Triunfo da Pátria conduzida à glória imortal

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 93
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Taborda, José da Cunha (Pintor)
  • Datação: 1816/1817
  • Suporte: Tela
  • Técnica: óleo
  • Dimensões (cm): Alt. 145 x Larg. 116
  • Descrição: Cena alegórica que se integra nos temas triunfais, ligados à vitória de Portugal sobre os exércitos napoleónicos, enquadrada num ambiente paisagístico. Em primeiro plano, uma figura alegórica alada, vestida de branco – a Imortalidade, que coroa a Lusitânia, vestida de azul com um manto vermelho; esta segura com a mão esquerda as Armas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A Lusitânia e a Vitória encontram-se num carro triunfal, puxado por um cavalo castanho, segurado por uma personagem masculina, vestida com uma armadura. Em cima, observa-se uma figura infantil alada que carreia a palma da vitória. Na parte traseira do carro triunfal encontra-se uma figura masculina dobrada que empurra o carro, e atrás desta observam-se três figuras masculinas, uma delas com armadura e escudo. No lado esquerdo, encontra-se uma coluna, indiciando que se encaminham para um templo, talvez o templo da eternidade.
  • Origem/Historial: Pertence à coleção de pintura sobre tela das sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda, integrando um conjunto total de seis pinturas. O “Triunfo da Pátria conduzida à glória imortal” foi solicitada provavelmente por João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa (1757-1818), 1.º visconde de Santarém, nomeado inspetor das obras reais pelo Príncipe Regente D. João (1767-1816; reinado 1822-1826), em 1802. A cena alegórica encontra-se em consonância com a reserva central do teto, executada durante a ausência da Família Real portuguesa, por José da Cunha, c. de 1814-1815. A composição central do teto representa a Lusitânia aguerrida, cujo um dos pés assenta sobre um machado de guerra. A Lusitânia enlaça a Paz (possui uma pomba) com a mão direita, e a mão esquerda repudia uma personagem masculina envolta por um véu cinzento; esta personagem masculina segura na mão esquerda uma máscara. A máscara pode representar o carácter do astucioso Napoleão Bonaparte (1769-1821), o “pérfido inimigo da raça humana” (como cit. em Gomes, 2004, p. 72), que colocou em causa a boa ordem, a paz pública e a estabilidade dos governos (Peres, 1935, como cit. em Vaz, 2015, p. 24). Saliente-se que desde os primeiros anos do século XIX, e em ligação direta com o período das Invasões Francesas, se iniciou em crescendo as temáticas envolvendo o carácter aguerrido dos portugueses. É provável que Vieira Portuense tenha sido o grande instigador deste repertório enaltecedor das qualidades aguerridas dos Lusitanos, tal como demonstra a pintura O Juramento de Viriato exibida no 31.º Salão da Royal Academy of Arts, em 1799 (Gomes, 2004, p. 72). Esta pintura era para ser lida como um manifesto contra Napoleão Bonaparte. Neste sentido, o “Triunfo da Pátria…” encontra-se em consonância com este temário específico da primeira metade do século XIX. Assim, a Lusitânia vitoriosa é conduzida em glória ao templo da eternidade, que devido ao seu caráter aguerrido derrotou os exércitos franceses, daí a representação de uma figura masculina presa com umas algemas de pulso ao carro triunfal. Na parte inferior da composição encontra-se uma personagem masculina que segura uma serpente, sinónimo de deslealdade, a ser esmagada pelo “poder” da Lusitânia. Os temas triunfais são oriundos da antiguidade, tendo sido adaptados ao longo da história da arte europeia, assumindo múltiplas variantes artísticas. A título exemplificativo, destaca-se Peter Paul Rubens (1577–1640), com o tema “O Triunfo de Henrique IV”, c. 1630 (Metropolitan Museum of Art, New York).
  • Incorporação: Casa ReaL

Bibliografia

  • MACHADO, Cirilo Volkmar - Colecção de Memórias. Lisboa: Imp. de Vitorino Rodrigues da Silva, 1823
  • VAZ, João, A pintura mural do Palácio Nacional da Ajuda 1796-1833 Imagens do Poder, Scribe, DGPC, 2015
  • Gomes, P. V. (2004). Vieira Portuense. Círculo de Leitores.
  • Leitão, J. J. T. (2002). O Pintor Régio José da Cunha Taborda (Fundão, 1766 – Lisboa, 1836). Exposição Temporária (Investigação, Guião e Catálogo) [Dissertação de mestrado, Universidade NOVA de Lisboa].
  • Gonçalves, M. (2019). José da Cunha Taborda: vida e obra de um fundanense dentro do panorama artístico nacional. Ubimuseum. https://www.ubimuseum.ubi.pt/n05/assets/docs/10.pdf

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