Descrição: Composição executada em óleo sobre tela, representando uma paisagem, um pequeno recanto da Serra de Sintra. No plano inferior, vemos duas pequenas figuras-camponesas, trajando à minhota. Têm saias compridas, e uma delas, parece ter também um chapéu e lenço que cobre a cabeça, transportando em simultâneo, um cesto sobre o braço esquerdo. Nestas duas personagens, predominam os tons quentes, variando entre os laranjas e castanhos.
À esquerda temos um muro baixo, enquadrado na paisagem com árvores de grande porte, entrelaçadas por enormes ramos, e à direita observamos uma profusão de rochas, não muito elevadas, mas de consideráveis dimensões. A iluminação, que surge impetuosamente por detrás das mesmas, parecendo ter origem num foco, é cenográfica, artificial.
Tomás da Anunciação representa nesta pintura de contornos fantásticos, este pequeno recanto de Sintra, dando primazia à plasticidade da paisagem, principalmente através do jogo de contrastes luz-sombra, com uma especial atenção à iluminação da cena que transmite consistência à volumetria do arvoredo e cria deste modo uma cenografia para as duas figuras através do claro-escuro. Os tons apresentados variam entre amarelos, verdes e castanhos, uma “réstia” de azul claro e tênues avermelhados.
No canto inferior direito, a pintura encontra-se assinada "Annunciação" e datada de 1865.
Origem/Historial: Adquirida num leilão da Avenida da República, 5, rés-do-chão em 16/01/1927. O leilão foi realizado pela Guilhermina. A obra estava bastante suja quando o Dr. Anastácio Gonçalves a comprou; foi limpa e restaurada pelo senhor Cassio e mais tarde protegida com chapa belga. Custou 290$00 (duzentos e noventa escudos) mais 10%. Nas notas do Dr. Anastácio Gonçalves está referido que a obra ainda conserva, nessa altura, a moldura de origem. Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 20.000$00 (vinte mil escudos).
Paisagem (Sintra?). Quadro a óleo sobre tela, assinado " Anunciação". Represeenta uma paisagem, talvez de Sintra. Mede 48X26 e está posto no sentido da largura. Conserva a moldura primitiva, ainda bem dourada. Está datado de 1865. Adquirido num leilão da Av. da República, 5, R/C em 16/1/927. Este leilão foi realizado pela Guilhermina. Estava o quadro muitíssimo sujo; foi limpo e restaurado pelo Sr. Cassio e mais tarde protegido com chapa belga. Custou 290$00 mais 10%.Presente em Julho de 1950 na exposição do Museu de Arte Contemporânea, promovida pelo Instituto Cultural Sintrense sobre " Sintra na Pintura Portuguesa do sec. XIX". É o nº 1 do catálogo e tem a designação de "Caminho da mata". Vem reproduzido no catálogo.
Incorporação: Por testamento de 31/0771964
Bibliografia
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BARREIRA, João - Arte Portuguesa. Lisboa: s.d.
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FIGUEIREDO, José - Algumas palavras sobre a evolução da Arte em Portugal. Lisboa: 1908
FRANÇA, José-Augusto - A Arte em Portugal no século XIX. Lisboa: Bertrand, 1966, Vol. II
LUCENA, Armando de - Pintores Portugueses do Romantismo. Lisboa: 1943
MACEDO, Diogo de - Académicos e Românticos. Lisboa: 1950
MACEDO, Diogo de - Tomás José da Anunciação. Chefe do Romantismo. Lisboa: 1955
MACEDO, Diogo de - Tomás José da Anunciação. Lisboa: 1951