Descrição: Estela rectangular bem talhada, com uma inscrição bem distribuída à volta de uma cartela central que desenha uma parábola. A lápide está quase intacta. Os signos são por vezes de leitura difícil. A paleografia desta inscrição é particularmente importante. (Segundo V. Correia, 1997, p. 191)
Grupo 6. (Segundo classificação e descrição de V.H.C - 1996, cat. 11)
Nota de contextualização:
"Um dos mais importantes indicadores culturais do Ocidente europeu é constituído pela existência de escrita de estrutura semi-silábica, datada dos sécs. VII a V a.C. e delimitada geograficamente pelo Baixo Alentejo e Algarve.
Esta escrita aparece-nos maioritariamente sobre suportes de pedra, em estelas, bétilos ou lápide sepulcrais em clara conexão com contextos funerários de filiação cultural orientalizante, revelando o uso de fórmulas padronizadas, mais ou menos repetitiva.
No Algarve verifica-se aliás, uma das suas variantes, traduzida pela maior riqueza e diversidade de fórmulas funerárias, a que certamente corresponderá também um mais alargado uso e domínio da própria escrita
Trata-se de um semi-silabário, aparentado ao alfabeto fenício, mas em que a existência de grande número de vogais pode também indicar uma escrita não semita, cujo valor fonético é conhecido, mas ainda indecifrado, usado pelas elites locais, que naquela região defendiam as rotas do minério e asseguravam o controle do comércio, na área de influência e sob a égide de Tartessos."
Origem/Historial: *Forma de Protecção: classificação;
Nível de Classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei nº 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; nº 19/2006; 18/07/2006*
Lápide encontrada por Estácio da Veiga nas suas escavações em 1878 na necrópole da Idade do Ferro de Fonte Velha, situada a 1200 metros a Oeste da Torre da Igreja de Bensafrim.
"No capitulo antecedente apresentei a planta de uma vasta necropole, que parcialmente explorei em 1878 no sitio da Fonte Velha, a curtos passos da igreja de Bensafrim, no concelho de Lagos. Descrevi as sepulturas, referindo-me a lages toscas de grés vermelho com inscripções de caracteres não ainda decifrados, gravadas n'uma face, que formavam os lados ou os topos, ficando as inscripções voltadas para o interior dos jazigos [...]. Aquellas inscripções faziam, pois, parte integrante e fundamental da construção da necropole [...]." (Estácio da Veiga, 1891, p. 285) Estampa XXXVI
Incorporação: Mandato legal.
Peça integrante da Colecção de Estácio da Veiga, posteriormente integrada nas Colecções do Museu Etnológico do Dr. José Leite de Vasconcelos
Bibliografia
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