Alzira

  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Nº de Inventário: 2587
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Escultura
  • Autor: Semke, Hein (Hamburgo, Alemanha, 1899 - Lisboa, 1995) (Artista Plástico)
  • Datação: 1938
  • Técnica: Gesso originalmente patinado com goma laca e pigmento natural (pintado aquando do restauro).
  • Dimensões (cm): Alt. 62,2 x Larg. 42,2 x Prof. 27,
  • Descrição: Busto de jovem africana seccionado pela cintura, c/ os braços em secção curta, cabeça frontal, expressão impávida, cabelos seccionados pela base da nuca e ornamentados c/ tiara, pescoço marcado pela gola do vestido, c/ colar grosso c/ nó e pontas arredondadas. Grandes argolas nas orelhas, que desapareceram na fundição mas ficaram no bronze, embora em rígida posição vertical diversa da ligeiramente oblíqua, emoldurando o rosto, visível nas fotos do gesso, de 1938. A cabeça monumentaliza-se pela redução excessiva do tronco, deliberadamente pequeno, e pelo volume sintético do cabelo e do rosto, concentrado no desenho muito gráfico dos olhos, do nariz e da boca.
  • Origem/Historial: Em 1941 a precária situação económica que lhe foi criada pelas medidas de protecção aos escultores nacionais obrigou Hein Semke a deixar o atelier que desde 1937 alugara na Av. 24 de Julho. O artista levou então as obras que aí se encontravam (o Grande Altar, que não pôde sair inteiro, foi cortado em duas partes) para a residência de Linda-a-Pastora e para uma casa contígua que entretanto comprara e onde fizera um pequeno atelier. Em fins de Julho de 1949, com a separação de Martha Ziegler e seu regresso à Alemanha, veio viver para um quarto em Lisboa. A venda das duas casas pela irmã da Martl obrigou-o a retirar a maior parte dos trabalhos que aí tinha. Aproveitando a oferta providencial do Dr. Manuel Menezes e Vasconcelos o escultor transportou-os mais uma vez (os fixados às paredes e outros, que já não couberam na camioneta, ficaram e acabaram destruídos pelos novos moradores (cf. E289/33-7)), agora para a Quinta da Nogueira, em Pêro Negro, propriedade do amigo e do irmão, Eng. António Vasconcelos, e ainda de uma meia irmã de ambos. A senhora, que lá morava, incomodada com a nudez de algumas figuras, mandou armazenar os trabalhos na cocheira onde ficaram amontoadas até à sua morte, em princípios dos anos 80 (o Tema Actual, de 1937, tombado de face no chão, ficou com os dedos do cego partidos). O Eng. António Vasconcelos começou então a restaurar na medida do possível as esculturas de Semke, algumas das quais irremediavelmente estragadas e perdidas, como a base do Grande Altar (de que só resta a parte superior), a Ressurreição, o Abismo, a metade inferior de E37/32-3 etc., e transferiu-as para o lagar setecentista que a pouco e pouco transformou num pequeno museu; simultaneamente tentou sem êxito interessar a Câmara Municipal de Torres Vedras e outras instituições na criação de um centro cultural ou de uma fundação Hein Semke, com sede na Quinta da Nogueira. Hoje a quinta é propriedade de António Vasconcelos, filho de Manuel Vasconcelos. // E309/38-6 foi um dos trabalhos transportados para a Quinta da Nogueira, de onde em 1972 saiu para figurar na exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, tendo depois ficado no atelier do artista que, em 1973, a partir dele mandou fazer a versão em bronze E2/38-7 na Fundição de Bronzes de Arte de Bernardino Inácio Leite (Pai), Gulpilhares, V. N. de Gaia, de onde o gesso, alegadamente deteriorado e irrecuperável, não regressou. A fundição fechou após 1974 e em 1996, quando mandei passar a bronze algumas obras de Hein Semke na entretanto reaberta fundição agora pertencente ao filho, Sr. Carlos Leite, este surpreendeu-me devolvendo-me o gesso que reencontrara no armazém e reconhecera como sendo do escultor (eventualmente outros originais dos bronzes fundidos em 1973-74, que o Sr. Bernardino disse irrecuperavelmente deteriorados, terão ficado no armazém e talvez ainda lá haja mais alguns). Quanto ao busto, trata-se do retrato de Alzira Lopes, uma jovem mulata de Moçambique julgo que filha ilegítima do jornalista Carlos Parreira (cf. E41/38-4 para o retrato de outra filha do jornalista). Concebida para talhe directo em madeira, versão nunca concretizada, a figura apresentava inicialmente um cinto largo com fivela, visível nas fotos de 1938 mas já inexistente nas de 1941, cortado pelo artista para enfatizar a sugestão de que o busto se elevava e expandia a partir de uma cintura-tronco de árvore. No catálogo da exposição de 1941 o escultor indica o trabalho como sendo de 1938. O título Filha de Angola que dá ao bronze na exposição de 1983 (retomado nas de 1997) embora legítimo é inexacto pois, como apontou no verso de uma foto de 1938, o modelo era uma mulata de Moçambique. (Cf. também EF409/30-1; E2/38-7.)

Bibliografia

  • Hein Semke, O Livro da Árvore, Lisboa, Acarte/Fundação Calouste Gulbenkian, Junho 1995 (Foto num panorama do atelier). (Cf. também E2/38-7.)
  • Almeida, Rui Manuel; Pina, Susana (coord.); Cruzeiro Seixas: sou um tipo que faz coisas; Lisboa: Museu da Presidência da República, 2015

Exposições

  • II Salão de Arte Moderna

    • SNBA
    • Exposição Física
  • Exposição de Hein Semke. Trabalhos em Portugal 1932 - 1941

    • Atelier do artista da Avenida 24 de Julho, 96-F Lisboa
    • Exposição Física
  • Hein Semke - 40 anos de Actividade em Portugal

    • G.E.T. da Fundação Calouste Gulbenkian
    • Exposição Física
  • Cruzeiro Seixas: Sou um tipo que faz coisas

    • Museu da Presidência da República
    • 3/12/2015 a 3/4/2016
    • Exposição Física

Multimédia

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