Salva de pé baixo

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 5160
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: Autor desconhecido (Ourives)
  • Técnica: Prata cinzelada e dourada
  • Dimensões (cm): Alt. 6 x Diâm. 37,2
  • Descrição: Salva de pé baixo em prata dourada e cinzelada com decoração organizada em círculos concêntricos. O centro alteado representa a luta entre David e Golias, avistando-se ao fundo uma cidade dentro de muralhas. Esta área dedicatória é contornada por uma corda torcida, à qual se seguem dois registos convexos decorados com cartelas ovais e motivos fitomórficos sobre campo puncionado. A transição entre o centro alteado e a faixa decorativa da aba é feita por uma faixa de prata lisa com perlado relevado. Sobre a aba, de profusa decoração cinzelada, representam-se em ciclo contínuo e alternadamente, centauros (figuras com tronco e membros inferiores animais) e homens selvagens, num total de catorze figuras; sobre um fundo coberto por galhos de videira com parras e cachos de uvas. Os centauros, envergam uma túnica, deixando à mostra apenas as patas posteriores e, à excepção de dois, todos usam barrete. Os homens selvagens apresentam o corpo coberto de escamas peludas, sendo a cara, as mãos e os pés humanos. Cinco usam barrete. No sentido dos ponteiros do relógio e de cima para baixo, a disposição das figuras é a seguinte: 1) Centauro olhando para trás (para o selvagem) e agarrando com a mão direita um cacho de uvas. Ao pescoço usa um fio com um pendente losangular. 2) Selvagem agarrando na mão direita um ramo bifurcado. Entre ambos uma raposa (?) suspensa no ar. 3) Centauro segurando na mão direita um escudo oval com a representação de uma cara e, na mão esquerda, uma lança. Ao pescoço usa um fio com uma cruz pendente. É precedido por uma ave (corvo?). 4) Selvagem empunhando uma espada que aponta ao referido centauro. 5) Centauro segurando com a mão esquerda um ramo bifurcado. 6) Selvagem segurando um ramo idêntico na mão esquerda e na direita um pandeiro. Entre as duas figuras, um tronco de videira do qual brotam as ramagens que decoram o fundo desta faixa. 7) Centauro olhando para trás, apontando com a mão direita para uma ave e segurando com a esquerda uma argola de guisos. 8) Selvagem dançando, segurando na mão direita um tronco / uma fita (?) e, na esquerda, um pequeno escudo (?). É ladeado por dois cães, suspensos no ar. 9) Centauro cujo tronco e cabeça são as de um selvagem (com as mesmas escamas peludas) com cabeça / juba de leão (?), abraçando com as patas dianteiras uma cruz semelhante à da Ordem de Santiago. 10) Selvagem usando mitra, segurando na mão direita um cálice e na esquerda um báculo. 11) Centauro com arco e flecha apontado ao alto. Ao pescoço usa um fio com um pendente losangular. 12) Selvagem bebendo de uma cabaça. É ladeado por dois cães / raposas (?) suspensos no ar. 13) Centauro segurando na mão direita um tronco / uma fita (?) e na esquerda um escudo / pandeiro (?) redondo. Ao pescoço usa um fio com um pendente losangular. 14) Selvagem com o mesmo tipo de tronco / fita (?) na mão esquerda e um escudo losangular representando uma máscara. Entre ambos uma figura híbrida com o corpo de cão e cabeça em forma de cogumelo (?) ou um cão com a cabeça dentro de um caldeirão (?). Bordo liso, voltado para cima, com perlado relevado. Pé baixo constituído por anel côncavo em prata dourada lisa.
  • Origem/Historial: Trata-se de uma obra executada muito provavelmente no decorrer da segunda metade do século XIX ao gosto historicista e à maneira do século XVI, num tipo de produção muito apreciada à época, mesmo nos círculos mais eruditos. Terá pertencido à rainha D. Maria Pia (1847-1911) já que de acordo com o registo do arrolamento judicial, realizado após a implantação da República, se encontrava na designada "Casa da arrecadação das pratas de D. Maria Pia" e possuía nessa altura uma etiqueta com o monograma coroado da soberana, como o atesta a descrição: "Prato de prata, com o fundo em alto relevo, tendo cinzelado dois guerreiros um dominando o outro e na parte superior uma muralha e castellos, em volta, e descendo, duas faixas ornamentadas, e, em volta, uma lisa com pontos altos e o bordo com figuras, algumas com metade animaes e [...] de humanas, com differentes attributos nas mãos, e outras, humanas, cobertas de conchas, com um fundo de parras e uvas entremeadas de differentes animaes pequenos, tudo em grande relevo, circundada por uma faixa lisa no bordo, com pontos levantados. No fundo, por fóra, uma etiqueta branca, antiga, com uma corôa sobre o monograma M.P. e outra mais moderna, com um A escripto a lapis. Tem quasi 0,37 de diametero e 0,061 de A." Segundo o mesmo inventário, esta peça pertencia ao "Quarto de S. M. El-Rei D. Luíz" (APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional da Ajuda, vol. 4, fls. 1238v. e 1239). Têm surgido no mercado de arte nos últimos anos muitos outros exemplares de execução tardia semelhantes a este os quais poderão, eventualmente, ter a mesma proveniência da peça que deu entrada nas coleções da Coroa. O Museu Nacional Soares dos Reis conserva no seu acervo uma salva de temática muito semelhante à do PNA, ostentando também no medalhão central, com ligeiras diferenças de pormenor, a luta entre David e Golias e ao fundo uma cidade amuralhada (MNSR, inv. 179).
  • Incorporação: Casa Real
  • Centro de Fabrico: Portugal

Bibliografia

  • ANDRADE, Maria do Carmo Rebello de - Iconografia Narrativa na Ourivesaria Manuelina: as Salvas Historiadas, Dissertação de Mestrado em História da Arte, FCSH, UNL: Out. 1997
  • APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional da Ajuda, vol. 4, 1911
  • CAETANO, Joaquim Oliveira - Função, Decoração e Iconografia das Salvas, in Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. A Colecção de Ourivesaria. 1º Vol.: do românico ao manuelino. Lisboa: IPM, 1995
  • COUTO, João; GONÇALVES, A. Manuel - Ourivesaria em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1960
  • Important Silver and Gold. New York: Sotheby's, 19 October 1994
  • REIS, Mário Bairrão - Ourivesaria Civil Indo-Portuguesa. As salvas de D. João de Castro (ensaio de uma compreensão). Lisboa: 1977
  • SANTOS, Reynaldo dos; QUILHÓ, Irene - Ourivesaria Portuguesa nas Colecções Particulares. Lisboa: Neogravura Lda., 1974
  • ANDRADE, Maria do Carmo Rebello de - A Ourivesaria de aparato e as artes da imprensa ao tempo do rei D. Manuel I. Uma abordagem. Actas do I Colóquio Português de Ourivesaria. Porto: Círculo Dr. José de Figueiredo / Fundação Eng.º António de Almeida, 1999
  • XAVIER, Hugo - O Museu de Antiguidades da Ajuda: Numismática e Ourivesaria das colecções reais ao tempo de D. Luís. Revista Museus e Investigação, n.º 8. Lisboa: Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2011
  • JARDIM, Maria do Rosário; MONTEIRO, Inês Líbano - A Prata do solene aparato da Coroa portuguesa a partir da segunda metade do século XVIII. Identificação de um conjunto de 23 obras dos sécs. XVI a XVIII. Revista de Artes Decorativas, n.º 4. Porto: CITAR / UCP, 2010
  • ANDRADE, Maria do Carmo Rebello de - Artes da Mesa e Cerimoniais Régios na Corte do século XVI. Uma viagem através de obras de arte da ourivesaria nacional. A Mesa dos Reis de Portugal (coord. Ana Isabel Buscu e David Felismino). Lisboa: Círculo de Leitores, 2011
  • SILVA, Nuno Vassallo e - Ourivesaria Portuguesa de Aparato, séculos XV e XVI. Lisboa: Scribe, 2012

Exposições

  • Tesouros Reais

    • Palácio Nacional da Ajuda - Museu
    • 15/7/1991 a 15/10/1992
    • Exposição Física
  • Catálogo das Jóias e Pratas da Coroa

    • Palácio Nacional da Ajuda
    • Exposição Física

Multimédia

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