Suporte: Toda a peça assenta numa estrutura (esqueleto) em ferro
Técnica: Bronze dourado fundido, moldado e cinzelado; pedras duras laminadas e embutidas
Dimensões (cm): Alt. 95 x Larg. 178,5 x Prof. 92,8
Descrição: Credência com estrutura em bronze dourado e tampo com um elaborado trabalho em pedras duras, conhecido por "pintura de pedra". Representa uma paisagem arquitectónica com ruínas clássicas e figuras com trajes do século XVIII; a cena é contornada por uma moldura decorada com os símbolos de várias artes e ofícios: arquitectura, literatura, música e agricultura. Ao centro da composição um obelísco com hieroglifos incisos, partido ao meio, estando a parte superior caída sobre terra, à direita do pedestal; à esquerda, encostados à coluna, dois jovens jogam com bolas que se vêem caidas no chão (jogo da petanca?). Do lado esquerdo da imagem um grupo de três jovens, de costas, conversam, estando dois deles - um casal -, sentados no chão.
Tampo de forma irregular, ondulado, recortado e envolvido por moldura em bronze, assente sobre quatro pernas. Aba do tampo com profusa decoração rocaille, em torno de três reservas principais: uma no avental, à frente, com monograma CT, em bronze, assente sobre mármore rosado; outra na ilharga esquerda - uma Torre, em bronze, assente sobre mámore vermelho com laivos mais escuros; a última, na ilharga direita - um Leão de pé, em bronze, assente sobre mármore vermelho com laivos mais escuros. Estas três reservas são em forma de escudos fantasiados, envolvidos por concheados, volutas e folhas: elementos decorativos dispostos de modo assimétrico. A reserva central é sobreposta por um grande mascarão. Toda a aba é cintada por uma faixa de lápis-lazúli, envolvida/disposta sob o modulado em bronze.
As quatro pernas são em forma de cariátide, de face voltada para o centro; o meio da perna é interceptado por uma reserva oval, com cabochon em pedra rosada. Os pés são em forma de garra.
Origem/Historial: Devido aos estudos de A. Gonzalez-Palacios, sabe-se hoje que esta peça, que integra um conjunto de 8 produzidas pelo mesmo Laboratório (as outras 7 encontram-se no Museu do Prado), foi executada para a Casa Real espanhola, no Laboratório de Pedras Duras e Mosaico, fundado por Carlos III, na 2ª metade do século XVIII, em Buen Retiro, Madrid.
A. G. Palacios considera o tampo de uma das mesas do Prado, como par do da Ajuda.
A sua vinda para Portugal não está documentada; o mais provável é que se trate de uma oferta de Carlos III a sua neta, a princesa D. Carlota Joaquina, quando da sua vinda para Portugal, em 1785, para casar com o príncipe real D. João.
A mesa da Ajuda é a única que não aparece no inventário feito por morte de Carlos III, em 1788, todas as outras são referidas; facto que corrobora a hipótese da peça à data já ter vindo para Portugal.
Incorporação: Casa Real
Centro de Fabrico: Buen Retiro, Madrid
Bibliografia
GIUSTI, Annamaria - La Marqueterie de Pierres Dures. Paris: Citadelles & Mazenod, 2005
GONZÁLEZ-PALACIOS, Alvar - Las Colecciones Reales Espanolas de Mosaicos y Piedras Duras. Madrid: Museu Nacional del Prado, 2001
GONZÁLEZ-PALACIOS, Alvar - Mosaici e Pietre Dure. Milano: 1981
ROSSI, Ferdinando - La Pittura di Pietra. Torino: Giunti Martello, 1984
Splendori di Pietre Dure. Firenze: Palazzo Pitti, 1988
Exposições
Tesouros Reais
Palácio Nacional da Ajuda - Museu
15/7/1991 a 15/10/1992
Exposição Física
Las Colecciones Reales Espanolas de Mosaicos y Piedras Duras