Ânfora de tipo Lusitana 3

  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Nº de Inventário: 997.4.4
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Datação: Século 2/3
  • Dimensões (cm): Alt. 51,5 x Diâm. 29,5
  • Descrição: Ânfora do tipo Lusitana 3 ou Almagro 51 C variante A. O exemplar encontra-se inteiro e caracteriza-se pelo seu corpo ovóide ou piriforme com um fundo em anel. O bordo é em fita, abaixo do qual partem duas asas curtas e e estreitas que assentam um pouco acima do ombro. O gargalo é muito estreito e estrangulado associado aos contentores análogos de transporte de vinho. Este tipo inspira-se numa produção gaulesa (Gauloise 4) e foi produzida sobretudo nas olarias do Baixo Sado e Tejo. (Segundo João Almeida).
  • Origem/Historial: As ruinas de Tróia são conhecidas desde o século XVI, época em que Gaspar Barreiros e André de Resende as indicam, erradamente, como sendo as da cidade romana de Cetóbriga (actual Setúbal). Ignora-se o nome antigo deste lugar. André de Resende escritor quinhetista, humanista e, como lhe chamou Leite de Vasconcelos "o pai da arqueologia portuguesa" ali realizou pesquisas. A designação "Tróia" encontra-se registada em documentos datados do século XVI. Ao longo dos séculos XVII e XVIII são levadas estátuas, colunas, inscrições e outros vestígios desta estação. No séc. XVIII, organizada pela Infanta D. Maria, futura D. Maria I, realiza-se importante escavação. No século XIX, com o intuito de escavar Tróia, surge em Setúbal a primeira sociedade arqueológica do país, a "Sociedade Arqueológica Lusitana". Desenvolve trabalhos entre 1850 e 1856. Cresce, e atrai, gradualmente, novos membros. Entre as figuras convidadas pela "Sociedade" a visitarem Tróia, encontram-se o Duque de Palmela e o próprio D. Fernando II, mais tarde seu protector. Nos finais do século XIX, inícios do século XX, são publicados os primeiros estudos sobre as ruínas de Tróia. Destacam-se os trabalhos de José Leite de Vasconcelos e Inácio Marques da Costa. As primeiras escavações arqueológicas metódicas iníciam-se 1947 e 1948 dirigidas por Manuel Heleno, professor na Faculdade de Letras de Lisboa e 2º director do Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos até 1967 (hoje, Museu Nacional de Arqueologia). Colaboram nestas escavações Fernando Bandeira Ferreira nas décadas de 40 e 50, e, Manuel Farinha dos Santos e D. Fernando de Almeida na década de 60. Este último, sucede a Manuel Heleno na direcão do Museu, e das escavações de Tróia até 1976. Centra os seus trabalhos no núcleo religioso, pondo a descoberto o complexo do templo paleocristão, as oficinas de salga que o circundam, assim como, a necrópole das sepulturas de mesa e parte da oficina de salga a sudeste desta. Estas escavações, não obstante algumas paragens, continuam até 1973. António Cavaleiro Paixão, colaborador de D. Fernando de Almeida foi o técnico responsável de 1976 a 2004. Este período, caracteriza-se por trabalhos de escavação menores e levantamento topográfico de toda a estação, destacando-se ainda, a realização de alguns trabalhos de conservação e restauro. Na década de 90 do século XX publicam-se dois importantes estudos interpretativos das ruínas de Tróia. O primeiro, da autoria de Robert Étienne, Yasmine Makaroun e Françoise Mayet, intitulado Un grand complexe industriel à Tróia (Portugal) (1994). Foca a importância do sítio enquanto produtor de salgas de peixe. O segundo, inserido na obra de Justino Maciel, Antiguidade tardia e paleocristianismo em Portugal, debruça-se sobre o núcleo religioso da basílica paleocristã. Em 2005, ao abrigo do protocolo celebrado com o IPPAR e o IPA (IGESPAR), com o intuito da salvaguarda, recuperação, restauro e a valorização das Ruínas, é criada uma equipa de Arqueologia responsável por este sítio arqueológico. Após a descoberta de alguns fornos, compreendeu-se também, que recipientes cerâmicos e louças de cozinha eram fabricados em oficinas localizadas na margem direita do rio. O abundante espólio recolhido ao longo das sucessivas campanhas de escavação permite situar no séc. I d.C. o início da ocupação, que se estende até aos sécs. V/VI d. C. Fontes: Adília Alarcão, in "Portugal das Origens à Época Romana, MNA, 1989. Site: (www.troiaresort.net).
  • Incorporação: Escavação do museu
  • Centro de Fabrico: Lusitânia, Vales do Tejo e do Sado

Bibliografia

  • DIOGO, A.M.D. (1987). «Quadro tipológico das ânforas de fabrico lusitano» O Arqueólogo Português. Série IV, vol.5. Lisboa
  • FABIÃO, C. (1998):«O vinho na Lusitânia: reflexões em torno de um problema arqueológico».Revista Portuguesa de arqueologia , p. 169-198
  • José Carlos Quaresma, Jorge Manuel Cordeiro Raposo, «Lusitana 3 (Lusitania occidental)»,Amphorae ex Hispania. Paisajes de producción y de consumo (http://amphorae.icac.cat/tipol/view/22),enero 16, 2014
  • CARVALHO, A.; ALVAREZ-MARTINEZ, J.M.; FABIÃO, C. (2015) - Catálogo da exposição Lusitânia Romana - Origem de dois Povos. Lisboa. INCM - MNA

Exposições

  • Lusitania Romana - Origen de dos Pueblos. Origem de dois Povos

    • Museo Nacional de Arte Romano. Mérida
    • 23/3/2015 a 30/9/2015
    • Exposição Física
  • LUSITÂNIA ROMANA. ORIGEM DE DOIS POVOS / LUSITANIA ROMANA. ORIGEN DE DOS PUEBLOS

    • Museu Nacional de Arqueologia. Lisboa
    • 25/1/2016 a 12/6/2016
    • Exposição Física
  • Lusitania Romana - Origen de dos Pueblos. Origem de dois Povos. Madrid

    • Museo Arqueológico Nacional. Madrid
    • 1/7/2016 a 16/10/2016
    • Exposição Física
  • LUSITÂNIA ROMANA. ORIGEM DE DOIS POVOS / LUSITANIA ROMANA. ORIGEN DE DOS PUEBLOS

    • Exposição Online

Multimédia

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