Canalização

  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Nº de Inventário: 2023.172.1
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Arquitectura (materiais de construção e revestimento)
  • Dimensões (cm): Comp. 61,5 x Alt. 23 x Larg. 26,5
  • Descrição: Tijolo/caleiro de forma rectangular e de secção em U. Na superfície interna da base possui uma inscrição que se encontra transcrita e documentada na publicação d' O Arqueólogo Português (1903) onde pode ler-se [FLOR FUCI']. Encontra-se fragmentado e possui uma pasta grosseira, com impurezas, de cor rosada e com alguns vestígios de argamassa (opus) nas superfícies. Do ponto de vista morfológico, as canalizações em U, mais eficazes em termos de isolamento e impermiabilização, são standardizadas havendo sido identificados exemplares com dimensões semelhantes à proveniente da Quinta do Avelar (Teixeira, 2012: 59-60). José de Leite Vasconcelos (1903) refere que estes caleiros poerão coincidir com os colliciarie, ou seja, telhas acanaladas que recolhem e conduzem água (Fortes, 2008: 15, Anexo I). Relativamente a esta inscrição foi possivel obter uma pista relativamente à sua leitura. De acordo com a correspondência enviada por Herman Dessau a JLV pode constatar-se (possivelmente) que esta inscrição terá incorporado a obra "Inscriptiones Latinae Selectae" (ver documentação associada).
  • Origem/Historial: Quinta do Avelar (Braga) Na publicação d’ O Arqueólogo Português, José de Leite Vasconcelos faz referência à Quinta do Avelar, propriedade de Vasco Jácome de Sousa Pereira e Vasconcelos, onde “aparecem com frequência antigualhas romanas” (Vasconcelos, 1903: 296). Na sequência da sua excursão ao Minho, José de Leite de Vasconcelos teve a oportunidade de ver os materiais provenientes desta quinta, destacando-se os 2 caleiros que integram as coleções do MNA - um deles anepígrafos; o outro possui uma inscrição incisa ‘’com estilete, antes da cozedura do barro’’. É importante referir que o proprietário da “Casa do Avelar” já havia “dado varias moedas romanas encontradas na quinta” em 1902 (idem: 298). Em Setembro de 1904, os 2 caleiros incorporaram as coleções do Museu Ethnológico tendo sido oferecidos pelo proprietário da Quinta do Avelar por intermédio do Sr. Albano Bellino (Vasconcelos, 1905:46-47). É importante referir que Albano Bellino foi um importante mediador no processo de oferta destes materiais ao museu. Este procede ao envio dos caleiros, juntamente com outros artefactos - tal como comprova a carta datada de 26-VIII-904 do legado de Leite de Vasconcelos onde pode ler-se: “o que vae dentro é o seguinte: (…) 2 cáleiros, 1 tijolo de cobertura dos mesmos, (…)”. A correspondência revelou-se fundamental no fornecimento de pistas essenciais à reconstrução da biografia destes objectos. Vejamos: até então, o caleiro anepígrafo tinha proveniência desconhecida; após a confirmação das aquisições do Museu e da informação de que estes chegaram partidos ao Museu de Belém (após a remessa feita por Albano Bellino) foi possível depreender que o mesmo era proveniente da Quinta do Avellar.
  • Incorporação: Em Setembro de 1904, os 2 caleiros incorporaram as coleções do Museu Ethnológico tendo sido oferecidos pelo proprietário da Quinta do Avelar por intermédio do Sr. Albano Bellino (Vasconcelos, 1905:46-47).

Bibliografia

  • VASCONCELOS, J. L. (1903) - “Archeologia Bracaraugustana: Inscrições romanas.– Projecto de Museu”, in O Arqueólogo Português, 1ª Série, Volume VIII;
  • VASCONCELOS, J. L. (1905) – “Acquisições do Museu Ethnológico Português”, in O Arqueólogo Português, 1ª série, Volume X;
  • TEIXEIRA, H. M. L. (2012) - Sistemas de abastecimento e drenagem de água a Bracara Augusta: aquedutos, canalizações e cloacas. Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho;
  • FORTES, M. L. S. (2008) - A Xestión da auga na paisaxe romana do Occidente Peninsular, Tese de Doutoramento, Universidade de Santiago de Compostela;

Multimédia

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