Estátua feminina de orante

  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Nº de Inventário: 994.9.5
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Escultura
  • Datação: Século 1
  • Dimensões (cm): Alt. 188,8 x Larg. 86 x Esp. 55,5
  • Descrição: Estátua de personagem feminina vestida de longa túnica talar ("stola"), pregueada, presa por duas fíbulas aos ombros ("chiton") caindo em todo o comprimento junto aos pés, e uma capa ("palla") que envolve o ombro e braço direitos cruzando a cintura por baixo do braço do mesmo lado. Apoia o corpo sobre o pé esquerdo flectindo ligeiramente o joelho direito. Decapitada e jarretada, tem os dois braços partidos pelos cotovelos, aparentemente estariam dobrados à altura do colo e em atitude de ofertante. Apresenta mutilações e escaras em toda a superfície, nomeadamente no manto. (Segundo ficha do Catálogo de escultura Romana do MNA, da autoria de José Luis de Matos). Este tipo de peça corresponde às denominadas estátuas orantes que seguem modelos da época baixa clássica e helenística - destacando-se a estátua de Artemísia do Mausoléo de Halicarnasso - e que surgem reinterpretadas na época imperial para representar personagens públicas importantes, ou imperatrizes como Lívia. Constitui uma obra de indubitável feitura local, não só pela qualidade medíocre da sua execução, mas também na sua própria concepção. O seu labor superficial reflecte um tratamento agressivo do mármore, em que as pregas são duras e rígidas e realizadas de maneira mecânica e sem manter nenhuma correspondência com a estrutura corporal que supostamente cobre. As formas do corpo surgem insinuadas de forma esquemática por baixo das pregas da vestimenta. Esta anulação da anatomia da personagem em favor da representação dos panejamentos está patente no peito e nas pernas, e sobretudo na cintura e ancas. Esta circunstância traduz-se na inexistência de transição entre as metade superior e inferior do corpo e na forma rectangular e estática que adquire a estatuária. Esta peça faria, provavelmente, parte integrante de um programa iconográfico estatuário juntamente com as restantes de que falam André de Resende e Amador Arrais no século XVI (ver Origem/Historial). Este tipo de escultura de vulto inteiro presta, muitas vezes, alguma dependência em relação à arquitectura, estando prevista a sua colocação para um nicho, ficando por isso com uma parede pelas costas, deste modo o acabamento da parte de trás da escultura surge desprezado ou pouco cuidado como é o caso desta peça.
  • Origem/Historial: *Forma de Protecção: classificação; Nível de Classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei nº 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; nº 19/2006; 18/07/2006* Desde a sua descoberta até ao presente, o percurso desta estátua é longo. Encontrada em Mértola no século XVI deve fazer parte das oito ou dez estátuas a que se refere André de Resende nos seus escritos (" Antiquitatum Lusitaniae et de Municipio Eborensi, De Myrtili ") ou das cinco ou seis mencionadas por Amador Arrais ("Diálogos") e que, descoberta em Mértola em vida daqueles dois escritores (século XVI) foi trazida para a Quinta da Amoreira da Torre, perto de Montemor-o-Novo no século XVII, onde permaneceu até aos finais do século XIX quando foi redescoberta por Gabriel Pereira. Deu entrada no Museu Nacional de Arqueologia, no ano de 1902, oferta do Visconde da Amoreira da Torre de Montemor-o-Novo. No Diário do Governo nº 52, de 6 de Março de 1902, foi publicado um Louvor do Ministro das Obras Públicas, Comércio e Industrias ao Sr Visconde da Amoreira da Torre pela oferta destas estátuas. (OAP VII, p.100)
  • Incorporação: Deu entrada no Museu Nacional de Arqueologia, no ano de 1902, oferta do Visconde da Amoreira da Torre.

Bibliografia

  • ALVES, Luís Fernando Delgado - "História de Mirtilis", in Arquivo de Beja, 13. Beja: 1956
  • ANTONIO GARRIGUET, José - Corpus de esculturas del Imperio Romano - La imagen del poder imperial en hispania. Tipos estatuarios, volume II, Fascículo 1. Murcia: TABVLARIVM, 2001
  • COITO, Lívia Cristina - "Documentos para a História do Museu". In o Arqueólogo Português, S.IV, vol 21. Lisboa: M.N.A., 2003
  • GARCIA Y BELLIDO, António - "Retratos Romanos Imperiales" in Arquivo de Beja, volume XXIII - XXIV. Beja: 1966/1967
  • GONÇALVES, Luís Jorge Rodrigues - Escultura romana em Portugal: uma arte do quotidiano., 2 Vols., Tese de Doutoramento. Mérida: Junta da Extremadura, 2007
  • MATOS, José Luís de - "Subsídios para um Catálogo da Escultura Luso-Romana", dissertação de licenc. apresentada à F.L.L.. Lisboa: 1966
  • PEREIRA, Gabriel - "Antiguidades de Montemor-o-Novo", in Revista Archeológica e Histórica, volume I. Lisboa: 1887
  • PEREIRA, Gabriel - "As estátuas romanas da Quinta da Amoreira da Torre próximo de Montemor-o-Novo" in Revista Archeológica, nº 4. Lisboa: 1890
  • SOUZA, Vasco de - "Corpus Signorum Imperii Romani - Corpus der Skulpturen der Römischen Welt - Portugal". Coimbra: 1990
  • VASCONCELOS, José Leite de - "Duas estátuas romanas", in O Arqueólogo Português, vol. VIII. Lisboa: Imprensa Nacional, 1903

Exposições

  • Portugal - das Origens à Época Romana

    • Museu Nacional de Arqueologia
    • 16/10/1989 a 21/12/1993
    • Exposição Física
  • Escultura Romana

    • Museu Nacional de Arqueologia
    • 1/1/1980 a 31/12/1982
    • Exposição Física

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