Descrição: Taça de cerâmica de engobe vermelho de forma troncocónica, de bordo simples arredondado, no prolongamento da parede. Junto do bordo tem dois orifícios dispostos na horizontal. O fundo é plano e o pé é em bolacha. Apresenta, na parte exterior, três bandas em grafite alternadas com outras tantas a vermelho.
Sob a segunda banda apresenta quatro caneluras em relevo. A parte interior da peça é coberta de engobe vermelho. A cozedura é oxidante. A pasta é de cor castanha escura, muito dura, com alguns elementos não plásticos de grão fino compostos por micas, quartzo e feldspato. As superfícies interna e externa são polidas e estão cobertas de engobe vermelho (ASA).
Origem/Historial: O Castro da Azougada foi descoberto em finais do século XIX, mas foi apenas por volta de 1943 que se iniciaram as intervenções arqueológicas: "Em meu favor digo que a descoberta do Castro não foi para mim ocasional: pela conjugação de vários factores (...) O onomástico despertou o meu interesse (...) Bastava só a toponímia da Azougada para supor o povoamento pré-histórico daquelas herdades. Observei, também, que a topografia daquelas margens do Ardila concorda em absoluto com a toponímia: distribuição ao longo do citado rio mostrava-me a esplêndida posição estratégica destes velhos lugares fortificados (...) Foram importantes as informações transmitidas por antiquários e camponeses que dizem que se extraia da Mina da Azougada o cinábrio, razão pela qual o sítio tomou o nome de Azougada. Em terras da Azougada apareceram sepulturas com espadas e facas largas de ferro, e vasos de barro" (Fragoso de Lima). O espólio encontrado foi recolhido no Museu Municipal de Moura, posteriormente parte dele foi depositado no actual MNA, sob a orientação do Dr. Manuel Heleno, director do Museu. Para além das sepulturas encontraram-se vestígios de fortificações e casas.
O sítio foi tradicionalmente denominado de Castro da Azougada e assim foi referido na bibliografia mais antiga. Contudo investigações mais recentes levaram alguns autores (Mário Varela Gomes e Ana Sofia Antunes) a rever aquela caracterização, atribuindo-lhe uma nova funcionalidade - a de um santuário. O espólio deste sítio depositado no MNA passará deste modo a ser referido unicamente por Azougada.
Incorporação: Intervenções arqueológicas
Bibliografia
ALARCAO, J. (Coord); Ana Isabel SANTOS - De Ulisses a Viriato. O primeiro milénio a.C.. Lisboa: MNA, 1996
GAMITO, Teresa - "A Idade do Ferro no Sul de Portugal - problemas e perspectivas", Arqueologia. Porto: 1982
GOMES, M.V. - l "smiting God" de Azougada (Moura), in Trabajos de Prehistoria 40. Madrid: 1983
LIMA, J.Fragoso - Elementos históricos e arqueológicos.. Moura: Biblioteca Municipal, 1981
ANTUNES, Ana Sofia (2009)."Um conjunto cerâmico da Azougada - Em torno da Idade do Ferro Pós-Orientalizante da margem esquerda do Baixo Guadiana". In O Arqueólogo Português, Suplemento nº 5. Lisboa.