Salva de pé baixo

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 5166
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: Autor desconhecido (Ourives)
  • Datação: 1501/1550
  • Técnica: Prata dourada, cinzelada, recortada e vazada
  • Dimensões (cm): Alt. 7,5 x Diâm. 31,5
  • Descrição: Salva de pé baixo em prata dourada, cinzelada, recortada e vazada, com decoração organizada em círculos concêntricos. Centro alteado e sobrelevado em relação à aba horizontal. Bordo levantado. O centro alteado, forma uma secção de cone, sendo o seu vértice, inexistente, substituído por uma plataforma circular onde figura o brasão de armas dos Sousa do Prado, de aplicação posterior (e amovível): escudo esquartelado com cinco escudetes postos em cruz no 1º e no 4º; leão rompante no 2º e 3º, sendo encimado por uma coroa de marquês. No século XVIII os senhores da Casa dos Sousa do Prado foram elevados a Condes do Prado e Marqueses das Minas. Este medalhão central sobrelevado, assenta sobre uma moldura de motivos trifoliados recortados. Em plano ligeiramente inferior é circundado por feixe de folhagem cinzelada. Ambas as faixas decorativas apresentam episódios do Antigo Testamento (à excepção de um contido na primeira), separados por colunas. Na primeira faixa dispõem-se cinco episódios intercalados por colunas torneadas, sendo da esquerda para a direita e de cima para baixo, os seguintes (vd. Andrade, 1997): 1) Uma mulher montando sobre as costas de um homem de gatas, segurando nas rédeas que envolvem a cabeça deste. Trata-se da história de Fílis (ou Campaspe) e Aristóteles. Fílis terá ouvido as advertências de Aristóteles a Alexandre sobre a malícia feminina, pelo que decide vingar-se através de uma manobra ardilosa. Seduz Aristóteles e obriga-o a dar provas do seu amor deixando-a cavalgar às suas costas. Tudo foi planeado de maneira a que Alexandre estivesse a ssistir, muito embora neste caso, o mesmo não tenha sido representado (este é o único episódio aqui figurado que não faz parte do Antigo Testamento). 2) Episódio em que se representa ao centro, uma mulher sentada, de saia levantada e pernas descobertas. Um homem ajoelhado aos seus pés, segura um pau na mão direita. Assistem a esta cena três outros homens, um dos quais segura os braços da mulher. Poderá tratar-se da representação de uma imagem bíblica sobre o adultério ou do episódio da Papisa Joana tendo um filho. 3) Duas raparigas cobrem um velho adormecido e sem roupa. Trata-se provavelmente de uma representação de Lot e suas filhas. Lot, um homem já velho, habitava uma caverna com as duas filhas. Não havendo na região homens com quem estas pudessem casar, planearam a embriaguês do próprio pai para com ele se deitarem e conceberem (Gn. 19, 30-36). 4) Dois guerreiros de armadura e lança observam uma mulher que mexe nos cabelos de um homem adormecido e cuja cabeça repousa no seu colo. Trata-se do episódio de Sansão e Dalila, em que esta sabendo que o segredo da sua força reside nos longos cabelos, se prepara para lhos cortar. 5) Representação do Sacrifício de Isaac: "Chegados ao sítio que Deus indicara, Abraão levantou um altar, dispôs a lenha, atou Isaac, seu filho, e colocou-o sobre o altar por cima da lenha. Depois, estendendo a mão, agarrou no cutelo para degolar o filho [...]". Foi então que uma voz de anjo vinda do céu - aqui figurado à direita - impediu Abraão de prosseguir. Em substituição do filho é oferecido a Abraão para o holocausto um carneiro, aqui representado ao lado de Abraão (Gn. 22, 1-13). Esta primeira faixa é delimitada por uma moldura de folhagem seguida de um sulco liso. A segunda faixa decorativa apresenta seis episódios intercalados por colunas clássicas decoradas com motivos florais. Da esquerda para a direira e de cima para baixo, os episódios são os seguintes: 1) Chegada da rainha do Sabá a Jerusalém para visita ao rei Salomão. Do lado direito vê-se a rainha a chegar acompanhada por duas mulheres e, do outro lado de um rio, o rei Salomão, ostentando sobre a cabeça a coroa e na mão direita o ceptro, fazendo-se acompanhar pelo seu séquito. 2) A rainha do Sabá ajoelhada perante o rei Salomão oferece-lhe aromas, entre outras riquezas que truxe para este rei como ouro e pedras preciosas. O rei Salomão está sentado segurando na mão esquerda o ceptro. Assistem a esta cena várias personagens. 3) Um homem alvejado com três setas no peito é levado à presença de um rei oriental, sentado num trono com dossel. Trata-se do apisódio da captura e morte de Absalão pelos homens de David. 4) Nesta cena representa-se um grupo de figuras orientais que se aproximam de uma criança sentada à beira de um riacho, num bosque. No centro da representação figura uma fonte em forma de concha e com cabeças de golfinhos das quais sai a água. A simbologia da fonte remete habitualmente para a passagem do Cântico de Salomão (Can. 4,12) ou para a "fonte da vida" descrita no Livro de Salomão (36, 10). 5) Ao centro está representado o rei Salomão, sentado no trono, ostentando a coroa sobre a cabeça e o ceptro na mão esquerda. Aos seus pés duas crianças brincam com uma fogueira (?). Várias personagens femininas e masculinas assistem à cena. Uma das mulheres junto ao rei Salomão, transporta uma taça na mão direita. 6) Este episódio representa a Justiça do rei Salomão. Observa-se, do lado esquerdo, Salomão sentado no seu trono com dossel. Salomão demonstra a sua sabedoria divina ao fazer justiça à disputa entre duas mulheres, ambas reclamando uma criança como sendo sua. Ambas apelam ao julgamento do rei e, para descobrir a verdade, este ordena que um dos seus soldados, munido de uma espada, parta a criança ao meio e dê uma metade a cada uma das mulheres. Uma delas renuncia à criança para que ela sobreviva e a outra concorda com a partilha. Salomão ordena então que a criança não seja morta e que seja entregue à primeira mulher, a sua mãe, de facto. Esta segunda faixa decorativa é rematada, tal como a primeira, por uma moldura de folhagem. Bordo liso levantado. O pé é decorado com uma faixa de quadrifólios transfurados e rematado por moldura de meia cana com folhagem cinzelada.
  • Origem/Historial: Em 1910 decorava os aposentos do rei D. Manuel II no Palácio das Necessidades, ocasião em que foi arrolada sob a verba "1090" ("Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades", vol. 1, 1910-1912). Em 1931 foi transferida para o Palácio Nacional da Ajuda. Integra o vasto conjunto de prata de aparato proveniente dos bens da Casa Real portuguesa.
  • Incorporação: Casa Real
  • Centro de Fabrico: Portugal

Bibliografia

  • ANDRADE, Maria do Carmo Rebello de - Iconografia Narrativa na Ourivesaria Manuelina: as Salvas Historiadas, Dissertação de Mestrado em História da Arte, FCSH, UNL: Out. 1997
  • APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades, vol. 1, 1910-1912
  • CAETANO, Joaquim Oliveira - Função, Decoração e Iconografia das Salvas, in Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. A Colecção de Ourivesaria. 1º Vol.: do românico ao manuelino. Lisboa: IPM, 1995
  • FERGUSON, George - Signs & Symbols in Christian Art. New York: Oxford University Press, 1961
  • XAVIER, Hugo - O Museu de Antiguidades da Ajuda: Numismática e Ourivesaria das colecções reais ao tempo de D. Luís. Revista Museus e Investigação, n.º 8. Lisboa: Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2011
  • JARDIM, Maria do Rosário; MONTEIRO, Inês Líbano - A Prata do solene aparato da Coroa portuguesa a partir da segunda metade do século XVIII. Identificação de um conjunto de 23 obras dos sécs. XVI a XVIII. Revista de Artes Decorativas, n.º 4. Porto: CITAR / UCP, 2010
  • ANDRADE, Maria do Carmo Rebello de - Artes da Mesa e Cerimoniais Régios na Corte do século XVI. Uma viagem através de obras de arte da ourivesaria nacional. A Mesa dos Reis de Portugal (coord. Ana Isabel Buscu e David Felismino). Lisboa: Círculo de Leitores, 2011
  • SILVA, Nuno Vassallo e - Ourivesaria Portuguesa de Aparato, séculos XV e XVI. Lisboa: Scribe, 2012
  • XAVIER, Hugo - "Propriedade Minha": ourivesaria, marfins e esmaltes da coleção de D. Fernando II, Coleções Em Foco, Palácios Nacionais, Sintra, Queluz, Pena, n.º 4, PSML, 2022. Disponível online em www.parquesdesintra.pt
  • XAVIER, Hugo - "Entre pai e filho: As coleções de ourivesaria de D. Fernando II e de D. Luís I". in RIBEIRO, José Alberto (coord.). Catálogo do Museu Tesouro Real do Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: Imprensa Nacional, 2023

Exposições

  • Tesouros Reais

    • Palácio Nacional da Ajuda - Museu
    • 15/7/1991 a 15/10/1992
    • Exposição Física
  • Exposição de Ourivesaria Portuguesa e Francesa

    • Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, Lisboa
    • Exposição Física
  • Les Trésors de l'Orfèvrerie du Portugal

    • Musée des Arts Décoratifs, Paris
    • Exposição Física
  • Catálogo das Jóias e Pratas da Coroa

    • Palácio Nacional da Ajuda
    • Exposição Física
  • XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura. Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento

    • Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
    • Exposição Física
  • Catálogo Illustrado da Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola

    • Palácio Alvor, Lisboa
    • Exposição Física
  • Exhibition of Portuguese Art, 800-1800

    • Royal Academy of Arts; London
    • 29/10/1955 a 19/2/1956
    • Exposição Física
  • Documentos e Obras de Arte relativos à História de Lisboa

    • Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
    • Exposição Física
  • Museu Tesouro Real

    • Palácio Nacional da Ajuda
    • Exposição Física

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