Descrição: Cruz de haste e braços de secção rectangular, base de perfil triangular com as arestas biseladas, alteada em dois registos, assente em três pés globolares e haste formada por anéis moldurados. A cruz e o Cristo são amovíveis, presos por parafuso e rosca. Os pés são decorados a meia altura por renque de godrões. A base é composta por três volumosas volutas e pelas faces do prisma decorados por pingos na orla e nas arestas, e recortadas na parte inferior. O motivo de acantos surge no enrolamento das volutas e na parte superior, junto ao remate triangular. Este é decorado com renque de godrões, motivo que se repete nalguns registos circulares da haste. O balaústre é acrescido de um friso de folhas estilizadas. A cruz, lisa, é moldurada por estreito friso de godrões e tem as terminações dos braços e da haste superior em secção rectangular decorada com godrões e folhas estilizadas e rematada por botão. A parte inferior da haste assenta em dois registos de godrões separados por meia cana.
Apresenta formas lisas com unma decoração simples de frisos relevados de godrões e longas folhas, dentro do espírito chão que nos foi peculiar dentro do reinado de D. Pedro II.
Origem/Historial: O crucifixo pertence a uma banqueta, de altar, possivelmente encomendada pelo Bispo de Lamego D. Luís de Sousa entre 1671 e 1675 ao prestigiado ourives de Lisboa Tomás Correia. (Amaral, 1998, 71). Todavia, Nuno Vassalo Silva refere que a actividade do ourives só se encontra documentada entre 1690 e 1728, não podendo afirmar, por isso, que "esta encomenda datará da presença de D. Luís à frente da Diocese, já que os anos em que esteve em Lamego, distam em demasia da data do último documento relacionado com a actividade do ourives (Silva, 2001, 202).
No "Cadastro dos bens do domínio público do Museu Regional de Lamego", de 1940, no nº 157: " Uma banqueta de prata dourada, composto de 6 castiçais e uma cruz com Cristo, e também um castiçal igual aos aqui mencionados, mas de prata branca. Estas não podem ser pesadas por estarem ligadas a peças de ferro. 12.000$00".
A Sé de Lamego possui uma píxide (Lam.181.01.074) que, crêmos, ter pertencido ao mesmo conjunto. (BRAGA, 2006)
Incorporação: Mitra Episcopal de Lamego?/ antigo Paço Epsicopal de Lamego (?)
Bibliografia
ALMEIDA, Fernando Moitinho de - Marcas de Pratas Portuguesas e Brasileiras ( Século XV a 1887 ). Lisboa: INCM, 1995
AMARAL, Maria Antónia Athayde - Ourivesaria "in" Museu de Lamego. Roteiro. Lisboa: Museu de Lamego/IPM, 1998
AML Mns. "Cadastro dos Bens do Domínio Público do Museu Regional de Arte e Arqueologia de Lamego": 1940
Arte Sacra (catálogo). Lamego: Museu de Lamego, 1965
FLÓRIDO, Abel - Ourivesaria (catálogo). Lamego: Museu de Lamego/IPPC, 1983
Guia de Portugal. Trás-os-Montes e Alto Douro. II- Lamego, Bragança e Miranda, vol. 5. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988
LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
RODRIGUES, José Júlio - O Paço Episcopal de Lamego. Porto: 1908
SILVA, Nuno Vassalo - "Conjunto de Altar do Convento das Chagas de Lamego", Uma Família de Coleccionadores. Poder e Cultura" (catálogo). Lisboa: IPM/Casa Museu Anastácio Gonçalves, 2001
BRAGA, Alexandra & MAURÍCIO, Rui - «Pratas do Tesouro da Sé». Prata: revista da Bienal da Prata. Lamego, B.P. 1(2001)
BRAGA, Alexandra & MAURÍCIO, Rui - Píxide. In RESENDE, Nuno, coord - O Compasso da Terra. A arte enquanto caminho para Deus, Volume I: Lamego. Lamego: Diocese, 2006