Durante o período Belle Époque, de 1895 a 1914, a Europa viveu uma época de estabilidade, progresso e segurança económica que impulsionou a vida mundana, o luxo e as festas.
A renovação artística trazida pelo estilo Arte Nova, rejeitava os constrangimentos anteriores e inspirava-se na Natureza, trazendo as formas curvilíneas para o traje. Estas características refletiram-se na fluidez dos vestidos, nos padrões florais dos tecidos e na representação de borboletas, libélulas e outros insetos na joalharia.
Em Portugal, D. Carlos adotava o estilo britânico e D. Amélia, de origem francesa, influenciava a sociedade portuguesa com as modas parisienses. No final do século, inauguraram-se em Lisboa os Armazéns do Chiado e do Grandella, que iniciaram uma nova maneira de comprar que durante décadas marcaria uma tendência.
Os vestidos de dia tinham um cós de pescoço alto e um peitilho de renda ou tule. À noite os vestidos apresentavam decotes amplos e os braços eram protegidos com luvas compridas. As mangas, de inspiração Renascentista, possuíam formas amplas na parte superior.
As cores favoritas eram o rosa, o azul-claro, o amarelo, a malva e o preto. Os motivos florais predominavam e os tecidos preferidos eram as rendas, os crepes, os chiffons, as musselinas e os tules.
Os cabelos usavam-se compridos, soltos em menina ou adolescente e apanhados no alto da cabeça em fase adulta, formando amplos volumes. Sobre estes colocavam-se as capelines, chapéus de abas largas adornados com plumas, flores e fitas.
No calçado mantinha-se o uso das botinas e dos sapatos com salto. Outros acessórios muito apreciados e complementares das toilettes femininas eram as joias, as bóas, espécie de abafo de plumas, e os leques de pequena ou grande dimensão.
Para as viagens elegiam-se os casacos ingleses a ¾ com cinto e bolsos aplicados, associados ao boné. Os acessórios eram essenciais não só como complemento do traje masculino mas também associados aos comportamentos sociais. Existiam regras que orientavam o seu uso e que deviam ser obrigatoriamente seguidas.
Dina Caetano Dimas
Dina Caetano Dimas
BOUCHER, François - Histoire du Costume en Occident de l’Antiquité a nos jours. Paris : Flammarion, 1965.
PORTUGAL. Museu Nacional do Traje; PINTO, Clara Vaz (coord.). Museu Nacional do Traje & Parque Botânico do Monteiro-Mor. Vila do Conde : QuidNovi, 2011.
Cândida Caldeira
Dina Caetano Dimas