Suporte: A portada é composta por uma almofada e uma moldura em madeira que preenchiam o espaço de um vão aberto em alvenaria ou suporte vertical de divisão entre espaços.
Técnica: Madeira a imitar laca oriental de cor vermelha com figuras recortadas e pintadas a dourado e contornos a preto.
Dimensões (cm): Alt. 800 x Larg. 710
Descrição: Trata-se de uma porta ou janela de confessionário, com duas frentes e uma portada, em madeira pintada a imitar laca oriental.
Composição:
Tem três partes: moldura, portada e fragmento de ombreira, articuladas entre si através de dobradiças; a moldura é de forma retangular, quase quadrada, com cantos recuados em forma de ¼ de cana; possuí duas fechaduras colocadas de modo a que só possa ser aberta quando de cada lado existir a respetiva chave.
Este facto está relacionado com a sua proveniência original, o Convento de Jesus das Dominicanas de Aveiro, e com a função de confessionário, fazendo a separação entre clausura e o exterior, estando integrada no vão de parede fronteira entre o Coro-baixo e o exterior, que atualmente corresponde à Capela de Santo Agostinho.
Decoração:
A superfície da madeira encontra-se pintada de vermelho e decoração de motivos florais dispostos de forma avulsa, pintados a dourado e delineados a preto, recortados sobre fundo de cor vermelha a imitar charão (espécie de laca chinesa).
Destacamos no interior da portada dois anjos segurando uma coroa que reporta ao patronato da Coroa Portuguesa; esta composição emoldura a folha metálica, recortada e perfurada, que serve de locutório.
Detalhada:
Peça bidimensional desenhada para preencher um vão de parede ou um suporte vertical de fronteira entre espaço interior e exterior. Peça com dupla face de secção quadrangular e vértices em quarto de círculo, organizada em duas partes: uma parte estrutural, fixa e de maior dimensão que integra ao centro e em plano rebaixado uma placa metálica perfurada e recortada, e, outra parte móvel, quadrangular, unida à primeira por dobradiças colocadas no lado esquerdo e fechadura com espelho em losango no lado oposto. A parte móvel tem, à semelhança da fixa, dobradiças no lado esquerdo da moldura e fechadura com espelho em losango. As faces anterior e posterior de cada uma das partes tem decoração de motivos florais dispostos de forma avulsa, pintados a dourado e recortados sobre fundo de cor vermelha a imitar charão (espécie de laca chinesa).
Descrição atualizada no Catálogo da Talha Dourada editado em 2025 pela CMA e da autoria de MLNolasco
Descrição atualizada:
Confessionário constituído por três partes: moldura, portada e fragmento de ombreira; peças articuladas entre si através de dobradiças; a moldura é de forma retangular, quase quadrada, com cantos recuados e boleados, em forma de ¼ de cana; possuí duas fechaduras colocadas de modo a que só possa ser aberta quando de cada lado existir a respetiva chave. Este requisito está relacionado com a função do confessionário, criando a separação entre a clausura e o exterior. Tem pintura de acharoado de cor carmim sobre a qual foram desenhados a traço preto figuras avulsas de aves, flores em pequenos ramos do tipo campestre (papoulas, botões floridos de pessegueiro, de laranjeira, etc.). A data atribuída (c.1731) deve-se ao tipo de desenho que é inserido no interior da portada com a representação de uma coroa suspensa por par de anjos; este desenho é idêntico ao representado no painel do espaldar do cadeiral do Coro-alto (lado esquerdo) coroando a Virgem Maria. Corre no friso superior do espaldar a seguinte frase: ” Feito na Era de 1731, sendo Prioresa a reverenda M(adr)e Soror Catarina de Jesus Maria” (Domingos Mauricio, 1967. Vol.II/1:22).
Origem/Historial: Sobre o local de origem desta peça podemos avançar com a hipótese desta ter estado colocada na parede Sul da sala do Coro-Baixo; esta empena separa este espaço da Capela de Santo Agostinho e corresponde-lhe na actualidade um vão de passagem da referida Capela para o onterior do Coro-baixo. Ver em detalhe a informação colhida no Catálogo da Talha Dourada publicado em 2025:
Confessionário e parlatório do Coro-baixo, in situ.
Inv. 147/M.
Séc. XVIII. Barroco. c. 1731 (?).
800 x 710 x 55 (mm).
Localização: Coro-baixo, na parede interior na Capela de S. Agostinho contígua ao
Coro-baixo.
Peça em forma de janela com portada amovível, ralo e fecho, referida como sendo um “raro” de confessionário; peça com duas faces e inserida na parede do coro-baixo, destinada apenas para uso do sacerdote. Permitia comunicar com as residentes do mosteiro, ficando o sacerdote da parte exterior (na atual Capela de Santo Agostinho) quase sem ver a penitente. (Quadros, 1904:160). Este confessionário em madeira policromada, com acharoado carmezim e desenhos avulso a dourado, resulta da inspiração oriental, de “chinoiserie”, com motivos florais, aves e ramagens silvestres pintadas a dourado sobre fundo carmim. O confessionário estaria enquadrado numa moldura talhada em pedra (c. 1745) que Rangel de Quadros afirma nos seus Apontamentos Históricos ter sido reaproveitada após o encerramento do convento (c. 1874) e colocada na parede do lado direito, na capela-mor. Esta transferência da moldura em pedra obrigou a deslocar o painel de azulejo representando a entrada da Princesa no Mosteiro (e sobre este um grande cometa) para a parede oposta (à esquerda) junto ao arco cruzeiro; alteração bem visível no “desacerto pictórico” do painel azulejar:
“Em vez desse quadro, formado por azulejos, está hoje uma lápide retangular, enquadrada por uma pedra enfeitada com anjos e outros ornatos e que estivera limitando o raro de um confessionário, que existe numa dependência desta Igreja. Este confessionário está metido na parede do coro-baixo e serve unicamente para as habitantes do mosteiro” (Quadros, 1904:160)
Incorporação: Transferência / Disposição Legal
Centro de Fabrico: Desconhecido
Bibliografia
CARVALHO, Ayres de - D. João V e a Arte do seu Tempo. Lisboa: Ed. do autor, 1962
SANDÃO, Artur de - O Móvel pintado em Portugal. Barcelos: Editora do Minho, 15 de Dezembro 1966
SANTOS, Domingos Maurício Gomes dos - Mosteiro de Jesus de Aveiro. Lisboa: Companhia de diamantes de Ang., 1967
Ferreira, Silvia (2015) Reflexos em vermelho e Ouro: Chinoiserie e Talha ou a construcão de um modelo de renovação artística, Lisboa: Centro Cientifico e Cultural de Macau, 129-142, ISBN 978-972- 8586-44-7
Nolasco, Maria da Luz. 2025. Talha Dourada: As coleções do Museu de Aveiro Santa Joana. Aveiro: Câmara Municipal de Aveiro. ISBN978-989-36424-2-9