentistas em Portugal. Isto ficou-se a dever ao patrocínio do grande Bispo-Conde renascentista, D. Jorge de Almeida que governou a diocese de 1483 a 1543. Avultavam, pela quantidade e variedade de padrões, os azulejos que revestiam quase totalmente o interior da Sé Velha, pelo menos até finais do século XIX, tendo sido, pouco a opouco arrancados até ficarem reduzidos a um pequeno revestimento junto à pia baptismal e alguns dispersos. O embelezamento da Sé velha com azulejos "de lavores" fazia parte, das obras renascentistas empreendidas no templo pelo referido Bispo. Existe um contrato de Escritura de 31 de Outubro de 1503, entre o Mestre entallador flamengo Olivier de Gand, autor do retábulo da capela-mor da Sé velha e Fernan martínez Quijarro e Pedro de Herrera, referindo a dívida, a favor destes, de 20 mil maravedis relativos a azulejos, que deviam ser pagos em Buarcos, o porto de mar que servia Coimbra. A olaria de fernan Martínez Quijarro e de seu filho Pedro Herrera, continuador do ofício de seu pai, foi certamente uma das casas masi famosas de Triana". F.L. (1991) No Museu Infante Henrique (Faro) guarda-se uma composição de azulejos de 1987, reproduzindo o revestimento de um pano de uma das paredes da nave lateral esquerda da Sé Velha de Coimbra. Aí forma colocados de forma original, aplicada também em Sevilha e no convento da Conceição em Beja. Foram aplicados para formar elementos arquitectónicos. Num rectângulo delimitado por azulejos de ceradura, encontra-se um arco trilobado, formado por uma dupla boradura. Toda a superfície é revestida de azulejos fabricados segundo a técnica de aresta, uns com motivos muçulmanos e outros de inspiraçaõ renascença. Foram utilizados motivos formados por um só azulejo, ou po rmódulo de quatro, ou seja 2x2. Os museus nacionais do Azulejo e Machado de Castro conservam a mais importante colecção de azulejos sevilhanos retirados da referida Sé. O Museu do Azulejo, possuí um painel de azulejos de corda seca(inv. 109) cuja padronagem se aproxima muito destes azulejos do Museu.
  • Incorporação: Oferta: Prof. Doutor Vergílio Correia
  • Centro de Fabrico: Sevilha

Bibliografia

  • AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
  • CORREIA, Vergílio - Azulejos. Coimbra: Livraria Gonçalves, Vol. I, 1956
  • Guia de Portugal. Trás-os-Montes e Alto Douro. II- Lamego, Bragança e Miranda, vol. 5. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988
  • LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
  • LOUREIRO, Fátima - "in" Azulejos. Lisboa: Europália'91, 1991
  • LOUREIRO, Fátima - "in" No Tempo das Feitorias, A Arte Portuguesa na Época dos Descobrimentos. Lisboa: MNAA, Vol. I, 1992
  • MECO, José - O Azulejo em Portugal, Vol. 15. Lisboa: publicações Alfa, 1989
  • PEREIRA, João Castel-Branco - Portuguese Tiles from the National Museum of Azulejo, Lisbon. London: IPM e Scala Books, 1995
  • SANTOS, Reynaldo dos - O Azulejo em Portugal. Lisboa: 1957
  • SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria em Portugal nos Séculos XV e XVI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,, 1969

Multimédia

  • 00602.jpg

    Imagem