Descrição: Taça campaniforme de tipo "Palmela", de forma semi-esférica, aberta. O bordo, decorado por uma linha em zigue-zague pontilhada, é plano, e a base e o fundo são convexos. Apresenta decoração na parede externa, paralela ao bordo, composta por três linhas em zigue-zague paralelas, e sete fiadas horizontais, lisas. A restante decoração é constituída por uma fiada de cervídeos: dois veados, duas corças e um cervídeo. A pasta interna é cinzenta-acastanhada muito bem alisada, e a pasta externa é castanha com algumas manchas acinzentadas, alisada e polida. O desengordurante é de grão médio.
Origem/Historial: A estação do Casal do Pardo é composta por quatro hipogeus. Foram escavadas, pela primeira vez, em 1876 e 1878 por António Mendes sob a orientação de Carlos Ribeiro, no ano da Exposição Antropológica de Paris, na qual Carlos Ribeiro apresentou materiais desta jazida. Em 1883 as grutas foram visitadas pelo arqueólogo Emílio Cartailhac que as mencionou na sua obra " Les âges préhistoriques de l'espagne et du Portugal ". Estes materiais foram parcialmente publicados por Leite de Vasconcelos na sua obra "As Religiões da Lusitânia". Em 1906 J. Marques da Costa realiza novos trabalhos de escavação nas sepulturas do Casal do Pardo, apresentando a configuração completa dos monumentos. Após a sua morte os materiais foram oferecidos ao MNA pela viúva deste; esses objetos foram devidamente inventariados com os números entre 20650 e 20769. Existem também, neste museu, materiais oferecidos pelo Duque de Palmela, que foram recolhidos pelo arrendatário da Quinta do Anjo e que constam de uma lista generalizada dos objetos, que foram registados no Livro de Entradas do Museu com os números E 1772 a E 1789, assim como foram inventariados com numeração entre 12328 e 12410. Na década de 50 do século passado, foram adquiridos alguns materiais como placas de xisto, laminas de sílex, machados de pedra polida e vasos e fragmentos de cerâmica, destas grutas, a António Figueiredo Festas; não se sabe a data certa da sua incorporação por o documento de aquisição não ter data (somente o ano de 1956, que nos é dado pela classificação económica) e as peças não terem sido inventariadas na altura.
Incorporação: É provável que tenha sido adquirida a António Festas na década de 50 do século XX.
Bibliografia
ALVES, Francisco (Direcção) - Portugal das Origens à Época Romana. Lisboa: 1989
COSTA, A. I. Marques da - "Estações Pré- Históricas dos Arredores de Setúbal. Grutas Sepulcrais da Quinta do Anjo, in O Arqueólogo Português, vol. VII. Lisboa: Imprensa Nacional, 1907
LEISNER, Vera - Dier Megalithgraber der Iberischen Halbinsel: der Westen. Berlin: Walter de Gruyter & Co., 1965
LEISNER, Vera Leisner; Georges Zbyszevski, O. da Veiga Ferreira - Les Grottes Artificielles de Casal do Pardo (Palmela) et la Culture du Vase Campaniforme. Lisboa: 1961
SOARES, Joaquina - "Os Hipogeus Pré-históricos da Quinta do Anjo". Setúbal: Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal, 2003
Un brindis por el príncipe! El Vaso Campaniforme en el interior de la Península Ibérica (2500-2000 a. C.), Madrid: Museo Arqueológico Regional, 2019. Catálogo de la exposición.
Exposições
Portugal - das Origens à Época Romana
Museu Nacional de Arqueologia
16/10/1989 a 21/12/1993
Exposição Física
Vaso Campaniforme. A Europa do 3.º milénio antes de Cristo
Museu Nacional de Arqueologia
15/5/2009 a 15/10/2009
Exposição Física
Un brindis por el príncipe! El Vaso Campaniforme en el interior de la Península Ibérica (2500-2000 a. C.).