Dimensões (cm): Alt. 30,2 x Larg. 18,1 x Prof. 4,3
Descrição: PLACA ILUSTRATIVA DAS CENAS DA PAIXÃO DE JESUS CRISTO, esculpida em alto-relevo, em marfim, em correspondência com sete estações ou passos da Via Sacra, ostendando uma moldura sobrepujada por arco polilobado de cujo fecho nascem ondulantes folhas de acanto, e observando-se nos ângulos superiores, representação da mesma tipologia fitomórfica, assim como nas ilhargas inferiores em que assume posição verticalizada.
A interpretação do conteúdo escultórico segue a cronologia dos evangelhos canónicos e foi estruturada de baixo para cima, com início no ângulo inferior esquerdo, em se ilustra Jesus no jardim de Getsémani ou Horto das Oliveiras, em Jerusalém, ajoelhado, posicionado 3/4 voltado à direita na ótica do observador, de cabelos compridos, rosto com barba bifurcada, ostentando as mãos em oração e trajando túnica comprida e um manto que cobre o dorso, voltando o seu olhar para figura alada, ajoelhada em nuvem, que enverga túnica e sobretúnica cintadas; sob a figuração angélica, deitado no chão, vê-se um homem a dormir de cabeça parcialmente calva e com a mesma tipologia de vestes de Cristo, documentando os três Apóstolos que, apesar de serem instados para a oração se deixaram adormecer; no ângulo inferior direito, segue-se um grupo figurativo de homens de pé, parecendo apresentar Jesus Cristo, que se encontra em posição central, voltado 3/4 à esquerda, a cabeça baixa, com as vestes da descrição anterior e que ostenta uma corda à volta do pescoço e os punhos cruzados apresentam-se atados, simbolizando a prisão a que foi sujeito por comando dos sacerdotes do Sinédrio e executada por seus criados aqui retratados com túnicas abaIxo dos joelhos e sobretúnicas, dois com a cabeça coberta de capacetes, um terceiro com boina e um quarto com turbante, o qual levanta o braço direito e a cabeça para cima, coloca a mão esquerda sobre o homem divino e ostenta uma espada suspensa à altura da cintura; o terceiro quadro da Paixão situado no segundo nível vertical, à esquerda, ilustra a flagelação da Figura Crística, central, de pé, frontalizado, desnudo com exceção para cendal à altura das ancas, cujos braços atrás nas costas se encontram presos por corda a um colunelo, enquanto dois homens trajados à romana, denunciando tratar-se de soldados ou subalternos de Pôncio Pilatos, - governador ou prefeito da província romana da Judeia -, flagelam com suplícios o Corpo Crístico; a quarta cena, ocorre à direita da anterior em que se retoma Cristo envergando o cendal mencionado, e como expressão da humilhação sobre Ele exercida, um manto e um cetro na mão direita dos pulsos aprisionados por corda, em que os acompanhantes continuam com o mesmo vestuário da cultura romana, ostentando escudo e lança; as três últimas cenas são apresentadas de forma unificada por um plano de fundo de paisagem com diferentes edifícios, uns mais imponentes e outros mais singelos, em terreno acidentado, querendo ilustrar a cidade de Jerusalém, não constituindo uma narrativa figurativa sequenciada mas compondo a quinta e sexta cenas a ladear a sétima; pelo que a quinta cena foi esculpida no nível superior às duas anteriores, no ângulo esquerdo, figurando homens de pé que continuam a torturar Jesus, um deles com um varapau que levanta sobre o Homem Divino, agora sentado em pilar de secção quadrada, voltado à direita, a cabeça martirizada por uma coroa de espinhos e pulsos presos pela mesma corda que rodeia o seu pescoço; o conteúdo sequente em cronologia, situa-se à direita e representa Jesus Cristo, agora de túnica, que, em caminho montanhoso, cai no caminho transportando uma enorme cruz, que uma figura masculina, Simão Sirene, posicionado nas traseiras ajuda a levar; finalmente, e como episódio final da narrativa escultórica ergue-se na posição superior central, a Crucificação de Jesus Cristo, agora renovadamente de cendal e coroado de espinhos tendo o seu Corpo Divino cravado através dos braços e pés a uma cruz que apresenta na extremidade inferior uma caveira com dois grandes ossos cruzados.
Presume-se que a peça em foco se constitui como um exemplar da produção de escultura em marfim realizada na Índia Portuguesa, decalcada sobre tipologias ocidentais e concretizada por artífices orientais.
"As «orientalia» eram formadas por «exotica, rarita, e naturalia», isto é, objetos produzidos com materiais de origem vegetal e animal. Entre os objetos de devoção mais apreciados pelas comunidades religiosas de Quinhentos a Setecentos, destacavam-se as esculturas de vulto em marfim, muitas vezes, guardadas no interior de oratórios em madeira com incrustações em marfim, ébano ou madrepérola. Conservam-se ainda algumas placas em relevo realizadas no mesmo material". In OSSWALD, Cristina. - "The Perception of the Jesuits in the Portuguese World: between the Trade of and the Taste of Orientalia (16th-17th centuries)". In https://www.revistahipogrifo.com/index.php/hipogrifo/article/view/360/pdf
Centro de Fabrico: Indía (?)
Bibliografia
FERRÃO, Bernardo. (1983) - "Imaginária Luso-Oriental", Imprensa Nacional - Casa da Moeda.
Exposições
Exposição Permanente do Museu dos Biscainhos
Braga
Exposição Física
EXPOSIÇÃO PERMANENTE: ORATÓRIO
Exposição Física
Multimédia
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