COLUMBANO

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A luva cinzenta
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  • Nº de Inventário: 56
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 73; 103, Larg: 54; 84,
  • Incorporação: Museu Nacional de Arte Antiga
  • Descrição: Senhora a meio-corpo virada de perfil para a direita, calçando uma longa luva cinzenta na mão direita e usando um vestido de cetim preto decotado nos ombros. Tem o cabelo apanhado atrás, numa fita azul clara, e sobre as costas e pescoço incide-lhe uma iluminação sabiamente doseada, iluminando-lhe a carnação ocre e o perfil do rosto mais rosado. Figura sobre um fundo castanho indefinido. É um retrato da sua irmã mais velha e madrinha Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841-1915).
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Concerto de amadores
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  • Nº de Inventário: 498
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 220, Larg: 300,
  • Incorporação: Adquirido por verba especial do Estado no leilão do Conde de Ameal
  • Descrição: Pintura de costumes. No interior de uma sala burguesa com pouca luz vêem-se cinco pessoas a cantar e tocar; em primeiro plano, uma mulher, Maria Augusta Bordalo Pinheiro, irmã do autor, de pé com um vestido de cetim branco decotado, de longa saia pregueada que lhe cobre os pés. Usa um par de luvas altas cinzentas e segura nas mãos pautas de música. Tem o cabelo apanhado na nuca. A seu lado, algo encoberto, vê-se o pintor Adolfo Greno, também virado de perfil para a direita, com bigode e barbas. À sua frente, um cantor italiano, obeso, vestindo um fato escuro, camisa branca, colete e laço branco acetinado. Na mão direita segura um par de luvas amarrotadas, e na esquerda as pautas de música, que segue, cantando arrebatadamente. Ao seu lado, no fundo, assoma a figura de Josefa Greno, a 3/4, baixando o olhar para um piano preto que se destaca no lado direito do quadro, tocado com bravura pelo pintor Artur Loureiro. Vestindo de preto e de barba cerrada, Loureiro olha concentradamente para a pauta que tem à sua frente, assente no piano, iluminada por uma vela. No chão, à direita, um "puff" com inúmeras pautas caídas ou a escorregar, abertas, sobre o castanho do chão e o rosa e azul claro de algumas das capas. No lado esquerdo da composição, atrás de Maria Augusta, destaca-se um enorme "cache-pot" em tons de cobre, cuja chapa é iluminada nalguns pontos pela escassa iluminação do interior.
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Retrato de Mariano Pina
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  • Nº de Inventário: 631
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 100; 127, Larg: 81; 114,5,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Retrato do crítico de arte Mariano Pina, um dos primeiros defensores de Columbano, sentado a meio-corpo, virado de perfil para a direita, nariz e boca proeminentes, de bigode, usando um casaco escuro, colarinho e uma flor branca na lapela; segura nas mãos à sua frente um par de luvas brancas e uma bengala. Fundo castanho nublado.
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Retrato de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro
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  • Nº de Inventário: 1004
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Madeira
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 46; 68, Larg: 36; 59,
  • Incorporação: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro
  • Descrição: Retrato de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, sobrinho do pintor, filho de Rafael e Elvira Bordalo Pinheiro, o mais significativo da sua primeira fase, após ter regressado de uma estadia de 2 anos em Paris. Representa o sobrinho então com c. 17 anos, de rosto altivo e snob, algo caricaturado, sentado a corpo inteiro numa cadeira de baloiço, situada num interior burguês, de perna cruzada e com as mãos cruzadas no joelho. Veste um fato com colete castanho e uma camisa com colarinho e punhos brancos. Junto do retratado, do lado esquerdo, vê-se uma pasta com folhas de desenhos em tons de branco, criando um espaço lumínico alternativo.
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Retrato de D. José Pessanha
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  • Nº de Inventário: 898
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Madeira
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 35; 57, Larg: 27; 48,5,
  • Incorporação: Adquirido pelo Estado
  • Descrição: Retrato de D. José Maria da Silva Pessanha (1865-1939), jovem aristocrata historiador de arte e arqueólogo (publicou em 1904 a "História das Indústrias Artísticas em Portugal"), sentado numa cadeira e com a mão esquerda apoiada numa bengala, olhando de frente o espectador, com um casaco cinzento de surpreendente efeito cromático. Este retrato-miniatura é também o único auto-retrato de Columbano dentro do próprio retrato (FRANÇA, 1988), assomando à direita de um espelho oval, de paleta e pincel nas mãos, citando claramente um seu mestre de sempre, Velázquez.
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O Grupo do Leão
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  • Nº de Inventário: 1524
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 201, Larg: 376,
  • Incorporação: Adquirido pelo Estado
  • Descrição: Retrato colectivo de um grupo de pintores da primeira geração naturalista, figuras em tamanho natural, sentadas à volta de uma mesa da antiga cervejaria Leão de Ouro, em Lisboa. Enquadrados por duas colunas de cada lado da enorme tela, uma delas mais visível à esquerda, e por um pequeno parapeito em primeiro plano, Columbano retrata, adaptando com algum humor o tema religioso da Última Ceia, da esquerda para a direita, José Malhoa (1855-1933), sentado à frente da mesa, em primeiro plano, de lenço branco no pescoço, com a mão direita assente no joelho e a outra em cima da mesa, com um cigarro aceso, atrás Henrique Pinto (1853-1912), encostado à coluna, calvo, de perfil virado para a direita, em cima Ribeiro Cristino (1858-1948), de pé, de casaco escuro e gola branca, fitando o observador com um rosto pálido, ao lado, sentado, João Vaz (1859-1931), com um olhar ausente, de bigode e óculos, depois, em pé, distinguindo-se pela cartola que usa na cabeça, vê-se o poeta Alberto de Oliveira (1861-1922), o organizador das exposições e catálogos do grupo, inclinando-se e mostrando uma revista ilustrada a Silva Porto (1850-1893), sentado à sua frente, discretamente, fitando também o observador. A seu lado está António Ramalho (1859-1916), com um lenço verde no pescoço, galhofando e em cima, em pé, o criado da cervejaria Manuel Fidalgo, de suíças e avental branco, empunhando nas duas mãos uma travessa. À sua frente, em primeiro plano, de cotovelo assente na mesa, vê-se José Maria de Moura Girão (1840-1916), de perna cruzada e segurando na mão esquerda uma bengala, de cachimbo na boca, fitando o observador, e a seu lado Rodrigues Vieira (1856-1898), encostado à coluna, sorrindo para o observador, de mão esquerda na cintura e segurando na outra uma caneca de cerveja. Junto deste último, atrás da mesa, vê-se Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), de chapéu castanho, bigode e monóculo, sorrindo com bonomia, e atrás do grande caricaturista assome o autor desta ambiciosa composição e seu irmão, Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929), de cartola na cabeça, barba e lunetas, posando com uma bengala debaixo do braço, parecendo estar prestes a sair de cena, vendo-se a seu lado ainda, junto da coluna direita, o criado Dias (ou o entalhador Leandro Braga, segundo Diogo de Macedo), envolto no fumo de tabaco do interior da cervejaria. À frente do criado, quase tapado pela coluna, distingue-se a cabeça do pintor Cipriano Martins.
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Retrato de Antero de Quental
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  • Nº de Inventário: 1108
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 73; 94,5, Larg: 53,5; 75,
  • Incorporação: Maria da Conceição Lemos Magalhães
  • Descrição: Pintura a óleo sobre tela com o retrato de Antero de Quental (Ponta Delgada, 1842-1891), considerado pela generalidade da historiografia como a obra-prima de Columbano. Quental posa a meio-corpo, de frente, com barba e bigodes longos, vestindo uma capa negra e colarinho branco saído, sob uma luz vertical que lhe sublinha a carnação pálida do rosto e os olhos fitos e encovados, que traduzem o desespero e lucidez dos seus últimos momentos. Não parece haver dúvidas quanto à excelência cultural e sociológica desta imagem finissecular, mas na própria evolução da retratística de Columbano ela marca o início de uma fase sombria marcada pela desmaterialização dos contornos da figura e na indefinição cromática entre figura e fundo; nunca o tenebrismo e esfumado ambíguo de Columbano se adequou tão bem a uma personagem torturada e existencialista como era Antero nos últimos anos de vida.
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A chávena de chá
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  • Nº de Inventário: 630
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Madeira
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 26; 36,5, Larg: 34; 45,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Jovem mulher sentada numa cadeira, virada de perfil para a esquerda, usando um xaile castanho nos ombros e o cabelo apanhado atrás, baixando o olhar para a chávena de chá e pires que segura nas duas mãos. À sua frente tem um samovar prateado, onde incide um reflexo de luz, e em baixo um prato com algumas torradas, composição de género sobre um fundo castanho indistinto.
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Estudo para o óleo "Concerto de amadores"
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  • Nº de Inventário: 984
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 17,2, Larg: 25,7,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Estudo para o grande quadro "Concerto de amadores" (inv. 498), para o qual iriam posar, no seu estúdio de Paris, os pintores Adolfo Greno, Artur Loureiro e a sua irmã Maria Augusta. Neste desenho prévio o esquema composicional está praticamente definido, com as duas figuras centrais a cantar, o cantor italiano de fraque e a sua irmã com o vestido pregueado, vendo-se o grande cache-pot de latão à esquerda e o pianista à direita.
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Auto-retrato e gatos
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  • Nº de Inventário: 1902
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 14, Larg: 21,1,
  • Incorporação: Adquirido pelo Estado
  • Descrição: Estudos isolados de um gato em posições diversas, a dormir ou em acção, e no canto superior esquerdo um auto-retrato de Columbano, desenhado meticulosamente, busto do pintor com lunetas no nariz e baixando o olhar, concentradamente, provavelmente para o desenho que está a realizar.
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Estudo para o óleo "Concerto de amadores"
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  • Nº de Inventário: 985
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 94, Larg: 152,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Estudo para o grande quadro "Concerto de amadores" (inv. 498) mais sumário e esquissado que o nº inv. 984, mas onde já posam os modelos do quadro final: o pintor Artur Loureiro ao piano, à direita, no centro o cantor italiano, a sua irmã Maria Augusta e por trás o pintor Adolfo Greno.
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Retrato do actor Vale
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  • Nº de Inventário: 1121
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 74; 96, Larg: 55; 76,5,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro
  • Descrição: Retrato do actor José António do Vale (m. 1912), sentado a meio-corpo, virado a 3/4 para a direita, quase de frente, vestindo um casaco escuro, lenço no bolso e colete beje claro, segurando na sua mão esquerda uns óculos. Numa face de meia-idade bem modelada, o actor esboça um sorriso bondoso.
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Estudo para "Glória dos Actores Portugueses"
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  • Nº de Inventário: 1171
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel de álbum amarelo
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 29,7, Larg: 22,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro
  • Descrição: Estudo para um pano de boca do Teatro D. Maria II, com um grupo de figuras junto das colunas jónicas de um templo clássico.
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Estudo para retrato
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  • Nº de Inventário: 1186 (30)
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel de álbum amarelo
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 31,7, Larg: 23,5,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Estudo para um retrato de senhora de meia-idade, em busto a 3/4 virada para a direita, cobrindo-se com um xaile negro e de cabelo apanhado. O modelo parece ser a irmã mais velha do pintor, Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841-1915).
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Estudos
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  • Nº de Inventário: 1186 (38)
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel de álbum amarelado
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 14,2, Larg: 22,2,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro
  • Descrição: Dois estudos de composição para quadros distintos, enquadrados em rectângulos. À direita, senhora a 3/4 de costas, de cabelo apanhado; no estudo da esquerda, senhora com chapéu e casaco apertado, a 3/4.
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Retrato de Jaime Batalha Reis
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  • Nº de Inventário: 1324
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 64; 86,5, Larg: 54; 75,5,
  • Incorporação: Beatriz Batalha Reis, filha do retratado
  • Descrição: Retrato do escritor, agrónomo, geógrafo e diplomata Jaime Batalha Reis (1847-1935) a meio-corpo, de barba e bigode e usando lunetas. Face iluminada uniformemente, fato escuro diluindo-se progressivamente no tenebrismo do fundo.
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Retrato de Trindade Coelho
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  • Nº de Inventário: 1328
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel de álbum amarelo
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 25, Larg: 19,
  • Incorporação: Cristina Trindade Coelho
  • Descrição: Retrato do escritor, jornalista e diplomata Henrique Trindade Coelho (1885-1934) a meio-corpo de braços cruzados, virado a 3/4 para a esquerda, de bigode, casaco e gravata, fitando o observador de lunetas no nariz.
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Retrato de Afonso Lopes Vieira
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  • Nº de Inventário: 1602
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Madeira
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 35; 59,5, Larg: 27; 48,
  • Incorporação: D. Helena de Aboim Lopes Vieira
  • Descrição: Retrato do escritor Afonso Lopes Vieira (Leiria, 1878 - Lisboa, 1946) a meio-corpo, virado a 3/4 para a direita, fitando o observador com um ar grave, evidenciando-se um rosto notavelmente modelado pela luz. Veste um casaco escuro, gravata e camisa branca, vendo-se em baixo a mão com uma luva segurando numa bengala.
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Retrato de Manuel Emídio da Silva
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  • Nº de Inventário: 2234
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 81; 122, Larg: 65; 106,
  • Incorporação: Retratado
  • Descrição: Retrato de homem a meio-corpo vestido com um fato escuro, virado a 3/4 para a esquerda, de compleição forte, com uma luva branca na mão direita, usando lunetas e com uma luz forte atingindo-lhe a face, sobre um fundo tenebrista habitual em Columbano.
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Retrato de D. Edviges Eugénia da Mota e Silva
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  • Nº de Inventário: 2235
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Madeira
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 35; 62, Larg: 26,5; 54,5,
  • Incorporação: Manuel Emydio da Silva
  • Descrição: Retrato de senhora idosa a meio-corpo, virada a 3/4 para a direita, com o cabelo grisalho apanhado e as duas mãos juntas.
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Retrato do Almirante Nuno Queriol
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  • Nº de Inventário: 2239
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 90,5; 134, Larg: 71,5; 114,5,
  • Incorporação: Herdeiros de D. Maria Manuela Amaral Fortes Queriol
  • Descrição: Retrato de homem a meio-corpo virado a 3/4 para a esquerda, de pera grisalha, fitando o observador, vestindo a farda escura, boné e insígnias de Almirante da frota real portuguesa, com uma espada na cintura e segurando na mão direita um par de luvas brancas.
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Retrato de Henrique de Vasconcelos
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  • Nº de Inventário: 604
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Madeira
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 35 cm, Larg: 27 cm,
  • Incorporação: Retratado
  • Descrição: Retrato do diplomata, jornalista e escritor Henrique Vieira de Vasconcelos (1876-1924), colaborador e amigo de Afonso Costa, deputado em várias legislaturas da I República, sentado a meio-corpo e virado a 3/4 para a direita, de cabelo curto e bigode, fitando o observador, vestindo um fato escuro com uma flor no peito e segurando na mão direita, iluminada, um par de luvas e uma cartola.
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Retrato do Dr. Henrique de Vasconcelos
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  • Nº de Inventário: 604-A
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel acastanhado
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 20,8, Larg: 19,
  • Incorporação: Retratado
  • Descrição: Busto do diplomata, jornalista e escritor Henrique Vieira de Vasconcelos (1876-1924), colaborador e amigo de Afonso Costa, deputado em várias legislaturas da I República, virado a 3/4 para a esquerda, de cabelo curto e bigode, olhando de soslaio o observador, vestindo um casaco e com uma flor junto dos colarinhos levantados.
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Retrato de Ida Bordalo Pinheiro e Virgínia Lopes de Mendonça
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  • Nº de Inventário: 626
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 115; 143,5, Larg: 98; 126,5,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Retrato em suporte oval de duas jovens mulheres a meio-corpo, trajando elegantemente à moda da Belle Époque, com largos chapéus decorados. Uma está sentada numa cadeira e concentrada na leitura de um jornal, a outra, atrás dela, fita o observador, encostando o cotovelo esquerdo na cadeira.
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Retrato de Bulhão Pato
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  • Nº de Inventário: 633
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 91; 135,5, Larg: 73; 118,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Retrato do poeta Raimundo Bulhão Pato (1829-1912), já idoso, sentado a meio-corpo, de bigodes longos e barbas brancas, face iluminada, segurando na mão direita uma bengala e na esquerda uma luva e um chapéu.
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D. João da Câmara
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  • Nº de Inventário: 644
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel amarelado
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 23,5, Larg: 23,
  • Incorporação: Emília Bordalo Pinheiro, viúva do artista
  • Descrição: Busto do poeta e dramaturgo D. João Gonçalves Zarco da Câmara (1852-1908), em busto virado a 3/4 para a esquerda, fitando o observador, de cabelo volumoso e ondulado, barba e bigode, e usando óculos sem aros. Retrato inscrito numa circunferência traçada levemente.
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Retrato de Augusto Rosa
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  • Nº de Inventário: 689
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões: Comp: , Alt: 140, Larg: 94,
  • Incorporação: Retratado
  • Descrição: Retrato do actor Augusto César da Rosa (1852-1918), filho de João Anastácio Rosa e irmão de João Rosa (também retratado por Columbano, inv. 632), homem de compleição forte sentado numa cadeira de braços, junto de uma mesa com uma vela, um livro e outros objectos. Está virado para a direita e tem a face iluminada, a 3/4, pousando a mão direita no braço da cadeira e baixando o olhar. Veste um fraque escuro e um colete branco, e segura na sua mão esquerda, encostada à mesa, uma luva branca.
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Pedinte (o actor Augusto Rosa)
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  • Nº de Inventário: 701
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel acastanhado
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 27,4, Larg: 17,1,
  • Incorporação: Augusto Rosa
  • Descrição: O actor Augusto César da Rosa (1852-1918) no papel de pedinte, figura a corpo inteiro virada para a direita, de vestes pobres, com um lenço na cabeça, estendendo a mão esquerda e segurando numa bengala com a outra mão. Personagem do "Afonso VI" de D. João da Câmara.
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D. César de Bazin (o actor Augusto Rosa)
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  • Nº de Inventário: 702
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel amarelado
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 27,3, Larg: 19,
  • Incorporação: Augusto Rosa
  • Descrição: O actor Augusto César da Rosa (1852-1918) na peça "D. Cézar de Bazin", em 1884, figura a corpo inteiro virada para a esquerda, trajando à século XVII, com um chapeirão, colete e uma espada na cintura, de boca aberta e levando a mão direita junto do ouvido.
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Augusto Rosa
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  • Nº de Inventário: 704
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel amarelo
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 27,2, Larg: 13,9,
  • Incorporação: Retratado
  • Descrição: O actor Augusto César da Rosa (1852-1918) no papel de uma personagem do drama "Afonso VI", de D. João da Câmara, de capa nos ombros, chapéu escuro junto do peito e pala no olho direito.
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Retrato de Chaby Pinheiro
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  • Nº de Inventário: 765-A
  • Museu: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Desenho
  • Autor: Bordalo Pinheiro, Columbano
  • Suporte: Papel
  • Técnica: Desenho a lápis
  • Dimensões: Comp: , Alt: 13,6, Larg: 12,6,
  • Incorporação: Viúva do retratado
  • Descrição: Retrato do actor Chaby Pinheiro (1873-1933), então com 19 anos, figura forte e de face gorda, sentado de frente, a meio-corpo, vestindo um casaco, mão direita na coxa, inclinando a cabeça para a direita ao olhar para cima.

Apresentação


Columbano Bordalo Pinheiro, o maior pintor português do século XIX, é o artista que melhor expressa valores de modernidade, numa situação única na arte nacional. Inicialmente, regista os ambientes burgueses como cronista radical da vida moderna e já na viragem do século, apesar das ambiguidades do seu percurso, é testemunha atenta da sociedade portuguesa, ao longo de três gerações, inventariando os espíritos da intelectualidade nacional e as mais destacadas figuras, por vezes em quadros de uma irrealidade original, desde Antero de Quental a Eça de Queirós e Fialho de Almeida, Bulhão Pato, Batalha Reis, Teixeira Gomes, Raul Brandão, Teixeira de Pascoais.

Os seus retratos analíticos revelam a sua realidade interior, extensível à pintura intimista e a uma inesperada pintura decorativa. A sua aceitação, mediatizada pela imprensa, consolidada por uma elite sócio-política que se pretende afirmar e apoiada por uma crítica literária eficaz, permite-lhe a consagração como retratista e um privilegiado estatuto artístico que se reflecte na atribuição dos cargos de Direcção do Museu Nacional de Arte Contemporânea e de professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa.
Os núcleos da presente exposição exibem setenta e cinco peças referentes a estas temáticas, maioritariamente pertencentes ao museu que dirigiu, de 1914 a 1927, e que possui no seu acervo duzentas obras, mas conta com a colaboração de colecções particulares, instituições nacionais e de museus internacionais, Orsay, Pitti e MNBA do Rio de Janeiro que apresentam pinturas da sua autoria nunca expostas em Portugal.
A produção de Columbano Bordalo Pinheiro deve ser entendida em termos nacionais, como dado aferidor de mudanças sócio-culturais e políticas, mas também na complexidade das vias desenvolvidas, distinguindo-se o seu envolvimento político com interventoras entidades republicanas que o contratam para a realização de três retratos oficiais dos primeiros Presidentes da República, para além de integrar a comissão que elege a bandeira nacional e definir o seu desenho e esquema cromático.

                                                                     Maria de Aires Silveira
                                                                            Comissária


Núcleos

Momentos de consagração No centro do retrato O intimismo A expressão da modernidade A imagem do artista. O auto-retrato Pintura decorativa Análises laboratoriais da pintura de Columbano

Apresentação dos núcleos

Momentos de consagração Pinturas referenciais como Concerto de Amadores e o Grupo do Leão pontuam a produção dos anos 80, tal como Retrato de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro introduz valores de modernidade, em processos pictóricos sublinhados por uma autonomia de mancha e indefinição de contornos da figura e objectos. Estas obras receberam sempre grande destaque por parte dos críticos. A primeira, inicialmente desvalorizada mas gradualmente elogiada, liga-se a uma pintura de intimismos que o artista retoma a partir de 1900, embora em menores dimensões. A segunda, representa a geração naturalista numa linha de retratista que permanece em toda a sua produção, através de perspectivas estéticas e tratamento de luz diferenciados, entre propostas ousadas e hesitações.

Paris era excessivamente ruidosa para o seu temperamento, confessara, mas em 1884, Retrato de senhora, ainda testemunha referências da pintura francesa, sobretudo de Manet. Nos anos 90, inicia uma nova fase, de inspiração velazquiana com a apresentação do Retrato de Antero de Quental e de uma galeria de retratos da intelectualidade portuguesa, de grande sucesso mediático que lhe assegura o reconhecimento artístico subsequente. Em 1900, assume-se como artista consagrado e participa no salão da Exposição Universal de Paris onde obtém medalha de ouro. Refere que apanha “um famoso banho de arte” nesta cidade e detém-se no Louvre. No início de 900, dez anos depois da sua pintura parisiense de modernidade, Luva cinzenta, de 81, realiza A luva branca, ambos retratos da irmã preferida, Maria Augusta, estabelecendo assim um contraponto que introduz, tanto no seu esquema cromático como na análise da figura, uma série de retratos considerados pela crítica como “psicológicos”. M.A.S.

No centro do retrato

Columbano impõe-se nos meios de uma elite intelectual e política e a sua importância decide-se a partir de uma conveniente relação artística e jornalística, abrangente aos críticos mais significativos, Mariano Pina, Jaime Batalha Reis, Raul Brandão, Abel Botelho, Oliveira Martins, Henrique Lopes de Mendonça, Rafael Bordalo Pinheiro, Alfredo da Cunha, Afonso Lopes Vieira, José de Figueiredo, Emídio da Silva, João de Barros, Alberto de Oliveira, Teixeira de Pascoais, todos eles retratados pelo artista. Elogiam o carácter particular da sua arte, o realismo e “psicologismo” dos retratos. Efectuados após inúmeras sessões e poses, reflectem uma subjectividade própria, entendida do interior, através de uma paleta escurecida que valoriza a iluminação do rosto e mãos. A luz, controlada pela disposição dos variados cortinados escuros das janelas do seu atelier, penetra gradualmente nos retratos, segmenta a figura e impõe-se nos fundos como pretexto à fruição de uma pintura em pinceladas soltas.
A originalidade da sua produção enuncia um discurso de modernidade através do retrato de destacadas figuras de oitocentos e da viragem do século, colocadas no centro da sua obra de retratista e projecta Columbano como artista privilegiado e reconhecido. Nenhum outro autor conseguira atingir esta posição, situada numa convergência artística, literária e política, mas também jornalística e dos meios teatrais, facto que lhe permite marcar, num discurso cronológico, as alterações da sociedade portuguesa e concentrar as atenções na sua pintura. M.A.S

O Intimismo

A excessiva carga mediática e o exigente trabalho de retratista a que Columbano se dedica acentua o gosto por uma representação de cenas de interior como espaços evasivos, distantes de polémicas. A obscuridade destas pinturas acentua o carácter concêntrico da temática, a partir de uma imaginária zona da casa de família, o não-lugar, neutralizado por sombras e por um inventário de referentes concretos. A chávena de chá, o samovar, o prato, os objectos de cobre, constituem pontos de tensão que dissipam a importância de identidade da figura retratada. A apresentação emotiva ou alegórica dos objectos elege uma ambivalência espacial e os frutos, os jarros e as travessas, aproximam-se do espectador como se representassem a essência das coisas, em momentos “insignificantes” que apenas o autor entende. Mulher e frutos (Femme et fruits), pintura de interior doada pelo autor ao Musée du Luxembourg, destaca a natureza-morta e o estatismo da figura, enquanto que Frutos de Outono aponta a expressividade do rosto de Emília, sua mulher. Frequentemente representado, suspenso na densidade das sombras, simula um fugitivo movimento sugerido pela ausência do corpo. Esta estética intimista surge como uma espécie de manifesto a uma modernidade, decorrente de um realismo estrutural, perceptível em toda a sua produção. Columbano combina a coexistência da objectividade com uma subjectividade expressiva, geradora de narrativas específicas, ou seja, o artista cria singulares espaços, resultantes de uma associação entre a sua ideia do real e o fantástico. M.A.S.

A expressão da modernidade

A partir de 1911, Columbano ultrapassa os limites do realismo, considerando que a aceitação e manifesta reputação de retratista, tal como a sua participação na vida cultural do país proporcionam uma maior liberdade pictórica, tanto na adaptação aos modelos e à sua psicologia, como nos modos de representação. Na sua expressão da modernidade, o salto alongou-se para algo naturalmente espectral, na denúncia ousada de uma sociedade que se espelha em fisionomias lívidas e “tipos incompletos, almas aos pedaços”. Surgem retratos expressivos e inquiridores, definidos por linhas fisionómicas duras sobre tons gerais neutros, numa representação dramática, próxima das correntes expressionistas que se esboçam nos começos de novecentos. O carácter ambíguo das pinturas pontua uma aparente tranquilidade de pose e a expressividade das suas fisionomias, em rostos marcadamente desiludidos ou energicamente perspicazes, num individualismo expressivo que transpõe os limites da realidade e do que se entendia por “verdadeiro”, mas também os da arte nacional. O estudo das fisionomias, consumidas por uma luz que se impõe num específico protagonismo, serve Columbano na pesquisa de uma realidade interiorizada, através de traços e contracções expressivas, de rostos triangulares, olhos rasgados e linhas rosadas, em pormenores do rosto, numa visão dinâmica do retratado como expressão da sua modernidade. M.A.S.

A imagem do artista. O auto-retrato

Columbano, fixa, em 1885, no retrato colectivo do Grupo do Leão, testemunho cúmplice de camaradagem artística e Manifesto Pictórico do Naturalismo em Portugal, muitos dos seus heróis e protagonistas, além de ele próprio. Aí, Columbano deixa transparecer um certo narcisismo que transmitiu, por volta de 1904, a um novo Auto-retrato, visto em contre-plongée. O rosto apresenta uma dignidade altiva, lembrada de Van Dyck que transporta em si os signos da situação social do artista, reconhecido entre os seus pares como o mais importante pintor do período. Do mesmo modo, o Auto-retrato (1927) pertencente à colecção da Galeria degli Uffizi/Palazzo Pitti impõe-se pelo seu realismo estrutural e atitude de uma orgulhosa dignidade, correspondente à consciência do seu reconhecido mérito. Este tempo mental do século XX já não era, porém, o seu. Como tal, o seu universo espectral revelou-se derradeiramente num último e significativo Auto-retrato (1929) que deixou inacabado, quando a morte o surpreendeu. Já não houve tempo para lhe acrescentar a figura da mulher, e dele restou uma pose de Dandi, numa pintura diluída onde apenas avulta o rosto, presença fantasmática de um tempo que era, então, o da Ditadura Militar, pondo termo aos ideais republicanos que sempre haviam norteado a sua vida. R.A.S.

Pintura decorativa

Durante o período c.1885–1915, Columbano produziu um vasto conjunto de obras decorativas. Entre outras, as composições alegóricas do Palácio de Belém e da Quinta de Beau Séjour aqui expostas, os retratos da Sala dos Passos Perdidos da Assembleia da República, as composições históricas do Museu Militar e naturezas mortas de grandes dimensões para residências privadas. A pintura decorativa constitui uma parte integral da sua produção artística e, como tal, desafia a percepção dominante de Columbano como pintor de retratos e cenas intimistas. Profundamente atento à renovada importância da pintura decorativa no contexto da cultura europeia, Columbano dedicou-se ao género, experimentando várias soluções formais, temáticas e compositivas. As suas telas decorativas, públicas ou privadas, contribuem para um melhor entendimento do seu processo de trabalho, tal como revelam aspectos da função da pintura na sociedade portuguesa da época e das relações de Columbano com os seus encomendadores. F.V.

Estudo laboratorial da pintura de Columbano

O tempo em que decorre uma intervenção de conservação-restauro é privilegiado para o estudo das obras de arte. É o momento adequado para identificar materiais e analisar técnicas artísticas.Muito se tem dito e escrito acerca do modo de pintar de Columbano Bordalo Pinheiro. Algumas das suas obras apresentam alterações formais na sua execução. Existe uma forte desconfiança de mudança de cor em determinadas pinturas, através de um “refazer” do quadro, por achar que a anterior fase era muito criticada. Na procura de respostas, foi feita a análise laboratorial em alguns dos seus quadros onde existe essa desconfiança: Retrato de Rafael Bordalo Pinheiro; Retrato de João Rosa; Cristo Crucificado e Frutos de Outono. Tecnicamente, sobressai uma atitude metódica na forma de pintar. Foram identificadas duas camadas de preparação, uma primeira, de cré industrial, e uma segunda, aplicada pelo artista antes de iniciar a pintura. Contrariamente ao que se pensava, detectaram-se em diversas obras alguns apontamentos de desenho subjacente, o que é revelador da premeditação do espaço a pintar. As camadas pictóricas, uma nos fundos e duas ou três nas figuras, são sempre com mistura de branco de chumbo nas carnações e misturas de diversos pigmentos, como os ocres e o negro animal, para os escuros de fundo. Considera-se plausível dizer, neste momento, que, nas alterações, Columbano usou o branco de zinco em substituição do branco de chumbo. Isto quer dizer que, a partir de determinada data, o artista introduziu o branco de zinco na sua paleta de cor.Confirma-se, com o estudo material efectuado, grande parte do que se tem dito acerca do modo de pintar e “refazer” de Columbano. Foram detectadas pequenas alterações nos quadros, que reflectem a natureza do artista, sensível à crítica na procura do ideal. M.L.

Ficha Técnica


Comissariado: Maria de Aires Silveira

Textos: Mercês Lorena, Rui Afonso Santos, Maria de Aires Silveira, Foteini Viachou

Vídeos: Amatar Filmes

Produção: Maria de Aires Silveira

Projecto Expositivo: Manuela Fernandes (imc)

Conservação e Restauro: Ana Fryxell, Mercês Lorena (imc)

Coordenação da Montagem: Maria de Aires Silveira

Montagem: Diogo Branco, João Carneiro, Liliana Dias, Amélia Godinho, António Rasteiro, Luís Sousa e InterArtis

Comunicação: Anabela Carvalho

Serviço Educativo: Catarina Loureiro de Moura

Registo: Amélia Godinho

Logística e Apoio Administrativo: Benvinda Silva

Secretariado: Angelina Pessoa, Conceição Cunha

Recepção e Vigilância: Diogo Branco, João Carneiro, António Chaparreiro, Liliana Dias, Maria José Dias, Sofia Khan, Filomena Maurício, Susete Saraiva, Luís Sousa, Vítor Pereira

Tradução: Kennis Translation Lda.

Design Gráfico: Barbara says...

Sinalética: c.e.i.

Transporte: InterArtis

Construção: j.c. Sampaio, Lda.

Seguros: Lusitânia Seguros