Báculo

  • Museu: Palácio Nacional de Mafra
  • Nº de Inventário: PNM 243
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Escultura
  • Autor: João Frederico Ludovice (Ourives)
  • Datação: 1730
  • Técnica: Escultura em madeira dourada a ouro
  • Dimensões (cm): Alt. 187 x Larg. 13
  • Descrição: Báculo em talha dourada com vara de secção circular. Crossa em forma de voluta terminando com enrolamento de motivo floral, sendo modelada pela decoração vegetalistas. No arranque da crossa, acima do nó, representa-se a mitra tripartida do patriarca de Lisboa, imitando a tiara papal, ladeada por um ramo de carvalho e de palma. Nó de folhas de acanto termina em friso perlado. Vara de nervuras em meia cana formado por cinco segmentos em madeira que se encaixam, sendo unidos por anéis, em talha, moldurados com torçal de motivos florais. É rematada por pirâmide triangular invertida, também decorada com motivos florais.
  • Origem/Historial: Insígnia episcopal utilizada na cerimónia de sagração da basílica do Palácio de Mafra e da respetiva capela-mor, realizada a 22 de outubro de 1730 com a presença de D. Tomás de Almeida, primeiro Patriarca de Lisboa e capelão real, e de outros bispo e clero. Na obra de Frei João de São José do Prado é referido o uso de báculos nas cerimónias de sagração da basílica. No subcapítulo "Câmera dos paramentos", refere-se os paramentos pontificais usados, incluindo "o baculo de páo dourado para servir na função sómente, e não na Missa" (p.32), o mesmo báculo foi usado em várias funções na "Soleníssima Sagração da Igreja", entre as quais no ritual de exorcismo do sal e no da água: "O Illustrissimo, e Reverendissimo Patriarca cantando o último verso da Ladainha, se levantou, e todos os mais; recebeo o Báculo na mão esquerda, e disse o verso Adjutorium nostrum com o exorcismo do sal, e depondo o Báculo, e Mitra, continuou o verso Domine exaudi, e a oração Immensam; no fim da bênção, pondo a Mitra, e pegando no Báculo, disse o exorcismo da água, depois do qual, deposto o Báculo, e Mitra, disse o verso, e oração da bênção..." (p. 41); foi também usado na cerimónia de bênção da porta da basílica "Depois continuou dizendo com todo o Clero "Aperite" três vezes, e logo com o Báculo na mão, como assima se diz, pegando-lhe com a direita pela parte inferior, e a esquerda pela superior, fez huma cruz no limiar da porta na pedra: mo mesmo tempo o Diácono ajudado do Mestre de Cerimónias, e Acólyto abrio as portas" (p.45). Na sequência da cerimónia, o báculo esteve também presente na bênção do altar-mor e no ritual da redação do alfabeto grego e latino (p.50-51) e novamente do exorcismo do sal, da água e da cinza (p.52). O cortejo, depois de sagrado o altar, seguiu em direção da porta principal da basílica: "O Illustríssimo, e Reverendíssimo Patriarca recebeo o Báculo, e voltou com a ponta para sima, e o segurou com a mão esquerda por baixo da direita, e fez com ele uma cruz na parte superior da porta, e outra na parte inferior pela juntura della; e voltando o Báculo, o entregou ao ministro delle" (p.53).
  • Incorporação: Proveniente da Real Basílica de Mafra. Fundo antigo do Palácio de Mafra.

Bibliografia

  • (Autos de Supressão do) Convento de Santa Maria da Ordem de S. Francisco da Provincia de Santa Maria da Arrabida em Mafra (nº 246 dos Conventos Suprimidos): 1834
  • "Cristo Fonte de Esperança", Grande Jubileu do Ano 2000. Catálogo de exposição. Porto: Diocese do Porto, 2000
  • PRADO, Frei João de S. Joseph do - Monumento Sacro da Fabrica, e Solemnissima Sagração da Santa Basilica do Real Convento de Mafra. Lisboa: Officina de Miguel Rodrigues, 1751

Multimédia

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